Boleiros 2 – Vencedores e Vencidos
O autor é paulistano e um palestrino inveterado. Profundo conhecedor do futebol. Principalmente da sua parte lúdica. Ele escreve colunas sobre o esporte há muito tempo. Costuma ver e descrever a “Paixão Nacional” de uma forma única. Em um de seus textos, publicados num grande jornal da cidade de São Paulo, ele disseca, com uma sabedoria incomum, a sua epopéia realizada no dia anterior: assistir aos jogos da rodada em vídeos-tape. “Como é maravilhoso, e muito mais gratificante, assistir as partidas já sabendo seus resultados”, escreveu.
Este é Ugo Giorgetti, autor e diretor do recém-lançado “Boleiros 2 – Vencedores e Vencidos”. Um agradável filme que descreve o futebol, mas de um ângulo oposto ao que estamos acostumados a observar todos os dias nos inúmeros programas especializados no assunto.
A segunda versão de Boleiros se passa no mesmo local da primeira: o bar do Aurélio. Aurélio, para que não sabe, é um ex-jogador (personagem de Silvio Luiz) que fez fama no futebol argentino, atuando pelo Boca Juniors. Desta vez, para não ver a falência do negócio que construiu com tanto carinho, o proprietário do estabelecimento promove uma promissora sociedade com Marquinhos (José Trassi), famoso jogador brasileiro do clube italiano Roma.
Pentacampeão mundial pela seleção brasileira, Marquinhos, reserva parte do dinheiro recebido em função de seus dotes futebolísticos, e faz uma grande reforma no local. O tornando mais atraente, com um aspecto mais futurista. A partir do início dessa sociedade, e com a visita do novo dono para a inauguração, a antiga rotina do bar tem uma grande reviravolta.
Com ela veio uma gama de seqüelas peculiares a um atleta de reconhecimento mundial. O que outrora era um pacato lugar onde alguns apaixonados por futebol se reuniam para relembrar as deliciosas histórias do passado, agora tem que conviver com a loucura incessante que são as constantes visitas de jornalistas, torcedores, empresários, advogados e, claro, as “marias chuteiras” que não poderiam faltar num ambiente tão propício. Todos, em sua maioria, o procurando na tentativa de tirar proveito da sua fama.
Neste filme, Ugo conta, à sua maneira, diversas situações do cotidiano do universo futebolístico, quando a bola não está rolando solta pelos gramados. Todas relatadas com pitadas de comédia, drama e inteligência.Tem o empresário de jogador sempre querendo levar vantagem em cima do seu representado; o irmão do craque da seleção pegando carona na fama alheia para se dar bem no presídio no qual cumpre pena; um auxiliar técnico que não vê a hora de substituir o titular e abandonar o esquema de retranca imposto pelo seu chefe. Enfim, o autor mostra tudo aquilo que os protagonistas do futebol teimam em nos esconder.
Em “Boleiros 2 – Vencedores e Vencidos” vale a pena destacar as atuações dos atores Cássio Gabus Mendes como o jornalista “Zé Américo” (grande contador de antigas histórias do futebol); Lima Duarte como o técnico “Edil” (um retranqueiro de fazer inveja ao técnico Tite, do Palmeiras); Denise Fraga como a “Juíza Neidinha” e de Fernanda D´umbra, a repórter “Aninha”, (uma colunista do “Caderno de Cultura”), que sente ojeriza só de ouvir a palavra futebol, mas que é escalada para entrevistar o craque Marquinhos e se encanta com esse novo “mundo” onde consegue enxergar a existência da poesia e do drama. Temas comuns no seu dia-a-dia na redação do jornal.
Um filme indicado para aqueles apaixonados por futebol, que vivem o contemporâneo sem perder de vista o romantismo e a aura que este esporte fascinante viveu, com seus inúmeros craques, no passado – Ainda bem remoto.



