A começar pelo Tim Maia

Hei de torcer, torcer, torcer. Hei de torcer até morrer, morrer, morrer. Pois é, eu sei que você está pensando na voz do Tim Maia neste momento. É claro que está. Nada foi mais marcante naquele disco com o hino dos clubes lançado pela Placar em 1996 do que o hino do América cantando por um ícone do soul music, da rebeldia sacana e do tijucanismo esclarecido. Nem mesmo o Kleiton & Kledir cantando o hino do Internacional chegaram perto do brilho de Tim, que morreu há exatos 14 anos, após um show em Niterói. Assim como Gil, Caetano, Milton Nascimento, Paulinho da Viola e Jorge Ben, Tim também faria 70 anos em 2012.

Naquela época, já conhecia o hino do Américo, mas apenas pelas cantaroladas do meu pai. Nunca tinha ouvido pra valer a genial versão de Larmartine Babo para “Row, Row, Row”. É que naqueles tempos não tinha esse lance de Youtube, iTunes e até o Napster só seria lançado três anos mais tarde. Como você ia ouvir um hino do América por aí? Pois é… Até um CD ainda era coisa nova, que só se popularizou na minha geração. Saíamos do mundo do cassete enrolado com a ajuda de uma caneta bic e do vinil que arranhava de quando em vez (e entrávamos no mundo do microondas).

Lembro isso porque li a biografia do Tim Maia, “Vale Tudo, o som e a fúria de Tim Maia”, escrita por Nelson Motta, ansioso para chegar logo na gravação do CD da Placar, um sucesso de crítica e de vendas. Fuçando por aí, descobri uma entrevista feita pelo Juca Kfouri em que Tim Maia dizia ter um projeto para cantar o hino de todos os grandes clubes do Brasil. Ele chega a pedir perdão aos demais músicos escalados para cantar os hinos para a Placar, mas certamente sabia que sua voz era a que mais brilhava no álbum. No livro, Nelson Motta conta que o tal projeto foi adiante (aqui os hinos dos cariocas: Flamengo, Fluminense e Vasco. Não encontrei do Botafogo). 

O time do disco da Placar tinha Hebert Vianna, Beth Carvalho e João Gordo, e todos pareciam fazer figuração para Tim Maia e o hino do América. Era certamente a faixa campeã, talvez o último grande orgulho americano. Tenho minha dúvidas se Tim Maia chegou a incluir o hino em seus shows. Acho difícil, mas adoraria ver registros dele cantando a música. Não vi Garrincha, não vi Pelé e não vi Fio Maravilha. Tim Maia é mais um desses caras que perdi, nunca vi em cima de um palco. Aproveito apenas sua gravações. Sei que você já deve ter ouvido essa antes, mas aumenta o som aí. Mais grave, mais agudo, mais eco, mais retorno, mais tudo!

PS. O América é o quinto colocado do Grupo B da Segundona do Rio, com 11 pontos em oito jogos. Os cinco primeiros dos grupos A e B passam para uma segunda fase, que dá vaga para Série A aos dois melhores entre os 10 classificados.

PS 2. Tim era vascaíno, mas não um fanático. 

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