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A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu: O Bayern termina de humilhar o Arsenal

O clima era de fim de feira. Uma decisão questionável da arbitragem foi determinante para os rumos do jogo no Estádio Emirates, é verdade. No entanto, a nova goleada por 5 a 1 sofrida pelo Arsenal possui um contexto muito maior, e que se expressou além do placar. Em campo, a falta de motivação no segundo tempo se escancarou. Do lado de fora, as arquibancadas não lotaram, ficaram caladas durante boa parte do tempo e se esvaziaram bem antes do apito final. Descontentes que foram para casa mais cedo, enquanto outros preferiram ficar nas ruas para protestar contra a má fase do time – principalmente, contra Arsène Wenger. O Bayern de Munique, por outro lado, fez o seu trabalho. Apesar do primeiro tempo ruim, devorou o adversário entregue e caminha firme para as quartas de final. Pela sétima vez consecutiva, um novo recorde na história da Liga dos Campeões, os londrinos caem nas oitavas. Agora, engolindo a maior goleada da história de um visitante no Emirates.

Wenger sofreu o seu primeiro revés antes mesmo de a bola rolar. Danny Welbeck foi barrado por motivos médicos durante o aquecimento, dando lugar no time titular a Oliver Giroud. A alteração mudou os planos de jogo do Arsenal, com um ataque um pouco mais pesado. Durante os primeiros minutos, aliás, só deu Bayern de Munique. Os bávaros dominavam a posse de bola e até criaram suas chances de abrir o placar, ameaçando a meta de David Ospina com Arjen Robben.

Depois do sufoco inicial, o Arsenal começou a melhorar na partida. Adiantava o seu posicionamento e trabalhava bem os passes. Aos 13 minutos, Olivier Giroud quase abriu o placar, parando na trave. Mas o primeiro gol não tardaria a sair, aos 20. Theo Walcott aproveitou a brecha da defesa para arrancar em grande jogada individual. Invadiu a área e soltou o pé, contando com a colaboração de Manuel Neuer. Os Gunners eram bem melhores, se impondo no campo ofensivo e conseguiam até mesmo empolgar sua torcida. Giroud e Walcott tiveram boas chances de ampliar, mas desperdiçaram. Enquanto isso, o Bayern demonstrava pouco empenho, com dificuldades para sair jogando. Na rara oportunidade de empatar antes do intervalo, Lewandowski falhou.

O segundo tempo teve boas chances para os dois lados logo nos primeiros instantes. Giroud poderia ter feito o segundo, mas cabeceou por cima do travessão. Já do outro lado, Mats Hummels teve um tento corretamente anulado por impedimento. Até o lance que definiria os rumos do confronto. Aos oito minutos, o árbitro anotou pênalti discutível de Laurent Koscielny sobre Lewandowski. O zagueiro francês recebeu o amarelo e, logo na sequência, o vermelho direto, aparentemente por reclamação. Ali, qualquer esperança do Arsenal ruía. O polonês partiu para a marca da cal e deixou tudo igual.

O abatimento dos Gunners era evidente. O time mal conseguia passar do meio de campo, enquanto o Bayern adiantou sua pressão. Aos 13, após uma péssima saída de bola, Robben virou. Wenger realizou as três mudanças de uma só vez, mas não havia mais clima. O Arsenal caminhava em campo e errava demais, diante de um adversário com muito mais gana de liquidar o embate. Douglas Costa, que saíra do banco, fez uma boa jogada individual e marcou o terceiro. Já nos instantes finais, os golpes de piedade vieram com Arturo Vidal, balançando as redes duas vezes. Os torcedores londrinos rezavam pelo apito final, enquanto os bávaros festejavam.

O Bayern reafirmou o seu favoritismo no confronto. A vitória agregada por 10 a 2 é a maior já sofrida por um clube inglês na história das competições europeias. Enquanto isso, por mais que exista uma insatisfação com a arbitragem, a torcida do Arsenal prefere não gastar energias com isso. Os londrinos são conscientes de que o buraco é bem mais profundo. E muitos deles, como ficou claro no protesto nos arredores do Emirates, querem que o massacre represente o fim de uma era. Arsène Wenger, talvez, não volte para a Champions na temporada que vem. Afinal, a representatividade de mais uma derrota acachapante pode ser bem maior do que a mera eliminação. Que o time tenha jogado bem no primeiro tempo, a apatia da segunda etapa é difícil de engolir.

É ver como será a reação para a sequência da Premier League, na qual as coisas também não andam legais durante as últimas semanas. O ambiente todo desta quarta indica como a transformação urge. Uma pergunta fica: e agora, Wenger?

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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