A informação foi inicialmente dada pelo repórter brasileiro do Esporte Interativo, Marcelo Bechler, ainda na semana passada. Nesta terça-feira, ampliou-se por veículos como a ESPN britânica e a emissora argentina TyC Sports. A agência AP conseguiu até confirmação do próprio Barcelona: Lionel Messi quer ir embora.

Não surpreende. A humilhante derrota por 8 a 2 para o Bayern de Munique nas quartas de final da Champions League foi a culminação de um processo de deterioração do Barcelona, e é razoável a análise de que o caminho de uma recuperação, mesmo que comece agora (o que ainda é bem incerto), demoraria demais para um jogador de 33 anos poder aguardar.

Os cinco anos anteriores de Messi já foram desperdiçados por um projeto esportivo capenga e é compreensível que ele não queira arriscar os próximos dois ou três, que devem ser seus últimos no mais alto nível.

Mas para onde ir? Messi representa uma situação paradoxal: ao mesmo tempo que em teoria interessaria a todos os clubes do mundo, porque é um jogador de futebol muito bom, são poucos os que têm capacidade de realizar uma operação como esta.

Messi tem um salário anual estimado em aproximadamente € 30 milhões, que chega a € 67 milhões, segundo a Forbes, com bônus e luvas. Provavelmente haverá discussões, talvez até jurídicas, em torno de uma cláusula que permitiria que o argentino saísse de graça que expirou em junho. Caso prevaleça a interpretação do Barcelona, a rescisão custaria € 700 milhões, o que certamente não seria pago por ninguém, mas aumentaria o poder de barganha do clube para exigir pelo menos os mesmos € 100 milhões que a Juventus pagou por Ronaldo. E mesmo que ele saia de graça, Messi provavelmente exigiria um bom bônus pela assinatura do contrato.

Sendo assim, quais clubes parecem ter condições financeiras para sonhar com a transferência, em que pesem os impactos da pandemia? Em que pé estão seus projetos esportivos? Como ele se encaixaria no time e com as ideias do treinador? Será que há moedas de troca que interessam ao Barcelona e poderiam facilitar uma negociação?

Escolhemos os cinco clubes com as melhores cotações nas casas de aposta, usando a Betfair como base (que não é nossa patrocinadora, mas se quiser ser, a gente passa o contato), porque parecem de acordo com os potenciais futuros de Messi.

Manchester City (2.30)

Ida ao Manchester City seria a reunião com Pep Guardiola (Foto: LLUIS GENE/AFP via Getty Images/One Football)

Tem dinheiro? Em teoria… ô se tem. Foi o sexto maior faturamento em 2018/19, com € 610 milhões, segundo a Deloitte. Os últimos dois mercados foram relativamente calmos, com um gasto líquido de apenas € 120 milhões, e o atual começou com as contratações de Ferrán Torres e Nathan Aké, o que indica um clube inglês com vontade de fazer negócios – o que também indica isso é o presidente Khaldoon Al Mubarak prometendo mais contratações. A folha salarial comeu 59% dessas receitas em 2018/19, mas recebeu um alívio para a próxima temporada com as saídas de David Silva, Leroy Sané e Claudio Bravo. As receitas do dia de jogo, as mais afetadas pela pandemia, representaram apenas 10% do seu faturamento no último levantamento da Deloitte. E se faltar alguma coisa, os Emirados Árabes têm a sétima maior reserva de petróleo do mundo.

Encaixa com o técnico? Sim senhor. Na realidade, é o melhor treinador com o qual o futebol de Messi encaixou em sua carreira. Uma relação de amor e respeito mútuo, com compartilhamento de ideias sobre o futebol e sobre a vida. Exageros à parte, Guardiola foi quem elevou o argentino a um novo patamar quando treinou o Barcelona, deslocando-o da direita para o meio com liberdade para ser um atacante completo que influencia o jogo em todas as regiões do gramado. Com o declínio físico de Messi, teria que descobrir como montar um time que precisa da pressão dos seus atacantes para que sua linha alta de defesa não fique vulnerável a contra-ataques, após uma temporada em que isso foi um problema sério, mas, se há alguém que pode resolver essa equação, esse alguém é Pep Guardiola.

Em que pé está o projeto? Em um leve processo de renovação. Silva, um dos pilares do meio-campo e bandeira do clube, foi embora, abrindo espaço para jovens como Phil Foden. O auge de Sergio Agüero parece ter chegado ao fim, minado por muitas contusões. Sané foi negociado com o Bayern de Munique e a defesa precisa de uma revolução quase completa. É provável que vejamos a partir da próxima temporada um time um pouco diferente daquele que dominou a Premier League por dois anos, depois de ser vice do Liverpool e perder para o Lyon nas quartas da Champions. Ainda será um dos mais fortes da Europa, e Guardiola tem mais um ano de contrato.

Como jogaria? A posição de meia-segundo-atacante-com-liberdade-para-fazer-o-que-quiser não tem sido muito utilizada por Guardiola no Manchester City, mas certamente poderia ser criada para Messi. Parece longe demais os anos em que ele conseguia atuar como um ponta direita enérgico que arrancava em diagonal. Para encaixar na formação mais comum do City, uma possibilidade seria em uma função mais recuada, pelo meio-campo, com liberdade para chegar à área porque finaliza mais ou menos bem. Rodrigo, De Bruyne e Messi, variando entre um 4-3-3 e um 4-2-3-1? Possível. Minha aposta pessoal é que, com a decadência de Agüero, Guardiola retomaria a ideia de Messi como o “falso 9”, recuando para acionar os pontas e ainda protegido por um trio de meias.

Alguém que interessa ao Barcelona? Bastante gente, mas pensando em possibilidades reais, Agüero parece uma troca interessante para liderar a linha de ataque do Barcelona que ainda tem Coutinho, Griezmann e Dembélé, sempre condicionado ao que o seu físico ainda permite. É um alerta importante porque, atacante veterano por atacante veterano, talvez fosse melhor manter Suárez, embora Agüero tenha mostrado mais em temporadas recentes. Gündogan também seria um nome que poderia agradar por ter características que encaixam com o jogo que o Barça costuma almejar. Tem 29 anos, um valor de mercado apenas razoável e não é titular com tanta frequência. Uma terceira opção para ser colocada em um pacote seria João Cancelo, lateral ofensivo, bem ao estilo de Jordi Alba, e que pelo menos disputaria a posição com Nélson Semedo, que terminou a temporada em baixa após levar um baile de Alphonso Davies.

Paris Saint-Germain (3.40)

Uma reunião entre Neymar e Messi? (Foto: David Ramos/Getty Images/One Football)

Tem dinheiro? Em teoria… sim. Quinto faturamento, em € 635 milhões, próximo ao do Manchester City, e entrará na terceira janela desde que vendeu a Torre Eiffel para contratar Neymar e Mbappé de uma vez só, o que permite um pouco mais de liberdade diante do Fair Play Financeiro – que, como um volante que não marca, já concede toda a liberdade do mundo a seus adversários. Os últimos dois mercados foram de contrição, até com certo lucro se ignorarmos o esqueminha para passar Mbappé ao primeiro deles. Leonardo vinha tentando negociar reduções salariais com os jogadores por causa da pandemia. Tirou 18% do seu faturamento dos dias de jogo, segundo o levantamento da Deloitte, mas a França já tem realizado partidas com portões abertos, o que pode minimizar os prejuízos. A folha salarial pode ser um entrave, mas ganhou espaço com as saídas de Edinson Cavani, Thiago Silva e Thomas Meunier. E se não possui a sétima reserva de petróleo do mundo, a 14ª ainda é bastante respeitável. 

Encaixa com o técnico? Thomas Tuchel varia bastante o esquema tático. Uma de suas grandes vitórias pelo Borussia Dortmund, contra o Bayern de Munique na semifinal da Copa da Alemanha de 2016/17, foi em um 4-2-3-1, com Marco Reus atrás do atacante, onde Messi poderia jogar. Ele gosta de armar máquinas de pressão, o que tem sido um desafio com as peças à disposição no Paris Saint-Germain, e o argentino, pelo baixo nível de trabalho defensivo dos últimos anos, seria uma complicação a mais e forçaria a mão de Tuchel a aprofundar um sistema que tenta segurar a bronca defensivamente para que suas estrelas brilhem, depois de a final da Champions League ter deixado claro que o melhor caminho seria o oposto.

Em que pé está o projeto? Quebrou uma barreira com a chegada à final da Champions League, mas ainda está em busca de uma identidade como time. Messi seria mais um passo na ideia de reunir o máximo de estrelas possíveis e depois ver o que faz com o resto. Tuchel entrará (provavelmente) no terceiro ano de seu trabalho, igualando Laurent Blanc como o treinador mais longevo do projeto do Catar, e ainda há buracos importantes no elenco, especialmente nas laterais e no meio-campo, que deveriam ser prioridades no mercado.

Como jogaria? A antologia de siglas ganharia mais um integrante: o trio MNM – talvez Mbappé pudesse mudar de nome para ficar mais sonoro? Messi formaria o ataque com Neymar e Mbappé e a questão é como o resto das estrelas do PSG se encaixariam. Daria para fazer um 4-2-3-1 com Icardi de centroavante ou Messi mais à frente com Di María pela direita, mas boa sorte encontrar uma dupla de meio-campo que sustentasse qualquer um desses quartetos. Mais equilíbrio talvez viesse com Neymar à esquerda, Mbappé à direita e Messi mais recuado como atacante centralizado. O problema: Neymar teve a sua melhor temporada pelo PSG atuando bastante como camisa 10, livre para se movimentar e se deslocar para o meio. Teria que abrir mão dessa liberdade para adotar uma função mais tática.

Alguém que interessaria ao Barcelona? O negócio é que não tem muita gente sobrando no elenco desequilibrado do Paris Saint-Germain. Qualquer lateral mais ou menos razoável precisa ser mantido e os atacantes são ou Neymar e Mbappé ou Choupo-Moting, que deve sair ao fim do seu contrato. Icardi parece estranhamente em baixa dias depois de ser adquirido em definitivo pelo clube, mas foi dispensado da base do Barcelona quando era mais jovem por não se encaixar ao estilo que o clube usa como norte. O nome mais interessante, com alguma chance real, seria Marco Verratti, muitas vezes especulado nos catalães, mas, se o PSG topasse, deixaria o seu meio-campo privado do único jogador de mais alto nível com o qual conta no momento.

Internazionale (4.00)

Pode deixar, a gente marca, sim, Antonio (Foto: GLYN KIRK/AFP via Getty Images/One Football)

Tem dinheiro? Em teoria… talvez. Foi a especulação mais forte da última temporada depois do pai de Messi comprar imóveis em Milão, o que pode ser um indício de uma transferência ou simplesmente do aquecimento do mercado imobiliário. O rumor se baseia na disposição dos donos chineses da Internazionale a abrir a carteira, o que eles já vêm fazendo. Antonio Conte é um treinador caro que exige contratações caras, como Christian Eriksen e Romelu Lukaku, que chegaram por um combinado de € 100 milhões e altos salários. A venda de Icardi para o Paris Saint-Germain gerou alguns fundos, mas parte já foi gasta com o lateral Achraf Hakimi, do Real Madrid. Disputou a última Serie A com a segunda maior folha salarial, segundo a Gazzetta dello Sport, com nenhum jogador recebendo mais do que € 7,5 milhões, vencimentos estimados de Lukaku. Ainda está em linha com Roma (€ 125 milhões) e Milan (€ 115 milhões) e bem distante da Juventus (€ 294 milhões). A receita em 2018/19 foi apenas a 14ª da Europa, em € 364 milhões, mas se reforça com participações consecutivas na Champions League, embora os prêmios que receberia se conseguisse chegar ao mata-mata façam falta. A Serie A entra no último ano do atual contrato de televisão e teria um bom poder de barganha para aumentar o valor do próximo se tivesse Lionel Messi e Cristiano Ronaldo à disposição. Tirou 14% das receitas dos jogos, segundo o último levantamento da Deloitte, em média com os outros candidatos.

Encaixa com o técnico? Se Messi nasceu, cresceu e brilhou com a filosofia Cruyffista, teria que se adaptar à filosofia Contista, muito mais direta, com bolas longas para os atacantes fortes e alas que a carregam com velocidade para o campo de ataque. Há espaço para um meia-atacante mais criativo, ou pelo menos Eriksen tem rezado para que haja, tanto como um segundo atacante ou como terceiro homem de meio-campo.

Em que pé está o projeto? A Internazionale disputará a Champions League pela terceira vez seguida. Terminou o Campeonato Italiano a apenas um ponto da campeã Juventus, diferença muito pequena e que não ilustra com precisão a facilidade com que a Velha Senhora defendeu seu título, mas chegou a esboçar uma disputa de verdade, especialmente no começo da temporada. Há uma mistura interessante entre jogadores experientes, outros no auge de seus poderes e jovens com potencial e, principalmente, disposição dos donos a levar o projeto adiante. Parte de uma ótima base e parece prestes a dar um salto. A provável permanência de Conte, após fortes indícios de que as relações com a diretoria teriam chegado ao ponto de ruptura, é uma boa notícia para para a continuidade do projeto, por mais que a personalidade do treinador italiano siga sendo uma potencial fonte de instabilidade.

Como jogaria? Dentro do esquema 3-5-2 de Antonio Conte, seria provavelmente o parceiro de ataque de Romelu Lukaku na maioria das partidas ou o camisa 10 atrás do belga e de Lautaro Martínez quando estivesse com vontade de ser um pouco mais ousado. Se ele estiver disposto a abrir mão dos três zagueiros, Messi poderia atuar como o enganche à frente de um forte trio de meias com Nicolò Barella, Marcelo Brozovic e Stefano Sensi, com a possibilidade de inserir Eriksen entre eles em partidas menos exigentes defensivamente, única alternativa para o dinamarquês não se arrepender profundamente de ter ido para a Internazionale, caso Messi realmente chegue. Em um 4-2-3-1 ou 4-3-3, combinações de números mais na moda, seria difícil encaixá-lo com dois atacantes como Lukaku e Lautaro.

Alguém que interessaria ao Barcelona? Lautaro Martínez interessa muito ao Barcelona, mas será que a Internazionale abriria mão de um atacante com dez anos de carreira pela frente por um veterano – por melhor que seja esse veterano? Seria uma troca pau a pau pelos valores de mercado de ambos, dada a diferença de idade. O clube italiano tem abundância de bons zagueiros para inserir em uma troca. Stefan De Vrij, por exemplo, trabalhou Ronald Koeman na seleção holandesa, mas dificilmente a Inter abriria mão de seu principal zagueiro no momento. Talvez Milan Skriniar que é jovem, rápido e técnico, como gosta o Barça. A troca mais natural, porém, seria Eriksen, por mais que ele tenha acabado de chegar. A contratação de Messi tornaria sua presença no elenco redundante, ele tem as características que o Barcelona aprecia em seus meias e já foi bastante especulado no Camp Nou.

Juventus (5.50)

Históricos rivais, Ronaldo e Messi podem jogar juntos? (Foto: BEN STANSALL/AFP via Getty Images/One Football)

Tem dinheiro? Em teoria… Nope. O desespero da Juventus para tentar equilibrar as contas é tão grande que quase negociou Paulo Dybala com o Tottenham antes de uma temporada em que ele foi o segundo jogador mais importante do time. A sua capacidade financeira foi esticada ao máximo para acomodar Cristiano Ronaldo e seria difícil imaginar que comportaria uma segunda estrela desse porte. A folha salarial chegou a € 294 milhões, mais que o dobro da segunda colocada da Serie A, o que representaria 64% do faturamento da temporada anterior. Mesmo com um possível aumento de receitas em 2019/20, ainda fica bem apertado. A boa notícia é que há uma série de jogadores com altos salários que podem ser dispensados ou negociados sem que causem dor à torcida da Juventus. O processo começou com Blaise Matuidi e Gonzalo Higuaín, mas ainda pode envolver nomes como Aaron Ramsey e Adrien Rabiot. Mario Mandzukic saiu em janeiro, e Sami Khedira pode acabar seguindo o mesmo caminho. Todos esses estavam entre os vencimentos mais altos da Velha Senhora. Pensando nos efeitos da pandemia, o dia do jogo representou 14% do faturamento em 2018/19.

Encaixa com o técnico? Vai saber? Até agora, temos apenas palavras de Andrea Pirlo. Em sua primeira entrevista no comando da Juventus, disse que quer a volta do entusiasmo, um futebol proativo, com grande domínio de jogo e sempre com o objetivo de vencer, um monte de generalidades às quais Messi certamente ajudaria. Acrescentou que disse aos rapazes que quer a manutenção da posse de bola e uma rápida recuperação quando ela for perdida, o que também não brilha pela especificidade. De qualquer modo, como Guardiola descobriu, não é nada mal começar uma carreira de técnico podendo contar com Messi.

Em que pé está o projeto? Tudo ou nada. A contratação de Cristiano Ronaldo foi uma tentativa de aproveitar os últimos anos em alto nível do português para conquistar a Champions League, o título que falta à Juventus nesta década de domínio na Itália. Meio que um Hail Mary – quando o quarterback joga a bola para o alto nos últimos segundos de um jogo de futebol americano e reza para que ela caia nas mãos de um companheiro – porque desajustou as contas e obrigou todos os treinadores a armarem o time em torno do português. Acrescentar Messi ao molho seria dobrar essa aposta.

Como jogaria? Primeiro que Paulo Dybala entraria em desespero porque, depois de uma temporada em que conseguiu encontrar um bom espaço dentro de campo e foi um dos jogadores mais importantes da Juventus, teria transferido ao seu clube o grande dilema da seleção argentina. Como encaixar Dybala e Messi e, além disso, Cristiano Ronaldo no mesmo time? Praticamente impossível, a menos que você tenha um meio-campo com, sei lá, N’Golo Kanté, Idrissa Gueye e Claude Makélélé, e como o último já se aposentou, melhor buscar uma alternativa. A melhor parece ser um 4-4-1-1, como Ernesto Valverde armava no Barcelona, com Lionel Messi de camisa 10, Ronaldo de centroavante e uma linha de quatro no meio-campo para dar sustentação. Ainda seria um pouco problemático porque Ronaldo morde menos que Suárez – sem trocadilhos.

Alguém que interessaria ao Barcelona? Dybala é a melhor moeda de troca da Juventus e certamente poderia ajudar o Barcelona, mas Pirlo deu indicações de que pretende mantê-lo. A possibilidade real de contar com Messi poderia fazê-lo mudar de ideia. Tirando o argentino, não há muita coisa sobrando, até porque os dois clubes já realizaram uma troca – Arthur por Pjanic. Pensando nas necessidades mais urgentes do Barcelona, talvez Daniele Rugani e/ou Alex Sandro pudessem formar um pacote com Rabiot, que já foi um desejo forte dos catalães quando estava saindo do PSG. Chegou até a haver especulações de que estariam dispostos a trocar Griezmann pelo meia, o que deveria ser motivo para demissão por justa causa de quem teve essa ideia.

Manchester United (6.50)  

Fala, Messi, quer jogar no Manchester United? (Foto: PAU BARRENA/AFP via Getty Images/One Football))

Tem dinheiro? Em teoria… sim. É o clube mais rico da liga mais rica do mundo, chegou a ter o maior faturamento da Europa e, no último levantamento da Deloitte, estava atrás apenas de Barcelona e Real Madrid, em € 711,5 milhões. O seu dia de jogo, porém, estava entre os mais relevantes entre os principais candidatos a ter Messi – 17% versus 18% do PSG – e, em € 120,6 milhões em 2018/19, é o mais alto em números brutos. Respirou aliviado ao descobrir que Alexis Sánchez ficará em definitivo na Internazionale porque não precisará pagar os últimos dois anos do vultuoso contrato do chileno. Isso abre certo espaço, mas o último mercado foi de forte investimento, com aproximadamente € 200 milhões gastos em Aaron Wan-Bissaka, Bruno Fernandes e Harry Maguire, parte financiada pela venda de Lukaku à Inter. Há sempre a possibilidade de negociar Paul Pogba, que estava com um pé para fora antes de ter uma boa sequência pós-paralisação. O dinheiro da transferência e o espaço na folha salarial dariam condições aos Red Devils para buscar mais uma grande estrela.

Encaixa com o técnico? Solskjaer quer um time veloz, vertical e que corre o tempo inteiro, então, nesse sentido, não. Messi passou a vida inteira atuando em um estilo mais cadenciado, de domínio e controle, com algumas exceções, nunca correu o tempo inteiro e, agora, corre só de vez em quando. Poderia encaixar servindo como arco para as flechas Marcus Rashford, Anthony Martial e Mason Greenwood, mas exigiria uma adaptação para compensar o seu baixo trabalho defensivo.

Em que pé está o projeto? Bem no começo. Solskjaer encontrou a sua escalação ideal anteontem e ainda passa certa dúvida se é o homem certo para comandar o Manchester United. Teve um bom começo, depois uma sequência ruim e depois outra sequência ruim. Arrancou a partir de janeiro, quando passou a contar com Bruno Fernandes, e explodiu imediatamente depois da paralisação para confirmar vaga na Champions League na última rodada do Campeonato Inglês. O time pareceu sem fôlego na reta final da liga e no mata-mata da Liga Europa, disputado na Alemanha, porque ainda não parece haver muito espaço de manobra quando não está com seus principais meias e atacantes em campo. Há muitos jovens que ainda precisam de desenvolvimento e alguns buracos no elenco, principalmente na defesa e no meio-campo. Mas o desempenho desde junho passou sinais promissores.

Como jogaria? A utopia seria escalar Pogba, Fernandes, Messi, Rashford, Greenwood e Martial todos juntos, mas aí entraria a clássica pergunta: e quem marca? O equilíbrio já é delicado com Pogba e Fernandes no meio-campo ao lado de um volante, como Nemanja Matic ou Scott McTominay, e nenhum deles está acostumado a atuar pelos lados ou teria inclinação a revezar entre os titulares. Messi não tem mais pernas para ser ponta. O palitinho curto acabaria ficando com Greenwood. Solskjaer poderia manter o trio de meio-campo, abrir Rashford e Martial pelas pontas e centralizar Messi como falso 9 com muita liberdade para se movimentar.

Alguém que interessaria ao Barcelona? Tão frequente entre a boataria do Manchester United, Pogba provavelmente seria o sonho do Barcelona, mas, pela diferença de idade, talvez exigisse um investimento extra. Os catalães também adorariam um dos rápidos atacantes dos ingleses. Marcus Rashford seria impossível, mas os Red Devils poderiam topar abrir mão de Martial, por mais que ele tenha dado ótimos sinais nos últimos meses, adoçando o negócio com um zagueiro, como Victor Lindelöf ou Eric Bailly.

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