Caracas: Não há mais bobo no futebol
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“Não existe mais bobo no futebol”. “Futebol é 11 contra 11”. “Quem não faz toma”. “Futebol é uma caixinha de surpresas”.
Nem todos os chavões do esporte juntos expressariam melhor a reação de um torcedor ao ver o Santos, bicampeão mundial e brasileiro, líder invicto da primeira fase da Copa Libertadores 2007, sendo eliminado em casa por um time venezuelano, do que a interjeição: Caracas!
Ao final do embate, deu Peixe, mas ficou provado mais uma vez que futebol é uma caixinha de surpresas, que quem não faz toma, que futebol são 11 contra 11 e, principalmente, que não existe mais bobo no futebol.
Junto com o Deportivo Táchira, o Caracas representa o que de melhor existe no futebol da Venezuela, país que tem como paixão nacional o beisebol.
Dê asas a sua imaginação!
Os mais jovens podem não lembrar, mas muito antes da Red Bull investir em esporte, a fabricante de motos Yamaha “dava asas a sua imaginação”. Foi com o intuito de alçar vôos mais altos que, em 1984, o Yamaha FC, time da divisão amadora, decidiu participar da Liga de Futebol Profissional da Venezuela com o nome Caracas-Yamaha.
Logo que ascendeu à segunda divisão, o time da capital sagrou-se campeão, fazendo novo vôo para a divisão principal. Porém, o nível do campeonato era muito mais alto e, por pouco, o time não foi rebaixado.
Caracas!
A partir de 1987, o time passou a se chamar apenas Caracas. Nesse ano, atingiu sua melhor posição no campeonato antes de sua ‘refundação’, alcançando o terceiro lugar. Na etapa em que foi eliminado, perdeu para o Deportivo Táchira por 3 a 2, após estar vencendo por 2 a 0 na casa do rival – igual que na Libertadores de 2007.
A capital venezuelana tinha um time competitivo, porém inconstante, que quase desapareceu ao final da temporada 1988/9, quando, após excelente primeiro turno, despencou pela tabela após seguidas contusões de atletas e problemas administrativos.
A crise era tão grande que a presença do Caracas na temporada seguinte era incerta. Com medo da queda, vários jogadores abandonaram o time, passando a integrar os esquadrões rivais: César Baena, Boby Ellie, Pedro Acosta mudaram de camisa antes do início do campeonato.
O time estava indo para o brejo, mas foi salvo por um crocodilo.
Caracas – a evolução
Se é verdade que as aves evoluíram dos répteis, está explicado como o Caracas saiu do brejo para conquistar o céu do Campeonato Venezuelano.
Dias antes do início da temporada 1989/90, a Organización Deportiva Cocodrilos assumiu o controle do time, içado de um pântano financeiro para uma era dourada, quando conquistou oito títulos nacionais, três copas venezuelanas e seis participações na Libertadores.
Em 2007, antes de ser derrotado pelo Santos, o Caracas eliminou o favoritíssimo River Plate na fase de grupos, com uma vitória simples na Argentina e outra por 3 a 1 na Venezuela.
Quatro gols no Santos e quatro no River Plate?
Caracas… não tem mais bobo no futebol!
FICHA
Caracas Fútbol Club
Ano de fundação: 1967
Cidade: Caracas, na Venezuela
Endereço: Cota 905, 1010-A
Estádio: Cocodrilos Sports Park
Capacidade: 3.000
Principais títulos:
– Campeão Venezuelano em 1992, 1994, 1995, 1997, 2001, 2003, 2004, 2006 e 2007
– Campeão da Copa da Venezuela em 1988, 1992 e 1994
– Campeão da Copa República Bolivariana em 2000
Principais jogadores: Ever Espinoza, Iván Velásquez, Habynson Escobar, César González
Site oficial: www.caracasfutbolclub.com