14º – Carlos Bianchi: maior da Libertadores
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Tetracampeão da Copa Libertadores da América, competição da qual é o técnico com maior número de conquistas na história. Tricampeão mundial. Sete vezes campeão argentino. E isso tudo em um intervalo de apenas 10 anos.
Esse foi o tempo (e os títulos) necessário para tornar Carlos Bianchi uma lenda entre os torcedores de dois dos maiores clubes argentinos. No El Fortín, liderou o clube a maior conquista de sua história. Já na La Bombonera, transformou um clube grande nacionalmente num gigante continental e mundialmente conhecido.
Atacante matador
Nascido em Buenos Aires, numa família de classe média, no dia 24 de abril de 1949, Carlos Bianchi iniciou sua carreira de jogador profissional no Vélez aos 18 anos, em 1967, em uma partida contra o Boca. Pelo clube, o atacante venceu um Nacional, em 1968, e foi duas vezes artilheiro de campeonatos argentinos. Encerrou sua passagem pelo Vélez com 206 gols marcados em seis anos.
Em 1973 deixou o país para atuar na França, onde defendeu Stade de Reims, PSG e RC Strasbourg. Em sete anos virou lenda, sendo artilheiro de cinco campeonatos franceses e até hoje é nono maior goleador da história da Ligue 1, com 179 gols e uma inacreditável média de 0,81 por partida.
Oitavo maior goleador em campeonatos da primeira divisão na história do futebol mundial, Bianchi ainda retornaria ao Vélez em 1980 e encerraria sua carreira no Stade de Reims em 1985. Pela seleção argentina, marcou sete gols em 11 partidas.
Início à la francesa
Em 1985 El Virrey iniciou sua carreira como treinador assumindo o comando do Stade de Reims, clube francês que havia defendido em duas oportunidades como jogador profissional. Ficou no comando da equipe por quatro temporadas, todas comandando o time na segunda divisão francesa.
Em seguida dirigiu o Nice, onde pela primeira vez comandou uma equipe na primeira divisão nacional, se salvando nas últimas rodadas da queda para o segundo escalão, e Paris FC, onde também atuou como diretor de futebol.
O bom filho a casa torna
Em 1993 voltou para casa. Em todos os sentidos. Além de retornar para a Argentina, assumiu o comando do Vélez Sarsfield, clube de suas raízes. No El Fortín tinha uma difícil missão: liderar uma equipe com apenas um título nacional e sem muito apelo fora do país, além de superar o passado de ídolo que possuía no clube.
E conseguiu com sobras. Foram três títulos nacionais e a maior conquista da história do clube: a Copa Libertadores de 1994, seguida da conquista da Taça Intercontinental no Japão no mesmo ano, derrotando o poderoso Milan de Capello por 2 a 0.
Levaria o Vélez ainda à conquista da Copa Interamericana, em 1996. Nos quatro anos, conquistou ao menos um título em cada temporada, deixando o clube com status de lenda. Em sua despedida, em 1996, 50 mil torcedores lotaram o José Amalfitani.
Tornando um time guerreiro
Teve um rápida passagem pela Roma, onde, após fraca campanha na Série A italiana, deixou o comando do time. No restante da temporada, atuou como comentarista esportivo em vários meios de comunicação.
Em 1998, tornou-se técnico do Boca Juniors, em sua primeira passagem pelo comando de um clube gigante em seus domínios. Os seis anos sem títulos nacionais e mais de 20 sem taças da Libertadores, deixavam ressabiados por parte da hinchada Xeneize.
Em vão. Em sua primeira passagem, de 1998 a 2001, conquistou três campeonatos argentinos, duas Copas Libertadores e uma Copa Intercontinental, derrotando o poderoso Real Madrid por 2 a 1.
Seu primeiro ciclo no clube foi encerrado após a derrota do time na final da Copa Intercontinental contra o Bayern Munique, com um gol de Kuffour já na prorrogação.
Entrando para a história
Mas a aura de Deus criada em torno de El Virrey pelos torcedores Xeneizes só veio a consolidar-se em sua segunda passagem pelo clube, iniciada na temporada 2003-04.
Conquistou mais um nacional argentino e novamente a Copa Libertadores, seguida pelo bi da Intercontinental, novamente derrotando o Milan, agora sob o comando de Ancelotti.
Em 2004, após a derrota do Boca para o Once Caldas na final da Libertadores, deixou o comando da equipe, alegando ser “o melhor para o clube”. Segundo boa parte da imprensa, a saída também fora motivada pelas excessivas vendas de jogadores.
Fim da carreira como técnico
Teve uma passagem de retumbante fracasso pelo Atlético de Madrid de 2005/06, onde, mesmo comandando um elenco com peças caras e reconhecidas, não foi além de um 10º lugar na Liga Espanhola.
Assumiu o cargo de Gerente de Futebol no Boca, em janeiro de 2009. No comando das divisões de base e profissional, ficou apenas durante um ano, abdicando do cargo em janeiro de 2010.
Legado
Sob o comando de Bianchi, o time Azul y Oro tornou-se uma máquina de títulos nacionais, continentais e mundiais. Contando com grandes estrelas ou não, Bianchi teve o mérito de transportar o ”espírito guerreiro” da fanática torcida boquense para os jogadores que faziam parte de seus times.
Apesar de entrar para história como sinônimo de jogos difíceis, partidas disputadas e vitórias sobre times tecnicamente melhores, as conquistas nacionais de Bianchi foram obtidas sem muitas dificuldades, geralmente com grandes diferenças de pontos para seus rivais.
Outro mérito do treinador foi transformar seus times em equipes imbatíveis em torneios mata-matas, colocando medo sobre seus adversários e assumindo uma equipe sempre se destacava por consolidar seu favoritismo sobre os adversários.
Atualmente, possui o recorde argentino de partidas invictas na primeira divisão com 40 partidas dirigindo o Boca Juniors.
É considerado um dos maiores ídolos da historia centenária do Club Atlético Vélez Sarsfield, ídolo como torcedor, jogador e treinador do clube.