A novela Morumbi continua

Na edição do dia 13 de abril, o jornal O Estado de S. Paulo publicou na capa da página de esportes uma matéria que garantia o Morumbi “fora da abertura e da Copa” de 2014. Segundo a matéria escrita por Sílvio Barsetti, um alto executivo da Fifa garantiu ao jornal que o estádio do São Paulo Futebol Clube não tinha um projeto de reforma suficientemente bom para fazer parte do evento.

De acordo com o Estadão, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, visitaria o Brasil no dia 15 de abril e, dentre outras coisas, anunciaria a exclusão do estádio paulista. Não foi o que aconteceu. Ao contrário, até o final daquela semana, o São Paulo mandou para a Fifa a última versão do seu plano de reforma e o que se viu foram declarações a favor do estádio de todos os envolvidos: o Ministro dos Esportes, Orlando Silva Jr, membros do comitê paulista para a Copa e até de pessoas ligadas à Fifa.

O que não pode ser esquecido nesse embrolho todo é que, um dia antes da matéria ser divulgada, a CBF havia sofrido uma derrota considerável no Clube dos 13. O candidato Kléber Leite, que tinha o apoio de Ricardo Teixeira, perdeu para Fábio Koff por 12 votos a 8. Desses 12 votos, um era do presidente do São Paulo Futebol Clube, Juvenal Juvêncio. Muito se fala em uma campanha do presidente da CBF nos bastidores para tirar o Morumbi da Copa, como retaliação a postura política do SPFC.

Mais do que uma falha política, a postura da CBF é, no mínimo, preocupante. As reformas nos 12 estádios escolhidos para a Copa do Mundo já deveriam ter começado faz tempo. Não começaram, e o início das obras foi adiado para maio. O prazo é cada vez menor, e as brigas cada vez maiores. A pior parte é que o atraso em todas as obras parece ofuscado com a confusão criada em torno do Morumbi. A Fifa já ameaçou até diminuir o número de cidades de 12 para 8.

Não restam dúvidas de que os problemas do Morumbi existem, e não são poucos, mas é inimaginável uma Copa do Mundo no Brasil sem a participação direta de São Paulo. E o presidente da CBF sabe disso. Por esse motivo tenta tirar o estádio paulista do Mundial nos bastidores. Mas o fato é que, se o Cícero Pompeu de Toledo for excluído, qual seria a arena paulista na Copa? A solução é a construção de mais um estádio? Com dinheiro público?

Mais do que isso, os votos de Atlético Paranaense e Internacional na votação do clube dos 13 também foram contrários à CBF. Será que a Arena da Baixada e o Beira-Rio são as próximas vítimas de polêmicas? Enquanto as rixas políticas seguem, o tempo passa, 2014 se aproxima e o Brasil continua muito atrasado com os planos para a Copa do Mundo.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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