“Bayern líder, mas com percalços”

A Bundesliga 07/08 começou com a perspectiva clara de dominação do Bayern de Munique. Em virtude dos 70 milhões de euros investidos na contratação de reforços, seria natural que os bávaros, por conseqüência, se colocassem como favoritos absolutos. Três goleadas nas primeiras três rodadas, sendo um 4-0 sobre o Werder dentro de Bremen, reforçaram a tese, à mesma medida em que o atual campeão Stuttgart já dava sinais de fraqueza.

O cenário do Bayern, entretanto, não é tão favorável. O Werder Bremen se reencontrou e consegue, com várias goleadas e o principal ataque da competição, superar a já esperada saída de Miroslav Klose. Como terceira opção, pinta o Hamburgo, restabelecendo o desempenho de duas temporadas atrás.

Além do Stuttgart, quem também decepciona é o Schalke 04, atual vice-campeão. Aliás, falar em decepções sempre nos faz remontar ao Borussia Dortmund, um gigante, mas agonizante.

Passado o primeiro turno, é hora de um resumo rápido sobre as 17 primeiras rodadas. Não parece, mas metade do campeonato já foi. E, em virtude do sempre gélido inverno alemão, as jornadas só retornam em fevereiro, no primeiro dia do mês, com Hansa Rostock e Bayern de Munique, talvez disposto a recondicionar o torneio ao seu ritmo de favorito.

1º Bayern – 36pts

O brilho individual de Ribéry, Klose, Altintop e Luca Toni, ainda que suficiente para dar a liderança da Bundesliga e a classificação para os 16-avos da Copa da Uefa, não foi uma constante. Momentos hesitantes e escolhas infelizes de Ottmar Hitzfeld pintaram, da mesma forma em que o ambiente no Bayern, claramente, não é dos mais pacíficos. Uli Hoeness já criticou o técnico publicamente, que, aliás, entrou em rota de colisão com Oliver Kahn, punido por criticar publicamente os estrangeiros Toni e Ribéry.

Se controlar as animosidades, o Bayern tem futebol suficiente para deslanchar na ponta. Os jogadores citados, assim como Zé Roberto, Van Bommel, Lúcio e Demichelis, compõem um onze titular de primeiro nível europeu. A eles, se juntará o jovem zagueiro Breno, de rápida e convincente trajetória em sete meses de time profissional do São Paulo.

2º Werder Bremen – 36 pts

A diversidade de opções de que dispõe Thomas Schaaf, no ataque, tem sido, de certa forma, suficiente para superar a saída de Miroslav Klose. Sanogo, Hugo Almeida, Rosenberg e até mesmo Ivan Klasnic, têm feito gols importantes. Para auxiliá-los, o brasileiro Diego prossegue como a maior referência da equipe, lamentavelmente sem Torsten Frings, ainda lesionado. Com esse arsenal ofensivo, o Bremen tem esmagado adversários com sonoras goleadas, mas tem claros problemas na retaguarda.

Buscar esse equilíbrio, além de definir enfim sua dupla de ataque titular, serão as principais missões de Schaaf. Ainda que envolvente e imprevisível, o Werder não parece capaz de arrancar rumo ao título e deixar o Bayern para trás. Mas, caso a oportunidade caia no colo, o Bremen saberá usufruir da melhor maneira, sobretudo se estiver focado apenas na Bundesliga.

3º Hamburgo – 32 pts

Com um time interessante, rápido e ainda sob as ações de Rafael Van der Vaart, o Hamburgo recuperou seus bons momentos e se mostra um time seguro para brigar pelas vagas na Liga dos Campeões. O ambiente hostil criado por Van der Vaart, ansioso por uma ida ao Valencia, acabou se diluindo e o holandês então voltou a atuar em grande nível. Foi o HSV, na quarta rodada, o primeiro a tirar pontos do Bayern.

Huub Stevens, é dever dizer, merece muitos dos méritos por isso. Em pouco tempo, tirou o Hamburgo das últimas posições para um honroso 7º lugar na temporada passada. Hoje, colocou a equipe em um novo patamar, e já tem acertado um contrato para voltar para a Holanda, onde tentará fazer do PSV, novamente, um time forte. Caso surpreenda mais uma vez, Stevens colocará o HSV na briga pelo título. Se fizer o básico, brigará pelos três primeiros lugares, já uma vitória.

4º Leverkusen – 30 pts

Uma posição mais que honrosa. Assim pode ser classificado o quarto lugar atingido pelo Bayer Leverkusen ao fim do primeiro turno. Passados alguns momentos turbulentos após o apogeu na temporada 2001-02, o clube soube reconstruir, gradativamente, um trabalho de bom nível. Assim, após terminar a temporada passada na quinta posição, a jovem geração chefiada por Michael Skibbe se mostra pronta para render ainda mais frutos.

Jovens e/ou emergentes como René Adler, Simon Rolfes, Manuel Friedrich, Gonzalo Castro, Stephan Kießling, Theofanis Gekas e Arturo Vidal, reunidos, têm feito uma temporada de alto nível. Vidal, chileno dominante no meio-campo do Leverkusen, deve em não muito tempo render muito dinheiro para o clube. Trata-se de um jogador diferenciado.

5º Schalke 04 – 29 pts

Nos últimos anos, ver o Schalke 04 entre os primeiros da Bundesliga se tornou algo natural. Ainda que não tenha ratificado isso em títulos, os Azuis Reais construíram, novamente, uma atmosfera de clube grande e poderoso no cenário nacional. Entretanto, pela passividade no mercado, ausência de Lincoln, disputa da Liga dos Campeões e escolhas infelizes e limitações táticas de Mirko Slomka, o clube do Ruhr se vê a sete pontos de um irregular Bayern.

Mesmo com a satisfatória participação de Jermaine Jones e Heiko Westermann, principais reforços para a defesa, o Schalke se mostra uma equipe com jogadores em desenvolvimento – casos de Ivan Rakitic e Carlos Grossmüller, opções testadas para o posto de Lincoln. Sem imaginação no meio-campo e um ataque pesado e pouco confiável, a limitação ofensiva dos Azuis Reais apareceu. Pode ser só uma fase ruim, mas as mudanças parecem mais que necessárias.

Decepções: Stuttgart (8º com 25 pontos) ; Borussia Dortmund (10º com 21 pontos); Wolfsburg (11º com 20 pontos) e Hertha Berlim (12º com 20 pontos)

Principal decepção do primeiro turno, o atual campeão Stuttgart, ao menos, fugiu dos flertes com a zona de rebaixamento. Pouco compenetrados no início de temporada, os Schwaben sentiram a ausência de jogadores como Delpierre e principalmente Hitzpelger. Além disso, reforços como Marica, Basturk e Ewerthon, nada ofereceram. Outro ponto negativo foi a não digerida saída de Timo Hildebrand. Mesmo com vários percalços, o time de Armin Veh, ainda assim, foi o único a bater o Bayern, em um sonoro 3-1.

O Dortmund, desde a primeira rodada, deixou claro que não faria nada muito diferente dos últimos anos, em que brigou na parte baixa da tabela. Sem maiores investimentos, o time ainda perdeu o polonês Ebi Smolarek, importante nas temporadas passadas. Assim, colecionou resultados bons e ruins, alternadamente, se mantendo longe do rebaixamento, mas ainda mais distante do grupo de cima. Mladen Pétric, contratado junto ao Basel, foi uma grata surpresa.

Quem também decepcionou foi o Wolfsburg. Contratando muitos jogadores, como Grafite, Josué, Sergio Radu e Munteanu, a equipe parecia capaz de se beneficiar da presença de Felix Magath e brigar, ao menos, por um posto na Uefa. Esteve, em todo o primeiro turno, longe de atingir essa expectativa.

Por fim, o Hertha Berlim foi claudicante. Lucien Favre, treinador da equipe, foi tão incapaz quanto seus antecessores. Mesmo com um bom elenco, Favre não conseguiu dar padrão tático ao time e não obteve resultados expressivos. Nem mesmo a presença dos brasileiros Lúcio, Gilberto, Mineiro e André Lima, foi suficiente para elevar o nível de atuações do Hertha, ainda dependente de Marko Pantelic, seu principal jogador.

Seleção do primeiro turno (4-3-1-2)

Miller (Karlsruhe); Castro (Leverkusen), Bordon (Schalke), Demichelis (Bayern) e Vidal (Leverkusen); Rolfes (Leverkusen); Ribéry (Bayern) e Van der Vaart (Hamburgo); Diego (Werder Bremen); Klose (Bayern) e Petric (Borussia Dortmund)

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