Alan Ball: O Caçula de 1966

Sua melhor atuação foi em uma final de Copa do Mundo, fato que torna qual jogador em uma lenda, ainda mais na Inglaterra, terra do futebol e que só tem um título mundial. Sua performance na vitória da Inglaterra sobre a arqui-rival Alemanha é mais marcante por ele ser o jogador mais novo do English Team de 1966. Ele se chamava Alan Ball.

Destacando-se no Blackpool, time pequeno do Norte da Inglaterra, o ruivo Alan Ball chamou a atenção do treinador da seleção, Alf Ramsey. Em 9 de maio de 1965, faltando três dias antes de seu vigésimo aniversário, estreou pela seleção inglesa em um empate de 1 a 1 com a antiga Iugoslávia, em Belgrado. Com sua habilidade e poder defensivo, Ball garantiu sua vaga como um ponta-direita mais recuado (winger, para os britânicos), em um time que tinha, além dos Bobby Moore e Charlton, Geoff Hurst e Martin Peters como estrelas, para a Copa que a Inglaterra sediaria no ano seguinte.

Campeão do Mundo

Depois do susto no empate sem gols com o Uruguai na estréia da Copa, o time deslanchou vencendo o México e a França, tradicional inimiga dentro e fora dos campos. Nas quartas-de-final, Alf Ramsey colocou Ball para marcar o argentino Silvio Marzolini, o melhor lateral-esquerdo do mundo na época. Os ingleses venceram e passaram para a semifinal contra Portugal de Eusébio e companhia. Foi uma barbada. Com dois gols de Bobby Charlton e Eusébio descontando, a Inglaterra estava na final.

Mais de 100 mil pessoas (os números oficiais dizem que eram 96 mil) no estádio de Wembley presenciaram uma atuação magnífica de Alan Ball na finalíssima. “Foi o melhor jogador na Final da Copa do Mundo de 1966”, afirma seu ex-companheiro Geoff Hurst. Correu muito nos 90 minutos do jogo e na prorrogação, mostrando muita vitalidade, mesmo sendo o caçula da equipe. O gol da virada no tempo normal surgiu de um escanteio que ele conseguiu, anulou irritantemente o alemão Karl-Heinz Schnellinger e deu o passe para Hurst fechar o 4 a 2 com um hat-trick.

Mas o lance mais importante do jogo também saiu de seus pés. No tempo extra, Ball chega à linha de fundo e cruza para Hurst, que domina na meia direita e bate seco. A bola bate no travessão, cai na linha do gol e o árbitro suíço Gottfried Dienst marca o gol. Os ingleses comemoram. São detalhes assim que mostram sua importância no inesquecível único título mundial da Inglaterra. Ball e seus companheiros comemoram a conquista no meio do povo, algo inimaginável nos tempos atuais.

Na Copa de 1970, defendendo o título, Alan Ball também será lembrado pelo chute que passou perto do gol de Félix, na derrota da Inglaterra para o Brasil em um dos jogos mais fabulosos da história do futebol. Mesmo com a derrota, o time britânico passou às quartas-de-final, mas desta vez quem venceu na prorrogação foram os alemães (3-2). Expulso no jogo de ida contra a Polônia pelas Eliminatórias para a Copa de 1974, não pôde participar do jogo decisivo em Wembley, quando os ingleses empataram em 1 a 1 e ficaram de fora da Copa na Alemanha. Era o ocaso de Ball na seleção da Inglaterra, pela qual atuou 72 vezes, anotando oito gols.

Carreira

Como já sabemos, tudo começou no Blackpool. Rejeitado pelo Wolverhampton e pelo Bolton, seu pai, também jogador de futebol, o levou para o time alaranjado, pelo qual atuou profissionalmente de 1962 a 1966 e de 1980 a 1981. Antes disso, ainda criança, seu pai o fazia treinar com uma bolinha de tênis na parede de sua casa. Dizia que a bola deveria sempre ser sua parceira. Provavelmente por isso Alan Ball Jr., tinha um toque de bola tão certeiro.

Suas assistências e a bela passagem na Copa do Mundo da Inglaterra, muitos clubes grandes assediaram o Blackpool, porém quem o levou por 110.000 libras esterlinas foi o Everton. Foi pelos Toffees que conseguiu seu único título de campeão inglês, na temporada 1969-70. Entre 1966 e 1971, marcou 66 gols pelo time de Goodison Park. Na temporada 1967-68, foram 20 gols em apenas 34 jogos, marca de causar inveja em muitos atacantes. Alan Ball mostrava que não era apenas um marcador incansável e jogador disciplinado – nunca faltou a um treino no Everton -, mas também sabia fazer gols.

Assim, batendo outro recorde em transações no futebol inglês, foi para o Arsenal por inciríveis 220.000 libras. Defendeu os Gunners dos 26 aos 31 anos, sem sucesso. De Londres foi para Southhampton, ajudando o time a voltar para a Primeira Divisão em 1978. Também jogou nos Estados Unidos e Canadá antes de voltar a Blackpool, onde se tornou técnico. Ainda jogou pelo time de veteranos do Southampton ao lado de seu melhor amigo Mick Channon e Kevin Keegan. Depois de uma temporada em Honk Kong, voltou para Inglaterra, onde encerrou sua carreira no Bristol Overs, depois de 975 jogos em 21 anos.

Treinou alguns clubes, mas sem grandes conquistas. Mesmo assim, os Pompeys – torcedores do Portsmouth – sempre serão gratos a ele, graças ao retorno do time à elite na temporada 1986-87, depois de 28 anos em divisões de baixo.

O mundo perdeu esse grande meio-campista em abril deste ano. Estava em grande forma física, mas seu coração não suportou. Há sete anos, recebeu a medalha da Ordem do Império Britânico. Sir Alan Ball não tinha medo de nada, dentro e fora do gramado. Todas aquelas sessões com a bolinha de tênis ensinaram a ele que sem dedicação nunca teria sido um grande vencedor.

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Equipe Trivela

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