A arte de driblar a lógica

Driblar a lógica. Eis o que acontece quase todo dia no futebol esporte no qual, ao contrário de outras modalidades, nem sempre ganha o mais alto, ou o mais forte, o mais técnico, o mais rico o mais sortudo ou mesmo o melhor. Todos os dias a objetividade dos resultados trai analistas, palpiteiros, torcedores, pais-de-santo, filósofos de boteco e afins. Em 2011, ninguém fez isso melhor do que o Vasco e, restando uma rodada, já é possível dizer: ninguém fará.

O time carioca começou a temporada tomando três pauladas daquelas de perder o caminho de casa. Foi derrotado por Resende, Nova Iguaçu e Boavista. Ficou fora da semifinal do primeiro turno da Taça Guanabara. E aí veio Ricardo Gomes. Recuperou o time, driblou a desconfiança geral, foi à final da Taça Rio. Mais do que isso, levou a Copa do Brasil, classificando o time para a Copa Libertadores da América.

Mesmo com a conquista, muita gente seguiu duvidando. “A Copa do Brasil é um torneio de tiro curto, no mata-mata, até o Paulista de Jundiaí já foi campeão”, diziam. No Brasileiro, em tese, o time não iria longe. Na medida em que os jogos passavam, porém, o Vasco se mantinha na briga, mas sempre tinha alguém para lembrar. “Um time com Renato Silva e Jumar como titulares não pode chegar”. Outros diziam que, quando o time perdesse duas ou três, iria se acomodar. Não aconteceu.

Quando faltavam sete rodadas para o fim, o problema era a tabela. Cheia de jogos difíceis, e clássicos. O Corinthians, com jogos teoricamente mais fáceis, seria campeão por antecipação. Não foi. Agora, na reta final, se fala do cansaço sentido pelos jogadores. Afinal de contas, o time também disputa a Copa Sul-Americana e vinha de uma desgastante semifinal contra a Universidad de Chile. Teria que decidir o jogo contra o Fluminense no primeiro tempo, porque, se isso não acontecesse, cansaria no segundo e seria presa fácil. Não foi.

Mais do que isso. O time perdeu Éder Luís, jogador-chave nos contra-ataques, no jogo contra o Avaí. Perdeu Élton no intervalo do jogo contra o Fluminense. Perdeu Juninho e Felipe, cansados no meio do segundo tempo. Isso sem falar em Ricardo Gomes, fora de combate desde o primeiro turno. Quem iria resolver o jogo que estava empatado? Alecsandro? Sim, disseram os deuses do futebol. E Bernardo, esse sim um nome que não desafia a lógica e joga bem com mais frequência, embora sua instabilidade o impeça de ser titular.

O Corinthians provavelmente ficará com o título. E a Universidad de Chile é favorita no jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana. Ao Vasco, resta ignorar a lógica só mais duas vezes para fechar a temporada com chave de ouro.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo