Aílton Almeida: “Somos tratados como heróis”

Grande responsável por colocar o Chipre em destaque no mapa do futebol europeu em 2011/12, o APOEL tem como protagonista em seu ataque um brasileiro nascido na pequena cidade de Hematita, no interior de Minas Gerais, que fez sucesso na Suécia e na Dinamarca antes de chegar ao Chipre, em 2010. Camisa 8 da equipe, Aílton Almeida é responsável por seis dos 11 gols marcados pelo time cipriota na Liga dos Campeões até agora, contando a fase preliminar.
O próprio atacante define o momento como “especial”. Revelado no Atlético Mineiro, ele trocou o Brasil pela Suécia em 2004, quando assinou com o Örgryte. Dois anos depois, mudou-se para o Kobenhavn, da Dinamarca, clube no qual foi tricampeão nacional. Em 2010, foi para o APOEL, e logo em sua primeira temporada no Chipre conquistou seu quarto título nacional consecutivo. Além disso, foi eleito o melhor jogador da temporada pela associação de jogadores.
Em entrevista à Trivela, Aílton fala sobre a campanha do APOEL na Liga dos Campeões e o momento pelo qual passa o clube, entre outros assuntos. Confira:
Como você vê o sucesso do APOEL na Liga dos Campeões? Quais as razões dessa boa campanha?
Temos um grupo muito bom de se trabalhar. O ambiente é excelente, os salários são pagos em dia, o elenco é mesclado entre jogadores mais jovens e mais experientes e temos nos dedicado muito durante as partidas.
Você fez gols nas duas vitórias da equipe na fase de grupos da Liga dos Campeões, contra o Zenit, na estreia, e contra o Porto. Qual foi, para você, o momento mais marcante dessa campanha do APOEL até agora?
Foi muito emocionante ter a oportunidade de fazer gols nessas duas partidas, mas o jogo mais marcante foi contra o Wisla Cracóvia, pela fase preliminar. Fomos derrotados no jogo de ida por 1 a 0 e pouco antes do jogo de volta, uma prima minha de dois anos faleceu. Estava muito abalado, mas consegui fazer dois gols, o último deles aos 42 minutos do segundo tempo, e ajudar o APOEL a vencer por 3 a 1. Foi muito emocionante.
E a torcida? Como tem sido a reação nas ruas?
Eles estão muito surpresos, e satisfeitos, porque ninguém esperava isso. Quando saiu o sorteio, eles ficaram decepcionados, porque não caímos na chave do Barcelona, ou do Milan, de algum clube grande que pudesse ser uma atração na cidade. Mas, agora que estamos próximos da classificação, somos tratados como heróis.
Você estava bem na Dinamarca e havia acabado de ser tricampeão nacional pelo Kobenhavn quando se transferiu para o APOEL. O que te motivou a mudar de clube?
O que me atraiu foi a possibilidade de mudar totalmente de ambiente. Já estava há seis anos na Escandinávia, somando as passagens por Dinamarca e Suécia, e sofria um pouco com o frio. Quando surgiu a proposta do APOEL, pensei que seria uma nova aventura jogar no Chipre e que era o momento certo para sair.
Você se surpreendeu de alguma maneira com o nível do futebol cipriota quando chegou aí?
O futebol aqui evoluiu muito nos últimos anos. O campeonato é competitivo, com três ou quatro equipes lutando pelo título, e o jogo em si é mais técnico, o que combina muito mais com meu estilo. Na Dinamarca e na Suécia eles priorizam muito a força, a pegada.
Assim como Afonso Alves, Kléber e Túlio de Melo, entre outros, você foi revelado no Atlético Mineiro, mas saiu sem ter muitas oportunidades nos profissionais. Por que, na sua opinião, isso aconteceu? Você acha que poderia ter tido mais oportunidades nos profissionais?
No meu caso, surgiu a oportunidade de ir para a Europa e era um sonho que eu tinha. Mesmo sedo um time pequeno (N.R: O Örgryte, da Suécia, é um clube que normalmente ocupa as posições intermediárias da primeira divisão nacional), quis sair para conquistar meu espaço e, quem sabe, chamar a atenção de alguma equipe maior, o que acabou acontecendo. O Atlético tinha o costume de apostar em jogadores experientes e não dava muitas chances para quem vinha da base, mas quero deixar claro que não tenho nada contra o clube, que me acolheu desde a adolescência.
Você é jovem, tem 27 anos e está com a carreira estabelecida na Europa. Planeja voltar ao Brasil um dia?
Não sou uma pessoa que faz muitos planos em longo prazo, mas para ser honesto estou muito satisfeito por aqui e não penso em voltar ao Brasil no momento. Tenho contrato até 2013, pretendo cumprir e depois pensarei sobre meu futuro.
Nicósia, capital do Chipre, é uma cidade que está no centro da tensão entre gregos e turcos que existe no país. De alguma forma, essa tensão prejudica o cotidiano vivido pelo time?
Nem sentimos esse problema no dia a dia. Nicósia é uma cidade muito tranquila para se viver, sem violência, até conheci o lado turco como turista (N.R: Nicósia é a única capital no mundo dividida em duas partes. O norte da cidade está sob o controle dos turcos, enquanto a maior parte é governada pelos gregos). Os cipriotas são muito parecidos com os brasileiros, é um povo caloroso, receptivo, e isso facilita a convivência com a equipe.



