A Eterna Privação do Zagueiro Absoluto

Ele não tem o lirismo do Drummond, mas suas crônicas radiografam o cotidiano brasileiro em suas ações mais infames. Entre elas, o futebol. Esse é Luis Fernando Veríssimo, torcedor é técnico da Seleção como qualquer brasileiro. Quando criança, sonhava ganhar a vida viajando para as Copas e escrevendo sobre os jogos.

O livro é uma seleção das crônicas dele, abrangendo desde a época em que ganhar dinheiro escrevendo sobre uma de suas maiores paixões – depois da Patrícia Pillar – era apenas uma ilusão para quem queria ser desenhista, até a realização do sonho na cobertura da Copa de 98.

Zagueiro absoluto nas quatro linhas do gramado, o autor é, no entanto, atacante goleador nas quatro retas que definem uma folha de papel. E o Veríssimo faz quatro gols ao discorrer sobre os quatro temas que formam a base de cada parte da seção sobre futebol do livro (que inclui também cinema e literatura).

A primeira parte, ´´Fome de Bola´´, tem início com uma das questões mais complexas que giram e giram na cabeça das crianças brasileiras: uso ou não uso minha bola nova? Esfomeado por bola, o autor também genialmente explica o paradoxo entre Deus ser brasileiro e mesmo assim a seleção canarinho perder jogos e títulos.

´´O que Elas Têm a Ver com Isso?´´ é o título do segundo capítulo sobre futebol. Como o próprio tema indica, são crônicas que relatam e contam as mazelas por que passam as pobres mulheres da vida de um boleiro, desde a ida ao estádio vestindo a camisa do time adversário até mesmo a separação por causa da pelada do fim de semana.

O lado técnico de Veríssimo é retratado fielmente na parte ´´Homens em Campo´´, na qual o autor vai revelando a seleção que estava em sua cabeça e criticando as escolhas do técnico que diferem das suas. Além de questionar decisões extra-campo, como por exemplo o que Zico fazia realmente na comissão técnica em 1998.

Pra finalizar, Luis Fernando nos conta de forma deliciosa a realização de seu sonho infantil quando foi trabalhar como cronista esportivo na Copa da França. Nesse capítulo é que Veríssimo conta que todas as crônicas são para ele uma grande brincadeira de jornalista. Ele então recheia suas crônicas com um humor agradável, por exemplo, quando afirma que ´time do coração´ é uma grande mentira, já que nunca se pede ao coração se ele quer mesmo sofrer por algo tão simples embora às vezes fulminante como torcer para o time predileto.

Ler o livro é tão divertido como deve ter sido para o autor brincar de escrever cada crônica que está impressa. E como toda pessoa que nasce no Brasil, Veríssimo também nasceu com o chamado ´jeitinho brasileiro´, o qual ele usa e ao mesmo tempo descreve fielmente nas crônicas desse livro.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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