A vez de Leonardo

Depois de semanas de informações vazadas, agora é oficial: Leonardo será mesmo o técnico do Milan na próxima temporada. Encerra-se um vínculo de oito anos com Carlo Ancelotti, com um histórico glorioso na Europa, com dois títulos da Liga dos Campeões, e um desempenho que poderia ser melhor na Serie A, limitando-se ao título de 2004.
Logicamente, é uma incógnita. Não há um trabalho anterior para se analisar, apenas a experiência do ex-meia da Seleção como jogador e como dirigente. Conhecer o vestiário e o ambiente do Milan, ele conhece como ninguém. Problemas de adaptação não serão um empecilho.
Fica evidente a influência que o sucesso de Guardiola no Barcelona deve ter sobre algumas escolhas de técnicos pela Europa. A definição do Milan por Leonardo faz certo sentido se pensarmos que ele já tinha mão forte sobre a montagem do elenco – foi o responsável pelas chegadas de Kaká, Pato e, mais recentemente, Thiago Silva.
Não há dúvidas de que se trata de uma decisão pessoal de Silvio Berlusconi, em linha com sua ideia de continuidade com nomes ligados historicamente ao clube. A opção por Leonardo pode ainda ser interpretada como uma forma de manter Kaká ligado ao clube, diante do assédio que pode chegar do Real Madrid nos próximos meses.
Tudo indica que o restante da comissão técnica deve permanecer semelhante à formação atual, inclusive com a permanência de Mauro Tassotti como auxiliar. A participação de Tassotti ao lado de Leonardo deve ser mais ativa do que era com Ancelotti, especialmente nas questões táticas.
O mais importante agora para o Milan é dar a Leonardo condições de trabalho ideais. Contratar jogadores por competência e utilidade às necessidades do clube, o que não foi feito nesta temporada, com a preferência dada a nomes midiáticos e caprichos pessoais, como Ronaldinho e Shevchenko. Reforços no gol, na defesa e no ataque são imperativos.
Quanto a Ancelotti, será surpresa se seu nome não for anunciado pelo Chelsea nos próximos dias. Um técnico bem mais competente do que o último italiano que esteve em Stamford Bridge – Claudio Ranieri, o primeiro técnico da era Abramovich.



