Aris Thessaloniki: Guerreiro da Macedônia

 

Por Gustavo Ribeiro

Alguns dizem que grandes ideias e feitos nascem na mesa do bar, com muita bebida e pouca razão. Esse é quase o caso do Aris Thessaloiniki, a não ser pelo fato de ter nascido em uma casa de café, algo mais leve, digamos. Isso foi nos idos de 1914, na cidade de Tessalônica. Apesar da leveza do local, a Guerra dos Balcãs havia sido deflagrada anos antes e inspirou a apropriação do nome do Deus da Guerra: Ares.

O Aris Thessaloniki nasceu grande. Mesmo sem nenhuma competição oficial, a equipe de Tessalônica era hegemônica na região da Macedônia, vencendo o primeiro torneio em 1923.

Mas o principal viria cinco depois, quando os melhores de cada região se enfrentaram para definir quem seria o primeiro campeão grego. E tanto o Atromitos como o Ethnikos não foram páreos para o Aris, que levantou a taça e viu surgir o principal jogador de sua história: Kleanthis Vikelides, o “tanque da Macedônia”, que defendeu a equipe de Tessalônica por 16 anos, marcando 72 gols no total.

O segundo título nacional veio quatro anos depois, dessa vez contra mais oponentes: Olympiakos, Panathinaikos, AEK, Ethnikis, PAOK e Iraklis. E após um intervalo de 14 anos, o Aris voltou a ser o primeiro, em 1946. Mas este foi o último título de campeonato grego da equipe. Somente em 1970, o sorriso voltou à Tessalônica, com a conquista da Copa da Grécia.

Depois disso, veio um verdadeiro vácuo na história do clube, sem nenhum título importante conquistado. Apesar desse jejum, o Aris sempre esteve entre os primeiros da Grécia, ano após ano. Não é à toa que o time tem a quinta maior torcida do país. Mas ela não foi suficiente para evitar a queda para segunda divisão em 1997. Naquele ano o Aris foi punido por escalar jogador irregular e viu pontos preciosos serem arrancados. Por sorte, a estadia na divisão de acesso foi rápida, de apenas um ano.

Só que o fantasma da segunda divisão voltou a assombrar o Aris Thessaloniki em 2005, quando realizou uma péssima temporada e não escapou do rebaixamento Ao que parece, foi aprendida a lição, e a equipe voltou com tudo nas temporadas seguintes, com colocações de destaque, sempre se classificando para fases preliminares de competições europeias.

A guerra pela Europa

Por conta de suas boas colocações no campeonato nacional, o Aris sempre esteve presente em competições europeias. A primeira delas foi em 1964, na Copa Inter-Cities Fairs, antecessora da Copa da Uefa. Já em 1970, participou da Winner's Cup, que reunia os campeões das copas nacionais.

A partir de 1974, começou a jogar a Copa do Uefa, mas sem muito destaque. A melhor campanha veio na temporada 1979-80, quando chegou à terceira rodada, passando por Benfica e Perugia, mas parou diante do Saint-Étienne.

Fase de grupos da Uefa somente na temporada 2007-08, quando passou pelo Real Zaragoza nas eliminatórias e caiu no grupo contra o Estrela Vermelha, Bolton Wanderers, Sporting Braga e Bayern de Munique. Com apenas uma vitória, dois empates e uma derrota, ficou na quarta posição do grupo e deu adeus à competição.

Na atual temporada, agora Liga Europa, o time de Tessalônica ainda está escrevendo sua história. Novamente na fase de grupos, tem pela frente Atlético de Madrid, Bayer Leverkusen e Rosenborg. Seja como for, o Aris tem uma marca bastante expressiva: nos 24 jogos de competições europeias que jogou em casa, não perdeu nenhuma. Que assim continue, esperam os torcedores.

Brasileiros em Tessalônica

O atual elenco do Aris Thessaloniki conta com quatro brasileiros: Fabiano Lima, Michel, Neto e Ronaldo Guiaro. Os três últimos são os responsáveis por formar a espinha dorsal da defesa do time grego.

O zagueiro Ronaldo Guiaro, que defendeu a seleção brasileira olímpica em Atlanta, em 1996, é o chefão da zaga desde 2007, apesar de seus 36 anos. Pela direita, também desde 2007, joga Neto, que já teve passagem por diversos clubes brasileiros. Já o lateral esquerdo Michel chegou na atual temporada e assumiu de vez a posição. Por outro lado, o atacante Fabiano Lima ainda não teve oportunidades desde que chegou ao Aris.

Outro brasileiro que passou recentemente pela equipe de Tessalônica foi o tetra-campeão Mazinho, mas não como jogador, e sim como treinador. O Aris foi a primeira e única equipe que ele comandou, de janeiro de 2009 até novembro do mesmo ano. Na temporada 2008-09 levou o time até a sexta colocação no campeonato grego, mas não resistiu após um início mediano na temporada seguinte.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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