Ancelotti: vitorioso também em campo

Que Carlo Ancelotti é treinador do Milan desde 2001, “todo mundo” sabe. Vários títulos, entre eles duas Ligas dos Campeões, compõem o que de melhor fez Carletto à frente do clube milanista nos últimos anos. Além disso, passou também por Reggiana, Parma e Juventus, este seu trabalho mais abaixo da crítica. Pouca gente, porém, se lembra que, como meio-campista, Ancelotti também fez um sucesso bastante razoável.

Especialmente por Roma e Milan, Ancelotti pavimentou sua carreira de futebolista de ótima reputação internacional. Prioritariamente, atuava como meio-campista central. Dotado de muita técnica, tinha, também, a combatividade exigida pela posição/função. Ainda como atleta, teve participação de relevo com a camisa azzurra, o que permite lhe alcunhar, especialmente pelos títulos conquistados, como um grande jogador.

Essência romanista

Nascido em 1959, na pequena cidade de Reggiolo (província Reggio Emilia), Carlo Ancelotti iniciou a carreira com a camisa do Parma, tendo se profissionalizado em 1976. À época, os gialloblù participavam da Série C, o que, de certa forma, deveria impedir que Carletto pudesse alçar vôos maiores na carreira. Ledo engano. Em 1979, após o acesso para a segunda divisão, foi contratado pela Roma, por onde construiria sua trajetória no calcio. Por pouco, segundo se diz, não foi parar na Internazionale.

A descoberta por Ancelotti é atribuída ao sueco Nils Liedholm, mentor da Roma famosa dos anos 80. Liedholm, que também fez sucesso como atacante do Milan, era o treinador responsável pelo timaço já lendário onde brilhavam também Falcão, Bruno Conti, Roberto Pruzzo, Pietro Vierchowod e Agostino Di Bartolomei.

Com essa base, os romanistas conquistaram o segundo dos três scudetti da história do clube, na temporada 1982/83. No ano seguinte, a mesma base seria vice-campeã européia, perdendo nos pênaltis frente ao Liverpool em pleno Estádio Olímpico.

Ao todo, Carlo Ancelotti esteve com a Roma em oito anos, vencendo ainda quatro copas. Prioritariamente como um interno (meio-campista central), ainda teve a honraria de, por três temporadas, ser o capitão giallorosso. Até os dias atuais, Carletto tem seu nome ligado diretamente como um romanista. Em recente jogo amistoso de 80 anos do clube, esteve entre os jogadores presentes.

No meio de craques

Dizer que Ancelotti, notoriamente um bom jogador, foi craque, seria exagero. Mas, de 87 até 92, ele esteve cercado por muitos. O timaço do Milan regido por Arrigo Sacchi, dominante nesse período, entrou para a história como um dos maiores da história do calcio.

Em uma época em que o espaço para estrangeiros era bastante restrito, o jeito era contar, prioritariamente, com os italianos. Ancelotti esteve ao lado de nomes como Mauro Tassotti, Franco Baresi, Alessandro Costacurta, Sebastiano Rossi, Roberto Donadoni, Paolo Maldini, Daniele Massari, Demetrio Albertini, Marco Simone e Alberigo Evani. Para se ter uma idéia, em quatro temporadas, foram apenas três os não-italianos que passaram pelo Milan: Marco Van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard – todos holandeses.

Ainda que, evidentemente, como coadjuvante, Ancelotti é lembrado, entre os mais antigos, como parte importante da squadra. Além de dois scudetti (87-88 e 91-92), foi também, pela primeira vez, campeão europeu, nas temporadas 88-89 e 89-90, frente a Steaua Bucareste e Benfica. Ainda faturou duas Supercopas da Europa (88-89 e 89-90) e mais duas vezes do Mundial Interclubes (89 e 90).

Com a camisa azzurra, Carlo Ancelotti teve, também, trajetória razoável. Em seu jogo de estréia, contra a Holanda em 1981, fez o único gol em suas 26 partidas. De fora da Copa de 82 por problemas no joelho, foi presente em outras duas Copas (86 e 90), além da Euro de 88, nem sempre como titular.

Em seu melhor momento, na Copa disputada na Itália em 1990, teve problemas musculares ao longo da competição em que a Argentina bateu a Squadra Azzurra nas semifinais. Voltou a tempo de jogar a disputa pelo bronze, em que os italianos bateram o English Team e arrancaram um espaço no pódio.

Ainda que não tenha sido um personagem brilhante e/ou craque, é inegável que as façanhas na vida de Carlo Ancelotti antevêem a passagem para o banco de reservas. Com um repertório de conquistas expressivas, fez parte da história de dois dos principais clubes italianos, justamente em (um dos) seus melhores períodos.

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Equipe Trivela

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