Belize: Bagunça total

No idioma maia (povo que habitou originalmente a região que hoje é Belize), a palavra ‘belix’ significa ‘água lamacenta’. E lamacenta é a organização do futebol belizenho. Até a temporada 2000/1, o campeonato nacional de Belize era amador, de baixo nível técnico, mas tradicional: 12 times jogando em ida-e-volta, os seis primeiros classificando-se para um hexagonal final. Os dois últimos eram rebaixados e substituídos por campeão e vice da segunda divisão.

Durante essa temporada, descobriu-se que o meia defensivo Raimundo Flores, que jogava pelo Real Verdes, da cidade de Cayo, tinha contrato assinado com mais um time, o Juventus (de Orange Walk), e, por isso, o Verde devia perder os pontos das três rodadas em que Flores jogou. O tribunal belizenho de esportes, porém, anulou a decisão da federação local (que à época ainda chamava BNFA – Belize National Football Association), afirmando que o time de Cayo não poderia ser punido, pois não houve reclamações do Metro Stars, do próprio Juventus e do Yabra Kulture, os times que jogaram contra os Verdes nas rodadas supostamente irregulares.

O Juventus, que não reclamara dos jogos, mas sim da escalação de Flores, entrou com um pedido na federação belizenha, pedindo uma punição ao Real Verdes. Mas a BNFA declarou a si mesmo como incompetente para decidir o caso. E a temporada, que já havia ficado várias semanas suspensa por causa do furacão Keith (o país é constantemente atacado por eventos desse tipo), terminou ainda mais confusa.

Para piorar, a segunda divisão também deu problema: o Jacintoville United foi campeão, e a federação decidiu que o time deveria jogar um playoff contra o Ambergis Turquoise, antepenúltimo da primeira divisão. O clube recusou-se a participar, o que fez com que o torneio do ano seguinte tivesse 11 times, em vez dos dez tradicionais.

Na temporada posterior, depois de mais um furacão, o Sagitún teve que desistir e então, o campeonato acabou mesmo tendo dez times. Tanta bagunça irritou alguns dirigentes, que se rebelaram contra o poder central do futebol e fundaram uma liga dissidente, chamada BPFL Regent Challenge Champions Cup, que teve três temporadas (2002/3, 2003 e 2004). A BNFA até organizou dois campeonatos em 2002/3 e 2003/4), mas sem nenhum sucesso.

Por isso, em 2005, um campeonato nacional unificado foi criado, unindo times que vieram das duas ligas. O Juventus (time mais vitorioso do país) logo foi campeão na primeira edição. Em 2006, outra confusão e dois campeões foram sagrados: o New Site Erei (acusado de ser profissional, o que era proibido) e o FC Belize, clube que conta com as benesses do estado, muito interessado em promover o futebol como instrumento de controle das massas, por meio do controverso governador-geral Colville Young.

Apenas em 2007 foi instituída uma liga totalmente profissional, com patrocínios fortes e mantendo em suas linhas apenas times com possibilidade financeiras de se manterem na primeira divisão, entre eles o FC Belize e o Juventus.

Belize joga muito pouco

Tamanha bagunça só podia ter como conseqüência uma seleção nacional assombrosamente fraca, até pelo diminuto tamanho do país. Mas da equipe belizenha, pouco podemos dizer: disputando jogos oficiais desde 1995, Belize só jogou 27 partidas, com cinco vitórias e 19 derrotas, fazendo 30 gols e sofrendo 69 – e isso contra apenas nove adversários diferentes.

Observando com cuidado, é um retrospecto dos piores, mas não é a catástrofe de seus companheiros de ranking Fifa. O que leva mesmo o país a estar pessimamente colocado é a quantidade muito pequena de jogos, causada pela acefalia constante de sua federação e por desgraças naturais que volta e meia esfacelam as finanças do país.

Se os jogos são raros, ainda mais raras são as partidas em território belizenho, no estádio nacional Marion Jones. Sim, o estádio local homenageia a atleta estadunidense há pouco aposentada depois de admitir o uso de doping. Com pais nascidos em Belize, Marion ainda é respeitada no país centro-americano. Pelo menos, por enquanto.

O que vem aí

Apesar do basquete do país ser importante em âmbito continental, é o futebol o esporte nacional belizenho. Por isso, empresas estatais e privadas têm apoiado algumas iniciativas de colocação de estudantes de faculdades em times de futebol de divisões inferiores dos Estados Unidos, Guatemala, México e Panamá.

Em setembro de 2007, o país abrigou o Campeonato Centro-Americano sub-16, numa prova que de fato o governo tem interesse em trazer maior popularidade ao esporte. Curioso é que a seleção nacional usou em seu uniforme vermelho o nome ‘Belice’, apesar de o nome local (cujo idioma é o inglês) ser ‘Belize’. Segundo o presidente da FFB, Bertie Chimmilo (já cassado da presidência por cinco vezes, sendo a última em março de 2007), isso foi feito para agradar os vizinhos de língua hispânica, que pronunciam ‘Belice’.

Há poucos nomes de destaque no futebol local. O goleiro Shane Moody, há mais de cinco anos jogando no pequeno Municipal de Puntarenas (na Costa Rica), o meia Mark Leslie (que joga em Trinidad e Tobago), e o zagueiro Elroy Smith (que se aposenta agora em dezembro) são alguns deles. De futuro, fala-se no zagueiro Bernardo Liñarez, com 22 anos, e no goleiro Woodrow West, que faz testes na Guatemala.

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Equipe Trivela

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