Acidente ou violência?

O que aconteceu com Aaron Ramsey no estádio Britannia, em Stoke, é de se parar para pensar. O jovem meia do Arsenal recebeu uma entrada muito dura que, ao que parece, quebrou o tornozelo – em uma cena tão triste quanto a do atacante Eduardo da Silva, também do Arsenal, em 2008.
Jogadores do Arsenal se desesperam: Ramsey tem suspeita de fratura
Não vou entrar no mérito da intenção. Nem me parece que Ryan Shawcross quis ser maldoso. A questão é outra. Por mais que o zagueiro do Stoke tivesse apenas a intenção de recuperar a bola ou, vá lá, fazer a falta, por mais que nem passasse pela cabeça dele machucar o adversário, ele foi imprudente.
Discute-se sobre a punição ao autor da falta violenta. Na Inglaterra, cartão vermelho direto em jogada violenta implica em suspensão automática por três partidas.
No caso de Shawcross, a punição de três jogos não é suficiente. Deixar o jogador apenas três jogos fora é uma punição excessivamente leve para uma falta que teve consequência grave para o adversário.
Há quem defenda que o agressor deva ficar afastado o mesmo tempo que o agredido. Como regra, me parece injusto, porque há lances maldosos de fato e há lances que são acidentes. Punir da mesma forma ambos é burrice e, sobretudo, injusto.
No caso da contusão de Ramsey, Shawcross foi imprudente, mas não maldoso. Por isso, devia ser julgado e pegar mais jogos do que os três da pena automática, justamente pela imprudência, algo como seis jogos, por exemplo. Porque além da punição em si, há o exemplo a ser dado. É importante que os jogadores saibam que sua imprudência é nociva. Mas condenar o jogador a ficar fora enquanto o outro não se recuperar, como alguns defendem, soa exagero. E, pela história, podemos dizer que não irá acontecer.



