16º – Fabio Capello: contestado e vencedor

Ele disputou oito Campeonatos Italianos e venceu seis. Esteve em três finais de Liga dos Campeões consecutivas e faturou uma. E em sua carreira dirigiu somente quatro clubes, tendo conquistado um título ao menos em cada um deles. Esse é o resumo do contestado, mas extremamente vitorioso Fabio Capello.

Atualmente no comando da seleção inglesa, o treinador italiano tem um currículo de causar inveja, o que não lhe é suficiente para ser criticado. Com seu estilo ranzinza, não angaria muitos simpatizantes, mas os torcedores sob seu comando sempre tiveram algo a comemorar no final da temporada.

Início, vida familiar e passagem como jogador

Fabio Capello nasceu em 1946, na cidade de San Canzian d'Isonzo, comuna italiana na província de Gorizia. A carreira de jogador começou em 1964 quando, aos dezoitos anos, estreou na SPAL. Em 67 foi contratado pela Roma, onde conquistou o seu primeiro troféu: a Copa Itália. Ainda passou por Juventus, Milan e seleção italiana.

Foi campeão por todos os times que passou, menos pela Azurra, a qual defendeu entre 1972 a 76. Um fato importante conquistado como jogador é que, jogando pela seleção italiana, em 73, marcou o gol que deu a vitória de seu país diante da Inglaterra, em pleno estádio Wembley.

Chegou a trabalhar, também, com hóquei, marketing e ainda dirigiu o setor juvenil do Milan a partir de 1985. Ficou afastado do futebol por alguns anos, mas retornou com vitórias e títulos quando foi chamado para substituir Arrigo Sacchi, no comando do Milan.

Capello foi casado por mais de 40 anos, e é um entusiasta de arte com uma coleção avaliada em R$ 10 milhões. Seu filho, Pier Filippo, é um advogado que também atua como seu agente.

Debutando com vitórias no Milan

O treinador assumiu o comando do Milan no início da década de 1990, porém, antes disso, em uma ocasião ele assumiu o clube interinamente: 1987, quando o sueco, antigo líder do time, Liedholm, deixou o cargo. Capello dirigiu até a chegada de Arrigo Sacchi, que ficou entre 1987 e 91. Logo com a saída, o treinador se fixou no cargo. Saiu em 1996 e depois voltou na temporada 1997/98.

O início foi impressionante. Como Capello não tinha tanta experiência, acabou surpreendendo a todos. Nos seis anos de Milan, conquistou quatro títulos nacionais, três Copa da Itália e chegou a três finais de Liga dos Campeões de forma consecutiva (venceu uma e perdeu duas). Na temporada 1992/93, perdeu para o Olympique de Marseille na decisão e, no Mundial Interclubes, foi derrotado pelo São Paulo.

No ano seguinte, o clube venceu a Liga dos Campeões, contra o Barcelona, de Romário – na época o melhor jogador do mundo – por 4 a 0, porém, perdeu novamente o Mundial, desta vez para os argentinos do Vélez Sarsfield. A força do Milan era tão impressionante que a equipe rossonera, sob o comando de Capello, conseguiu uma série inédita de 58 jogos sem perder.

Na final de 1994, o Milan estava no auge do trabalho de Capello, não à toa que despachou o Barça por quatro gols. O time espanhol, chamado de Dream Team, de Johan Cruyff não conseguiu se impor e o adversário realizou uma exibição de sonho, protagonizada em particular por Dejan Savicevic.

Período na capital

O segundo time italiano que Capello dirigiu foi a Roma entre 1999 e 2004 (antes passou pelo Real Madrid, história que já será contada…). Nos romanos demorou duas temporadas para uma conquista. Na temporada 2000/2001 ganhou um Campeonato Italiano, e nos anos seguintes 2001/02 e 2003/04 terminou como vice-colocado do nacional.

Ele foi convidado pelo falecido Franco Sensi, então presidente, a dar uma guinada no clube. Seu histórico vitorioso com o Milan deu esperanças aos torcedores Giallorossi. Comandando jogadores como Emerson e Batistuta, o treinador entrou para a história ao conseguir o terceiro scudetto romano, título que não vinha desde a temporada 1982/1983.

Escândalo

Depois de jurar amor eterno à Roma, Capello firmou contrato com a Juventus substituindo Marcelo Lippi. De mocinho virou bandido para a torcida romana. Como os torcedores juventinos não tinham nada a ver com os problemas, acolheram-o de braços abertos. O italiano ficou apenas duas temporadas, tempo suficiente para conquistar dois títulos nacionais. Taças que foram revogadas mais tarde, após os escândalos de corrupção.

O acontecimento levou à saída do treinador e de muitos outros jogadores que foram vendidos a preços baixos. A equipe foi rebaixada, mas conquistou o acesso posteriormente. Para sair da turbulência em que se encontrava, Capello recebeu o convite e voltou à Espanha para comandar novamente o Real.

Nos merengues

Poucos antes de acertar a ida para a Inglaterra, Capello comandava a equipe do Real Madrid. Dirigiu os Merengues por duas oportunidades. A primeira foi na temporada 1996/97 e a segunda dez ano depois, na 2006/2007. Em todas as fases o treinador foi campeão da liga espanhola.

O italiano chegou a Madrid com fama de um dos melhores treinadores à época, afinal foram quatro títulos italianos com o Milan e uma Liga dos Campeões com o clube rossonero. Trazido por Lorenzo Sanz, em maio de 96, Capello deixou a base do time montado para o sucessor Jupp Heynckes, que foi o campeão da Champions na temporada seguinte. Na equipe havia nomes importantes como Seedorf, Hierro, Raúl, entre outros.

A segunda conquista aconteceu na última rodada. A vitória conquistada diante do Mallorca por 3 a 1 deu o título, e pela terceira vez, o treinador conseguiu a taça no último jogo. Esse fato já havia ocorrido quando ele dirigia a Roma e a Juventus. Em 2001/02, pelo mesmo placar venceu a Atalanta e ganhou o scudetto pelos romanos. Cinco anos depois, e como treinador dos Biancorrosi, Capello chegou à 37ª rodada do Italiano com três pontos de vantagem sobre o Milan. A vitória de 2 a 0 na casa da Reggina abriu as portas para seu oitavo título do Campeonato Italiano.

Na temporada 2006/2007, o time madridista ainda tinha alguns galácticos no elenco e o brasileiro Ronaldo foi um dos que mais entrou em atrito com o treinador. Em uma partida pelo Campeonato Espanhol, o brasileiro chegou a se aquecer por cerca de 40 minutos à beira do gramado, sem ser chamado para efetuar uma substituição. Depois do caso, a imprensa espanhola especulou que Ronaldo pediria sua transferência e que o Real estaria disposto a negociá-lo no fim da temporada.

Além de Ronaldo, Capello teve alguns desentendimentos com Beckham e Antonio Cassano, o inglês, logo depois da temporada, acertou sua ida para o Estados Unidos, para jogar pelo Los Angeles Galaxy. Já Cassano foi punido pelo clube, após bate boca com o treinador. Os dois trabalharam juntos na Roma. A insatisfação de alguns jogadores e a eliminação precoce do time na Champions League foram cruciais para a saída do treinador, demitido.

A vida nos Pubs

Em 2007, o treinador foi conhecer novos ares. Contratado para ser o treinador da Inglaterra, o italiano pôde conhecer os pubs ingleses, logo depois da seleção não se classificar para a Euro 2008, sob o comando de Steve Mclaren.

Sem a vaga na principal competição europeia, coube ao treinador lutar pela vaga na África do Sul. No English Team foi eliminado de forma terrível na Copa. Tanto pelo placar, que foi elástico para o lado germânico, quanto para o gol mal anulado de Lampard, que aumentou o sofrimento. A bola que bateu dentro do gol não foi ratificada pelo árbitro.

Na primeira Copa sem Beckham, que estava participando da comissão técnica, com alguns desfalques, e Rooney em péssimas condições físicas, a oitavas-de final foi o término desse carinho com o italiano.

No Mundial da África do Sul Capello chegou como o treinador mais bem pago entre todos das seleções participantes. O salário dele, na ocasião, era de aproximadamente R$ 19,8 milhões por ano, quase 20 vezes o salário do treinador brasileiro, na época Dunga. Porém tal finança não garantiu segurança para continuar com os ingleses.

Muito se especulava sobre a saída do treinador após a Copa e, recentemente Adrian Bevington, diretor da FA, sugeriu que o próximo técnico fosse inglês. Capello deixará o comando da seleção em 2012, após a Eurocopa que será realizada na Polônia e Ucrânia. Nomeado no dia 14 de dezembro de 2007 e tendo feita a estreia em fevereiro contra a Suíça, foram 33 jogos e 22 vitórias, cinco empates e apenas seis derrotas até agora. Setentz e quatro gols marcados sobre seu comando. Dados contabilizados até o jogo contra a França, no dia 17 de dezembro de 2010.

Mesmo já com a saída confirmada, até o jogo contra os Bleus ele liderava o ranking de melhor treinador em termos de aproveitamento. Os quase 67% superam nomes como Sven Goran Erikson, que foi o treinador na Copa de 2002, que contabilza quase 60% – porém Erikson tem mais que o dobro de jogos de Capello, 67 contra 33 -, Alf Ramsey que dirigiu a seleção entre as décadas de 60 e 70, e Walter Winterbottom, nos anos 40 até os 60.

Aposentadoria

Capello já anunciou que após a Eurocopa de 2012 irá abandonar a carreira de treinador de futebol. Se for verdade, o mundo da bola perderá um dos técnicos mas vitoriosos da bola. Se isso não acontecer, os clubes que se preparem.

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