AGLOMERA E ESPAIA

A história quem me contou foi o Gazela, ruivo, alto e magro, um bom meia lá de Aguaí. Além de dono, principal jogador e dono do Canto do Galo, um dos dois melhores times de futsal da cidade. O outro era o Pelezinhos.

Um dos times de Aguaí – não me lembro qual – enfrentaria a União Possense, de Santo Antonio de Posse, em um dos campeonatos amadores regionais. Era a decisão da vaga e Aguaí havia perdido em casa por 1 a 0. E, havia uma agravante. Para o segundo jogo, na casa do rival, jogaria o irmão do Neto – ele mesmo, o José Ferreira Xodó da Fiel – destaque da equipe e que esteve ausente lá no estádio Municipal Leonardo Guaranha.

Já não se pensava em classificação. O medo era de uma goleada. Foi então que o treinador chamou todo mundo para uma conversa. Aqui, um parêntese. Vocês devem ter reparado que estão faltando dados concretos na história. Qual era o time, qual era  campeonato, quem jogava e agora, o nome do treinador. É que a história foi contada de repente e não me lembro exatamente do que, quando, onde, como, por que.

Por isso, vou dizer que o técnico era o Jaburu, um dos grandes nomes do futebol lá da terrinha. Sapateiro que revelou muitos craques. Já morreu, o Jaburu. Faz falta e o post vira uma homenagem.

Pois então. No vestiário, ele chamou a turma e falou assim. “Nóis não pode ter medo deles. Futebor é simples e não muda nunca. Quando eles tiver a bola, nós aglomera atrás. Quando nóis tiver a bola, a gente espaia pelo campo e vai em frente. Quando nóis perder a bola no ataque, vamos voltar correndo, com pressa….”.

O jogo foi 1 a 1. Aguaí ficou fora, mas não passou vergonha.

E se a gente traduzisse o que disse o Jaburu que não era Jaburu? Vamos falar em titês. “Quando eles tiverem a bola, a gente precisa de compactação. Quando recuperarmos a posse de bola, vamos ocupar todos os espaços, mas olha, se formos desarmados no ataque, vamos fazer a transição rápida para manter o equilíbrio do time”.

É isso? E quem falaria diferente? Adilson, Muricy, Scolari, Mourinho?

Lógico que eu não sou um fanático por Aguaí para dizer aqui que o nosso treinador é igual aos outros. Mas você acha normal que o técnico de seu time ganhe em torno de R$ 20 MIL POR DIA? O custo-benefício vale tudo isso?

Futebol de verdade tem mais a ver com a inspiração do craque, com a transpiração do não-craque do que com os pronomes bem colocados que tanto cativam os jornalistas de Pindorama. Acho que o futebol merece um outro olhar. Tomara que vocês achem que é o meu e venham sempre aqui nesse espaço.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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