Anjos Brancos – Os bastidores do Real Madrid

A temporada europeia já bate à porta. E com ela toda a expectativa para ver o novo Real Madrid em campo. O clube espanhol montou a sua versão “Galácticos II”, com a missão de mostrar ao mundo que craques aos montes podem dar resultado muito além do marketing esportivo.

As contratações de Kaká, Cristiano Ronaldo e Benzema transformaram o estádio Santiago Bernabéu, de novo, no foco internacional do futebol. Todos querem saber se tantos bons jogadores vão fucionar, já que a mesma tentativa, no começo da década, foi marcada por mais fracassos que glórias.

E é justamente a primeira “Era Galáctica” o alvo do livro Anjos Brancos – Os bastidores do Real Madrid, escrito pelo inglês John Carlin. Nele, o jornalista passeia pelos bastidores do clube, circula entre dirigentes, treinadores e torcedores para contar detalhes da formação de um time que marcou o futebol moderno.

Com uma linguagem que muitas vezes beira o ufanismo, Carlin relembra passo a passo a contratação de Figo, Zidane, Ronaldo e David Beckham, elos mais fortes daquele elenco e grandes responsáveis por partidas memoráveis. Alguns jogos marcantes, por sinal, são lembrados e reconstruídos no livro com a ajuda de adversários derrotados e alguns madridistas fanáticos.

Anjos Brancos é uma leitura que mistura reportagem, diário de bordo e crônica. Apesar do foco maior ser em cima de David Beckham e seu poder midiático, o livro trabalha muito bem o romantismo perdido no futebol e a “ilusión global” que as algumas boas atuações daquele Real Madrid produziram nos quatro cantos do planeta.

Florentino Pérez, presidente do Real na época (e atualmente também), é citado várias vezes em Anjos Brancos. Em todas, aparece sempre como um apaixonado ousado, disposto a tudo para formar o time mais poderoso da Terra. “Neste que é o mais caprichoso dos esportes, no qual os resultados estão sempre surpreendendo, ele acreditava ter chegado à reposta”, escreve Carlin, em um capítulo que ele chama sugestivamente de “Ideologia revolucionária”.

Apesar de alguns exageros – como comparar o Real Madrid à seleção húngara de 1954 ou ao Brasil de 1970 -, Anjos Brancos é uma ótima viagem aos bastidores de um poderoso time, que se não ganhou tudo, gerou os lucros esperados e chegou a nos lembrar que futebol bem jogado muitas vezes é mais importante que três pontos.

O livro também tenta desvendar porque os galácticos não deram certo e expõe as brigas internas que culminaram em um negócio desfeito e debandada geral de atletas.

Anjos Brancos é um livro incrivelmente atual, já que a história pode se repetir – ou não – com a nova tentaviva de Pérez em produzir a “ilusión global”.

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Equipe Trivela

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