Adriano fecha portas e faz de tudo para tornar realidade o velho clichê

Wiliam Shakespeare, com Romeu e Julieta, contou a história de amor entre dois jovens pertencenes a famílias – os Montecchio e os Capuletto – que se odiavam. E quantos e quantos mais escritores do mundo não contaram a mesma história sem o mesmo brilho? Transfomaram a genialidade em clichê literário. Há muitos outros por aí. Gêmeas de caráter diferente, um bom e outro ruim. Raquel e Ruth, é lógico. Velho avarento que muda de vida após contato com uma criança, que a princípio ele recusava? Casal à beira da separação que se une novamente ao tomar conta de uma criança que teve os pais mortos? São tantos, as histórias se repetem através dos séculos.
O futebol tem um clichê que é puro drama. Jovem pobre e talentoso, supera dificuldades familiares e financeiras, chega ao sucesso e…..aí são dois finais diferentes. Usa o dinheiro acumulado para conseguir ainda mais dinheiro, transformando-se em alguém poderoso também fora dos campos. Ronaldo, certo? Adorado pelos corintianos, jura que faz parte de um bando de loucos, mas sonha mesmo é ser sócio do Paulistano. Ninguém vai vê-lo dando uma barrigada nas piscinas do Parque São Jorge.
O outro final possível é o de Garrincha e de Jorge Mendonça. Alcançam o sucesso, fazem a alegria de milhões mas não superam o alcoolismo. E ficam pobres, mais pobres do que antes. Quando morrem, inspiram textos bonitos. Aliás, jornalista tem seu lado urubu, carniceiro. Gosta de dar lição de moral em jogador de futebol, gosta de impor seus conceitos e vibra quando encontra algum “diferenciado”, alguém com quem se identifica. Caio Ribeiro, por exemplo. Jogador regular e que na televisão só fala o óbvio. Mas é branquinho, educadinho e ainda se veste de Frankenstein. Nem parece jogador de futebol, fala até mais de uma língua.
Adriano não vai terminar a vida pobre. Ganhou muito dinheiro. Dinheiro justo, graças ao seu talento. Forte, canhoto, bom cabeceador, um centroavante de alto nível. E que vê o mercado fechar as portas ao seu futebol. Na “grande” Europa – Itália, Espanha, Inglaterra e Alemanha – é difícil imangná-lo novamente. O Flamengo o recusou. O São Paulo não o quis. O Corinthians está arrependido de tê-lo. A cada atraso, a cada quilo ganho, a cada escândalo, a balança do custo-benefício de sua presença pende cada vez mais para a dispensa do que para a renovação de contratos. Adriano é melhor do que Willian, do Corinthians? É preciso pensar para responder o que antes parecia algo incomparável.
O melhor da vida de um jornalista é ver a história sendo escrita. Dizer que viu o Barcelona se transformar em um time mítico, Messi tirar a coroa de Maradona, o Brasil ser campeão do mundo, Ronaldo ser o maior artilheiro de todas as copas…. Ver Adriano se afastar de um final feliz é triste, apesar de também ser história. Eu torço para que reaja, que seja titular em 2014, que vença os agourentos. Torço, de coração, mas não gostaria de vê-lo em meu time.



