Barcelona 2005/6: A confirmação

por Airton Junior
Após conseguir reestruturar-se com êxito, o Barcelona carecia de uma sustentação, tanto revalidando o título da liga que tinha sobrepujado na temporada antecedente, quão grandemente tentar ir mais além na Champions League – após luxuosas atuações e ser um dos candidatos ao título na temporada passada, quando foi eliminado pelo Chelsea.
O time conduzido pelo brasileiro Ronaldinho despertava a atenção de todos, do mundo em unânime, pelas grandes atuações não somente do brasileiro, que naquele momento era o melhor de todos. Seus coniventes também continham ampla parcela no sucesso do time: Samuel Eto’o encontrava-se sendo estimado pela pluralidade em massa o melhor atacante; Xavi e Deco, fantásticos meio-campistas; e a zaga sempre teve seus problemas, mas a raça de Puyol, coligada à qualidade de Márquez, foram fatores terminantes, e ainda naquela ocasião Gio era essencial na lateral esquerda ao lado de Ronaldinho, sem esquecer dos competentes Giuly, Larsson e Mark an Bommel e os bons momentos de Edmilson e Belletti, além dos promissores Messi e Iniesta.
O Barcelona naquele momento não tinha exclusivamente um time, era mais que isso, era uma aderência singular. O time era considerado uma família e todos almejavam a mesma finalidade: apossar-se da Europa, passagem que não acontecia desde 1992, e a torcida não idealizava o quão seria excelente aquela temporada. Tudo estava acontecendo com o maior planejamento e êxito imaginável, e deu certo. O Barcelona começou a temporada ganhando um título, a Supercopa da Espanha perante o Betis de Sevilha. Ainda que submergindo no segundo jogo em casa, não extraiu o brilhantismo do time, que no jogo de ida ganhou bem do clube andaluz e incluiu ainda um golaço de falta de Ronaldinho. E assim sendo continuou o Barcelona, ganhando a maioria dos jogos e cada vez mais embolsando diferença de pontos na liderança de La Liga, ou seja, parecia que ia revalidar o título do Espanhol com facilidade, e foi o que calhou. Em suma, o Barcelona queria a famigerada “treble”, entretanto focou-se mais nas outras duas competições, porém, não foi tudo as mil maravilhas. Em fevereiro do ano de 2006, afrontaram-se com o Zaragoza pela Copa do Rei. A primeira partida em La Romaleda foi uma catástrofe e o clube perdeu por 4×2, porém todos tinham uma enorme confiança que o clube poderia reverter a situação e na partida de volta no Camp Nou. Não incidiu nisso. Tudo começou quando logo no começo do jogo Ronaldinho, com um lance mal-intencionado, foi expulso. Mesmo assim, o time não desistiu e pressionou o clube aragonês. No entanto o placar final de 2×1 culminava na eliminação blaugrana da competição e deste modo criou-se uma grande rivalidade entre Barcelona x Zaragoza.
Mas as tristezas ficaram nas mentes blaugranas por pouco tempo, porque as oitavas de final da UCL se iniciavam e o Barcelona tinha nada mais nada menos que seu maior rival naquele tempo, o Chelsea. A primeira partida em Londres foi a partida em que Messi foi apresentado ao mundo, protagonista de lindos lances, belas jogadas e da expulsão de Del Horno, o golden boy argentino jogou demais e com uma bela atuação da equipe o Barcelona virou para 2×1 e ganhou em Stamford Bridge, em um dos melhores jogos da temporada e um dos melhores do clube. Na partida de volta, o resultado ficou no 1×1 e o Barcelona devolveu a eliminação de temporada passada. Fator impresumível foi a séria contusão de Lio Messi, que o sacou da UCL pelo restante da temporada.
Cessando um pouco por aqui e voltando ao final de 2005 e em La Liga, o Barcelona e Ronaldinho praticaram um tanto que deixou o mundo entorpecido e a manchete de todo o clube e do próprio jogador em todos os jornais, em novembro de 2005, mais precisamente dia 19/11, o Barcelona enfrentará o seu maior rival, Real Madrid Club de Futbol, e em partida espetacular do seu novo e promissor trio ofensivo, o famoso “REM” – Ronaldinho, Eto’o e Messi – o clube catalão aplicou uma vitória de 3×0 dentro do próprio Santiago Bernabeu, onde foi soberano e ainda apresentou a elegância de ter seu maior jogador e maior do mundo, Ronaldinho, ser glorificado de pé pelos torcedores rivais, feito que nenhum outro brasileiro fez e mais do que merecido o ato dos torcedores rivais. Naquele momento o Barcelona indicava o alento e que ninguém iria dificultar o bi-espanhol, então, com La Liga bem encaminhada, fora da briga pela Copa del Rei e nas quartas da UCL, o clube focaria a competição internacional, onde eliminou nas quartas o Benfica, com um resultado agregado de 2×0, em que na partida de ida, em Portugal, Iniesta foi o “Man of the match” e na de volta, Eto’o.
Nas semifinais foi um dos maiores clássicos mundiais, Milan x Barcelona, dois jogos tensos e intensos, aplicações táticas perfeitas, placar agregado de 1×0, no jogo de ida em San Siro, onde o Barcelona venceu por 1×0 com um passe exímio de Ronaldinho a Giuly que fez um formoso gol de primeira, o Barcelona teve uma das suas mais perfeitas partidas em equipe, qual a marcação e dedicação dos jogadores foi aplicada com perfeição e Ronaldinho fazendo lances lindos e “chapelando” Nesta de tudo quanto é forma. No jogo de volta, visivelmente o Barcelona ansiava brandir o resultado, e conseguiu, apesar de Shevchenko fazer um gol que não sabemos até hoje se foi anulado corretamente ou não, entretanto o clube catalão passou à final aos gritos da torcida com um Camp Nou com 99 mil pessoas, “Si, si, si, nos vamos a Paris”.
A final da UCL seria contra o Arsenal de Thierry Henry, um jogo pra ficar na biografia do clube, e assim foi. Começou com contestações e a expulsão do goleiro Jens Lehmann do Arsenal, em que o juiz não aplicou a lei da vantagem e não deu o gol ao Barcelona, que tinha sido marcado por Giuly. Ainda que com um jogador a menos, o Arsenal saiu na frente com Sol Campbell de cabeça, e o Barcelona só veio a empatar com a entrada de Belletti e Henrik Larsson, aos 71’ de jogo o Barcelona empata com Eto’o e aos 79’ Belletti faz o gol do título e torna-se o terceiro brasileiro a fazer um gol em final de UCL. Naquele instante o Barcelona havia apossado do seu desígnio, ser campeão europeu, Barcelona estava em deslumbre, culés por toda Paris em fascínio, por todo o mundo, alvo adquirido e La Liga estava também sentenciada.
Por fim, inúmeras partidas foram assaz contempladas pelos torcedores do mundo todo do clube em tal temporada, tais como contra Valencia, Villareal, Sevilla, Panathinaikos, Werder Bremen além de outras e as já citadas. Jogadas sensacionais, envolvimento nos jogos, contemplação em geral, o Barcelona conseguia ocasionar as pessoas que acompanham futebol um pouco do que estava falto no futebol mundial, que era o show dentro da partida, futebol com contentamento, com sorrisos. Em suma, espectadores permaneciam em deleite quando o Barcelona jogava, por isso é respeitado por muitos como o “Dream Team II”, o inusitado pesar dessa temporada extremamente brilhante foi não ter obtido a “treble” com o prejuízo da Copa do Rei. Não obstante isso, o Barcelona tornou-se mais uma vez um clube que fez história em uma temporada, no futebol mundial e especialmente europeu. Quando se fala na temporada 2005/06, logo o Barcelona é lembrado.
Pontos positivos: Coletividade, concordância, imposição de jogo e futebol contente.
Pontos negativos: Lesão de Lio Messi e eliminação na Copa do Rei
Destaque: Ronaldinho



