1980-2004: Oriente Express

Edições canceladas, participantes que renunciavam a suas vagas, dificuldade de calendário e discordâncias na filosofia de jogo. O Mundial Interclubes estava em uma encruzilhada no final da década de 1970. Cada vez era mais difícil convencer os europeus a disputar o torneio. Se não houvesse um fato novo, o torneio acabaria se extinguindo naturalmente.

Felizmente, apareceu o tal “fato novo”. Com uma economia que crescia geometricamente, o Japão surgia como uma economia que poderia se tornar hegemônica no mundo (expectativa não atendida) e era visto como a terra do futuro. Assim, nada mais natural que uma das principais empresas do país se dispusesse a destinar parte de seus milhões para divulgar as maravilhas do sistema industrial japonês por meio do futebol. Em 1980, a montadora Toyota se dispôs a bancar a competição.

O modelo era simples: um jogo em Tóquio. Assim, o torneio ocuparia uma data a menos no calendário dos clubes, não haveria briga a respeito do mando de campo, a segurança e neutralidade eram assegurados e, claro, havia quem pagasse a conta da viagem ao outro lado do mundo.

Em disputa havia duas taças: a Copa Européia-Sul-Americana (chamada de Copa Intercontinental), a mesma da época dos jogos de ida e volta, e a Copa Toyota, oferecida pelo patrocinador. A fórmula deu tão certo que acabou absorvida e adaptada pela Fifa para criar o atual Mundial de Clubes.

1980 – Nacional x Nottingham Forest

O Nottingham Forest era a grande surpresa do futebol europeu. Com dois títulos da Copa dos Campeões, chegou a Tóquio como favorito, até porque tinha jogadores interessantes como Peter Shilton e Trevor Francis. No entanto, acabou perdendo por 1 a 0 para o Nacional, que montara uma equipe forte, com os experimentados Espárrago, Blanco e Waldemar Victorino (autor do gol do título) se mesclando com jovens como Rodolfo Rodríguez e De León.

1981 – Flamengo x Liverpool

O Liverpool tinha pinta de potência européia, mas entrou em campo com alguns jogadores reservas. De qualquer modo, jogadores importantes como Grobbelaar, Souness e Dalglish estavam em campo. E nem esse trio impediu que os Reds fossem atropelados pelo Flamengo. Com Zico em tarde inspirada, o Rubro-Negro fez 3 a 0 no primeiro tempo (dois gols de Nunes e um de Adílio) e administrou o resultado até o apito final.

1982 – Peñarol x Aston Villa

Mais uma vez, os ingleses caíram para os sul-americanos. O grande destaque do Peñarol na época era o atacante Fernando Morena, mas a principal figura da vitória por 2 a 0 sobre o Villa foi o brasileiro Jair (ex-Internacional). Ele fez o primeiro gol e ganhou um carro no final da partida, prêmio ao melhor jogador em campo.

1983 – Grêmio x Hamburg

O Hamburg de Stein e Magath chegou ao Japão esnobando o Grêmio. Erro imperdoável. O Tricolor havia se reforçado especialmente para o torneio e, considerando os bons jogadores que já possuía, tinha um esquadrão. Renato Gaúcho foi a estrela do dia, com dois gols (um no primeiro tempo e outro na prorrogação) na vitória gremista por 2 a 1.

1984 – Independiente x Liverpool

Dificilmente uma equipe inglesa venceria o Independiente naquele dia. A imprensa argentina criou um clima bélico, colocando na cabeça dos Diablos que o duelo com o Liverpool seria uma revanche da Guerra das Malvinas. Com essa motivação e um bom time – em que se destacavam o craque Bochini e jogadores que se tornariam campeões da Copa de 1986 (Enrique, Burruchaga, Giusti e Clausen) –, os Rojos tinham talento o suficiente para vencer. E assim foi, com um gol solitário de Percudani aos 6 minutos de jogo.

1985 – Juventus x Argentinos Juniors

O primeiro titulo dos europeus em Tóquio foi bastante sofrido. Ainda que tivesse um dos melhores times de sua história (com Platini, Cabrini, Scirea, Michael Laudrup, Tacconi e Serena), a Juventus penou para passar pelo pequeno Argentinos Juniors. Os italianos estiveram duas vezes atrás no marcador, mas empataram por 2 a 2. A prorrogação não teve gols e, nos pênaltis, a Vecchia Signora venceu por 4 a 2.

1986 – River Plate x Steaua Bucareste

O River Plate tinha vários jogadores da seleção argentina – e da uruguaia –, como Pumpido, Gallego, Alzamendi, Francescoli, Gutiérrez e Enrique. Assim, não foi surpreendente que vencesse o Steaua, que era a base da seleção romena. O gol do 1 a 0 foi de Alzamendi, completando de cabeça na terceira tentativa: a bola acabara de bater na trave e de ser espalmada pelo goleiro.

1987 – Porto x Peñarol

Depois de duas tentativas do Benfica, o Porto acabou sendo o primeiro clube português a conquistar o mundial. Debaixo de muita neve, o nível técnico da partida foi muito baixo. Ainda assim, os Dragões mereceram a vitória por 2 a 1 na prorrogação.

1988 – Nacional x PSV

Força ascendente na Europa, o PSV chegou com status de favorito diante de um Nacional que já sentia as dificuldades do decadente futebol uruguaio. Ainda assim, a tradição prevaleceu. O zagueiro Ostolaza abriu o marcador para os bolsos, mas Romário empatou. Na prorrogação, Koeman deixou os holandeses perto do título, mas Ostolaza fez seu segundo gol no último minuto. Nos pênaltis, brilhou o goleiro Seré, que defendeu duas cobranças do PSV nos 7 a 6 final.

1989 – Milan x Atlético Nacional

O Milan era indiscutivelmente melhor, mas foi barrado pela marcação colombiana. O jogo não foi dos mais agradáveis e quase que os italianos tiveram de encarar uma decisão por pênaltis. Foram salvos por um gol de Evani aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação. Como era de se esperar, um gol de falta, sem que os marcadores verdolagas pudessem fazer algo.

1990 – Milan x Olímpia

O bicampeonato do Milan foi bastante tranqüilo. Ao contrário do que ocorrera no ano anterior, os milanistas não tiveram dificuldade para transformar a superioridade técnica em gols. Os 3 a 0 surgiram com naturalidade, gols de Rijkaard (2) e Stroppa.

1991 – Estrela Vermelha x Colo-Colo

Uma das finais mais inusitadas da história dos Mundiais. O Colo-Colo tinha esperança de levar o Mundial ao Chile, mas esbarrou em um time tecnicamente superior. Jugovic abriu o marcador aos 19 minutos. A partir daí, os iugoslavos administraram a ansiedade dos sul-americanos. Em contra-ataques, fizeram 3 a 0 (outro gol de Jugovic e um de Pancev), mesmo tendo um jogador a menos (e esse jogador era Savicevic, expulso no final do primeiro tempo).

1992 – São Paulo x Barcelona

Meses antes, os times haviam se enfrentado no Teresa Herrera. O São Paulo fez 4 a 1 e deixou os catalães com vontade de vingança. De fato, o Barcelona jogou melhor no Japão e abriu o marcador com Stoitchkov. No entanto, era difícil parar o jogo envolvente do Tricolor. Com Müller em tarde inspirada, os são-paulinos fizeram 2 a 1 com dois tentos de Raí.

1993 – São Paulo x Milan

O Milan estava em um momento de instabilidade, enquanto que o São Paulo sentia a falta de Raí, vendido ao Paris Saint-Germain. Em campo, os milanistas dominaram o meio-campo e foram melhores durante boa parte do duelo. No entanto, o Tricolor de Telê Santana soube aproveitar os contra-ataques para vencer por 3 a 2.

1994 – Vélez Sársfield x Milan

Com dois gols no início do segundo tempo, o Vélez surpreendeu o Milan e venceu por 2 a 0. O jogo ficou marcado pela péssima atuação milanista, a ponto de alguns jogadores – como Maldini – se dizerem envergonhados pelo modo como o time havia sido derrotado naquela noite.

1995 – Ajax x Grêmio

O Ajax tinha uma geração incrivelmente talentosa e vencedora. Conquistara a Liga dos Campeões de modo invicto e chegava a Tóquio como grande favorito. No entanto, o Grêmio de Felipão soube anular as ações ofensivas dos holandeses e o jogo se arrastou no 0 a 0 por 120 sonolentos minutos. Nos pênaltis, o Ajax errou menos e ficou com o título.

1996 – Juventus x River Plate

Jogo amarrado e muito equilibrado. O único gol da partida saiu dos pés de Del Piero após cobrança de escanteio aos 36 minutos do segundo tempo. Depois do jogo, Zidane trocou camisa com Francescoli, seu ídolo de infância. O filho de Zizou recebeu o nome de Enzo em homenagem ao uruguaio e, durante anos, o francês usou a camisa do River trocada neste Mundial como pijama.

1997 – Borussia Dortmund x Cruzeiro

Depois do título da Libertadores, o Cruzeiro ser desorganizou. Perdeu o técnico Paulo Autuori e não encontrou mais padrão de jogo. Fez um péssimo segundo semestre (chegou a ser ameaçado de rebaixamento no Brasileirão) e chegou ao Mundial como azarão. Contratou vários jogadores apenas para esse jogo (Bebeto, Alberto, Gonçalves e Donizete), o que irritou o Borussia Dortmund. Ainda assim, os alemães eram superiores e fizeram 2 a 0 sem muitas dificuldades.

1998 – Real Madrid x Vasco

O Real Madrid era favorito, mas sofreu para passar por um Vasco que tinha muita garra e alguns jogadores acima da média. Nasa colocou os espanhóis em vantagem desviando um chute de Roberto Carlos e fazendo um gol contra. Juninho Pernambucano empatou e os cruzmaltinos passaram a pressionar pela virada. Acabaram sofrendo o segundo gol no contra-ataque. Raúl, em dia muito feliz, recebeu lançamento de Seedorf, driblou dois defensores brasileiros e fez o gol da vitória madridista.

1999 – Manchester United x Palmeiras

Beckham era a grande figura do Manchester United. Por isso, Felipão colocou Júnior no encalço do meia inglês, que não teve espaço. O problema do Palmeiras é que, do outro lado do campo, Giggs estava em um grande dia e acabou decidindo a partida. Fez jgoada individual e cruzou para Roy Keane fazer o único gol da partida em falha de Marcos. Os palmeirenses pressionaram em busca do empate, mas pararam em uma rara boa atuação do goleiro australiano Bosnich.

2000 – Boca Juniors x Real Madrid

Toda a ação se concentrou em 12 minutos. Palermo fez 2 a 0 para o Boca em 6 minutos de futebol, com Roberto Carlos diminuindo aos 12 minutos. Depois disso, os argentinos passaram a fechar os espaços do Real Madrid, que acabou não criando novas chances de perigo até o final da partida.

2001 – Bayern de Munique x Boca Juniors

O Boca Juniors começou melhor, mas teve o atacante Delgado expulso no início do segundo tempo. A partir daí, o Bayern dominou o encontro e foi até injusto que tivesse de esperar até o segundo tempo da prorrogação para fazer o gol do título. No caso, por meio do ganense Samuel Kuffour após confusão na área argentina.

2002 – Real Madrid x Olimpia

O placar de 2 a 0 não reflete a imensa superioridade técnica do Real Madrid. Ronaldo abriu o marcador aos 14 minutos de jogo. No resto do primeiro tempo, o Olímpia teve algumas oportunidades de empatar. O segundo tempo, porém, foi todo espanhol. Guti fez o segundo aos 39 minutos, mas o Real poderia ter feito muitos outros com seu toque de bola envolvente.

2003 – Boca Juniors x Milan

O duelo foi bastante equilibrado, com as duas equipes criando oportunidades de gol. Tomasson colocou o Milan na frente aos 23 minutos do primeiro tempo, mas Donnet empatou seis minutos depois. Com tamanho equilíbrio, o jogo foi decidido nos pênaltis. Aí, os milanistas pagaram por sua imprecisão: Pirlo, Seedorf e Costacurta desperdiçaram suas cobranças e os argentinos venceram por 3 a 1.

2004 – Porto x Once Caldas

O Porto dominou toda a partida, mas a sorte estava do lado colombiano. O árbitro Jorge Larrionda anulou um gol legal de McCarthy e, pior, três bolas portuguesas acertaram a trave do goleiro Henao. Nos pênaltis, muita agonia, mas o placar final fez justiça aos Dragões: 8 a 7. Curiosamente, o meia brasileiro Diego foi expulso no meio da disputa de pênaltis. Ele converteu sua cobrança e comemorou provocando os adversários. Recebeu o cartão vermelho.

Apresentação dos Clubes

Adelaide United (Austrália)
Al Ahly (Egito)
Gamba Osaka (Japão)
LDU Quito (Equador)
Manchester United (Inglaterra)
Pachuca (México)
Waitakere United (Nova Zelândia)

Sedes

Tóquio – Estádio Nacional
Toyota – Estádio Toyota
Yokohama – Estádio Internacional

História

1960-1979: Tempos clássicos
1980-2004: Oriente Express
2000-2007: A era Fifa

Estatísticas e curiosidades

Os fatos e números que marcaram a história do Mundial

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