Alemanha: a nova safra

O fim da década passada e o início da atual, para a história do futebol alemão, é considerado um dos piores momentos de todos os tempos. Os resultados obtidos e a estagnação no surgimento de novos jogadores, naquele momento, colocava em dúvida o futuro da Alemanha entre os grandes do cenário mundial.

Alguns anos se passaram e, especialmente o trabalho de Joachim Löw e Jürgen Klinsmann, além da formação dos próprios clubes, deixam à mostra um futuro esperançoso para o Nationalmannschaft. Com vários bons jogadores e uma renovação encaminhada – o que pode ser exemplificado pelas convocações de Marko Marin e Rene Adler para a Euro -, o cenário indiscutivelmente mudou de forma radical e positiva.

Retalho de time

A eliminação alemã na Copa de 94 já havia sido de forma traumática, sobretudo pelo gol da vitória, no duelo contra a Bulgária no Giants Stadium, ter vindo de Iordan Letchkov, então jogador do Hamburgo. Os efeitos, porém, foram anestesiados com o título europeu em 1996, abafando, então, a dificuldade de renovar a geração de Klinsmann e Matthäus.

A partir da Copa de 98, porém, ficou nítida a incapacidade alemã de produzir novos bons jogadores. Na convocação para esse mundial, por exemplo, o nome mais jovem da lista de Berti Vogts era Jens Jeremies, que além de comum, já tinha 24 anos. Veteranos ultrapassados como o goleiro Andreas Köpke, o zagueiro Jürgen Kohler, o meia Thomas Hässler e o atacante Olaf Marschall, por exemplo, se despediram de forma melancólica.

Sem nenhum fôlego e um futebol constrangedor, a Alemanha caiu fora da Copa através de uma goleada de 0 a 3 imposta pela Croácia de Davor Suker. Além do trabalho medonho de Berti Vogts, já se alardeava a necessidade nítida de renovação. Bastava, porém, olhar para os elencos dos clubes alemães para se identificar a falta de material humano.

A próxima grande competição foi, enfim, a pá de cal que o futebol alemão precisava para se renovar. O obscuro Erich Ribbeck, então treinador, insistiu em jogadores rodados e veteranos mais uma vez. Em um fortíssimo grupo, recheado por Inglaterra, Romênia e Portugal, o Nationalmannschaft terminou na lanterna, com só um ponto, e pressionado a mudar seus quadros. A cereja no bolo foi a goleada de 0 a 3 diante dos lusos, tal qual havia sido contra a Croácia em 98, fechando assim o esquife alemão.

A Copa de 2002 marcou o início de uma mentalidade um pouco diferente, o que se aprofundaria nos anos seguintes. Até então, se imaginava que apenas Michael Ballack e Sebastian Deisler, entre os jovens do país, seriam capaz de manter a tradição do Nationalelf. Ainda que de maneira gradual, Ballack, Klose e Metzelder, em grande forma no Mundial da Coréia do Sul e do Japão, começaram a assumir a responsabilidade, algo que se ampliaria na Euro de 2004.

Novo tempo

O sucesso alemão na Copa de 2006 deixou claro o renascimento dos germânicos no cenário mundial. Jovens como Lahm, Mertesacker, Schweinsteiger e Podolski, ainda que não tenham emplacado em seus clubes de forma totalmente convincente, fizeram um grande mundial e abriram caminho para o aprofundamento no elenco de Joachim Löw. O bom momento do país fez, inclusive, com que a Alemanha voltasse a ter bons jogadores em outras ligas, com principalmente Ballack no Chelsea.

O sucesso na reformulação da equipe passa muito pelo trabalho de vestiário de Löw e Klinsmann, que depositaram confiança e deram responsabilidades aos jogadores, que as assumiram muito bem. Hoje, o futebol alemão assiste ao surgimento de várias boas possibilidades para o futuro.

O primeiro ingrediente positivo foi a campanha alemã no último Mundial Sub-17. Derrotada pela campeã Nigéria nas semifinais, a Alemanha terminou com o bronze, projetando rapidamente Toni Kroos, destaque da competição, para a equipe profissional do Bayern. Além dele, Nils Teixeira (Leverkusen), Sebastian Ruby (Stuttgart), Sascha Bigalke (Hertha Berlim), Dennis Dowidat (Borussia Mönchengladbach) e Richard Sukuta-Pasu (Bayer Leverkusen), mostraram que a geração juvenil germânica tinha um grande potencial a ser trabalhado.

O segundo bom sinal é a grande quantidade de bons valores que surgiram na última edição da Bundesliga. Não bastasse o despontar de Kroos e o bom desempenho de Manuel Neuer na Liga dos Campeões, o auspicioso Joachim Löw pode mirar seu poder de observação em Mats Hummels (Borussia Dortmund), Jérôme Boateng (Hamburgo), Sebastian Freis (Karlsruher) e Sven Ulreich (Stuttgart), por exemplo. Da segunda divisão alemã, aliás, vem o principal nome dessa leva: Marko Marin, incluído na lista para a Euro, foi decisivo no acesso do Borussia Mönchengladbach.

O último bom presságio é que a seleção alemã sub-19 vem bem no Europeu da categoria. Maxim Choupo-Moting é o principal nome de uma equipe onde se destacam, entre outros, Mario Vrancic e Manuel Fischer. Não bastasse isso, Felix Kroos, irmão de Toni Kroos, desponta como craque na equipe sub-16.

Claramente, há uma infinidade de bons nomes à disposição de Joachim Löw, que, por sua vez, não está contrário ao processo de renovação constante. Basta, nos próximos meses, dar chance aos garotos certos e conduzir o processo com naturalidade. O cenário alemão para os próximos anos, aparentemente, é diametralmente oposto ao de oito anos atrás. A nova Alemanha já está encaminhada.

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Equipe Trivela

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