Bem mais sorte do que juízo

Os jogadores da Alemanha não deviam, mas entraram em campo para enfrentar a Turquia acreditando que a passagem pela semifinal da Eurocopa seria mera formalidade. Afinal de contas, o adversário estava dizimado, desfalcado de jogadores como Volkan, Emre e Nihat, e com apenas três gatos pingados em condições no banco de reservas. Para quem eliminou Portugal, de Deco e Cristiano Ronaldo, não haveria de ser a Turquia a preocupar.
A Alemanha subestimou os turcos e por pouco não pagou um preço muito caro por isso. Como Joachim Löw admitiu após a partida, o Nationalelf chega à decisão em dívida com a sorte. Especialmente no primeiro tempo, os alemães abusaram da displicência e foram previsíveis em suas jogadas. A marcação era feita de longe, dando espaços para os turcos criarem perigo.
A bola na trave de Kazim Kazim aos 13 minutos não serviu para acordar a equipe – e nem mesmo o gol de Ugur Boral aos 22, responsabilidade de um péssimo Lehmann. O gol de Schweinsteiger, ainda que saído de uma bela jogada de Podolski, deu ao primeiro tempo um placar mentiroso.
No segundo tempo – pelo menos na parte que a televisão conseguiu mostrar, em meio às quedas de sinal – a Alemanha conseguiu se portar melhor em campo, mesmo sem se aproximar do estilo que mostrou na vitória sobre os portugueses, e mostrou que a mentalidade vencedora que acompanha o país no futebol não existe por acaso. Existe porque os alemães conseguem vencer até quando não é o melhor dia.
Se Lehmann havia entregado o ouro no primeiro tempo, do lado turco também havia um goleiro que já deixou seu melhor no passado. Rüstü falhou feio no gol da virada, marcado por Klose, saindo para tentar alcançar uma bola que estava claramente mais para o atacante.
Quando Semih Senturk marcou o segundo gol turco, aos 41 minutos, foi impossível não lembrar dos jogos contra Suíça, República Tcheca e Croácia. Mais uma vez, a Turquia se mostrava capaz de lutar até o final – algo até mais impressionante do que nas ocasiões anteriores, considerando as dificuldades que teve Fatih Terim para montar o time.
Felizmente para a Alemanha, um momento de brilhantismo individual de Lahm decidiu o jogo no último minuto. Na final, seja contra a Espanha ou contra a Rússia, a equipe de Löw terá um desafio bem maior – o que deve ser algo positivo, já que fará os jogadores entrarem ligados desde o primeiro minuto.



