Texto publicado originalmente na Calciopédia, parceira da Trivela. Para conferir a primeira parte, clique aqui.

Na última segunda, a Calciopédia publicou aqui na Trivela a primeira parte da retrospectiva da Serie A 2019/20, na qual destacou as campanhas dos rebaixados, de algumas decepções e de equipes que mostraram bom futebol, como Parma e Bologna. Após analisarmos a parte de baixo da tabela, chegou a hora de nos dedicarmos às análises dos 10 primeiros colocados do campeonato.

No balanço, avaliamos os surpreendentes Verona e Sassuolo, damos nosso pitacos sobre as campanhas medianas de Napoli e Roma, e também comentamos o grande segundo turno do Milan. E, claro, relembramos como foi a briga pelo scudetto, que envolveu grandes times de Lazio, Atalanta e Inter, além da eneacampeã Juventus. Separe alguns minutos e confira.

Fiorentina

A campanha: 10ª colocação, 49 pontos. 12 vitórias, 13 empates e 13 derrotas.
No primeiro turno: 14ª posição, 21 pontos.
Ataque e defesa: 51 gols marcados e 48 sofridos
Time-base: Dragowski; Milenkovic, Pezzella, Cáceres; Lirola, Badelj (Benassi, Ghezzal, Duncan), Pulgar, Castrovilli, Dalbert; Chiesa, Ribéry (Vlahovic, Cutrone).
Artilheiros: Federico Chiesa (10 gols), Erick Pulgar (7) e Dusan Vlahovic (6)
Garçom: Federico Chiesa (6 assistências)
Técnicos: Vincenzo Montella (até a 17ª rodada) e Giuseppe Iachini (desde então)
Os destaques: Gaetano Castrovilli, Franck Ribéry e Bartlomiej Dragowski
A decepção: Milan Badelj
A revelação: Riccardo Sottil
Quem mais jogou: Nikola Milenkovic (37 jogos), Erick Pulgar (37) e Pol Lirola (35)
O sumido: Cyril Théréau
Melhor contratação: Franck Ribéry
Pior contratação: Pedro

O primeiro ano da gestão do presidente Commisso não saiu bem como o planejado. A Fiorentina manteve o cobiçado Chiesa e teve atuação de peso em duas janelas de transferências, nas quais contratou quase um time titular inteiro. Apesar disso, passou a maior parte do campeonato na parte de baixo da tabela, somou apenas oito pontos a mais do que na temporada anterior e só na última rodada conseguiu entrar no grupo dos 10 primeiros colocados. Nunca chegou perto de sequer sonhar com uma vaga na Liga Europa, o que parecia possível quando o elenco foi montado.

O principal motivo para o destino gigliato foi o fraquíssimo desempenho no segundo semestre de 2019, quando Montella era o comandante. Outros fatores colaboraram para que a equipe toscana tivesse dificuldade de manter a regularidade: a lesão de Ribéry, o problema de adaptação de Pedro, as lentas adaptações de Pulgar e Cutrone… e, sobretudo, o ano pouco incisivo de Chiesa. O grande nome da viola teve seus números inflados por boas atuações esporádicas e participações em goleadas, mas teve uma temporada de futebol muito inferior ao que pode produzir. Mesmo com tantos problemas, o time de Florença fez a nona melhor campanha do returno e, quando se acreditava que o clube buscaria um técnico de renome, Iachini teve sua permanência confirmada para 2020-21.

Verona

A campanha: 9ª colocação, 49 pontos. 12 vitórias, 13 empates e 13 derrotas.
No primeiro turno: 9ª posição, 26 pontos.
Ataque e defesa: 47 gols marcados e 51 sofridos
Time-base: Silvestri; Rrahmani, Günter, Kumbulla; Faraoni, Amrabat, Miguel Veloso, Lazovic; Pessina, Zaccagni (Verre); Di Carmine (Borini, Salcedo, Stepinski).
Artilheiros: Samuel Di Carmine (8 gols), Matteo Pessina (7) e Davide Faraoni (5)
Garçom: Darko Lazovic (7 assistências)
Técnico: Ivan Juric
Os destaques: Miguel Veloso, Sofyan Amrabat e Marash Kumbulla
A decepção: Claud Adjapong
A revelação: Marash Kumbulla
Quem mais jogou: Darko Lazovic (38 jogos), Amir Rrahmani e Davide Faraoni (36)
O sumido: Salvatore Bocchetti
Melhor contratação: Sofyan Amrabat
Pior contratação: Koray Günter

Sem dúvidas, o Verona foi o time que mais surpreendeu em 2019-20, por ter conseguido se superar e obter um resultado muito além de suas expectativas e do próprio valor do elenco, repleto de refugos de outras equipes e jogadores pouco experientes, comandados por um treinador de escassos resultados na carreira. Esse contexto justificava o fato de os butei terem a menor folha salarial da categoria, com 25 milhões de euros anuais: para efeito de comparação, Cristiano Ronaldo recebe 31 por temporada.

O Hellas parecia destinado a passar todo o certame na zona de rebaixamento, mas Juric foi capaz de montar uma forte defesa mesmo com a presença dos fraquíssimos Günter e Dawidowicz. Os excelentes números da retaguarda gialloblù (que chegou a ser uma das cinco melhores do país) duraram até o lockdown, quando o time já estava virtualmente assegurado na próxima edição da Serie A. Depois da retomada do campeonato, o nível de atuação dos mastini caiu um pouco e prejudicou a corrida por uma vaga na Liga Europa. Mesmo assim, Silvestri, Rrahmani e Kumbulla continuaram bem do ponto de vista individual, auxiliados pelo incansável Amrabat e pelo equilibrado Miguel Veloso, e o quinteto terminou a competição como destaques em suas respectivas funções.

Sassuolo

A campanha: 8ª colocação, 51 pontos. 14 vitórias, 9 empates e 15 derrotas.
No primeiro turno: 15ª posição, 19 pontos.
Ataque e defesa: 69 gols marcados e 63 sofridos
Time-base: Consigli; Toljan (Müldür), Marlon (Romagna), Ferrari (Peluso), Kyriakopoulos (Rogério); Obiang (Magnanelli), Locatelli; Berardi, Djuricic (Traorè), Boga; Caputo.
Artilheiros: Francesco Caputo (21 gols), Domenico Berardi (14) e Jérémie Boga (11)
Garçom: Domenico Berardi (8 assistências)
Técnico: Roberto De Zerbi
Os destaques: Domenico Berardi, Jérémie Boga e Francesco Caputo
A decepção: Marlon
A revelação: Giacomo Raspadori
Quem mais jogou: Francesco Caputo (36 jogos), Jérémie Boga (34) e Manuel Locatelli (33)
O sumido: Giangiacomo Magnani
Melhor contratação: Francesco Caputo
Pior contratação: Vlad Chiriches

Como era de se esperar, o Sassuolo alegrou a Serie A. Com intensidade, velocidade e seu arsenal de ofensiva, a equipe treinada por De Zerbi mostrou um ótimo futebol desde as primeiras rodadas, mas só no segundo turno melhorou o seu aproveitamento: conquistou 32 pontos no período e se permitiu flertar com uma vaga na Liga Europa. No mesmo intervalo de tempo, os neroverdi marcaram 39 gols e conseguiram terminar a competição com o sexto melhor ataque, atrás apenas dos cinco primeiros colocados. Tudo isso com a sétima menor folha salarial da categoria.

A boa montagem do elenco, feita pelo diretor Carnevali, ajudou De Zerbi a colocar em prática os seus conceitos com mais facilidade. Como o Sassuolo promove um futebol vertical, agressivo, de muita pressão e posse de bola, é fundamental manter a intensidade em alta, o que sugere uma rotação frequente das peças – o que o técnico teve condições de fazer, por contar com um grupo competitivo e equilibrado à disposição. Apenas quatro jogadores tiveram lugar quase cativo no onze inicial e, logicamente, os mais badalados eram Berardi, Boga e Caputo, componentes do explosivo trio de frente que chamou a atenção e recebeu merecidos elogios pelo desempenho em 2019-20. O outro foi o ex-milanista Locatelli, que teve a melhor temporada da carreira no posto de maestro do jogo emiliano.

Napoli

A campanha: 7ª colocação, 62 pontos. 18 vitórias, 8 empates e 12 derrotas. Classificado para a Liga Europa.
No primeiro turno: 11ª posição, 24 pontos.
Ataque e defesa: 61 gols marcados e 50 sofridos
Time-base: Meret (Ospina); Di Lorenzo, Manolas (Maksimovic), Koulibaly, Mário Rui (Hysaj); Ruiz, Allan (Elmas, Demme), Zielinski; Callejón, Milik (Mertens, Lozano), Insigne.
Artilheiros: Arkadiusz Milik (11 gols), Dries Mertens (9) e Lorenzo Insigne (8)
Garçom: José Callejón (7 assistências)
Técnicos: Carlo Ancelotti (até a 15ª rodada) e Gennaro Gattuso (desde então)
Os destaques: Fabián Ruiz, Lorenzo Insigne e Dries Mertens
A decepção: Hirving Lozano
A revelação: Gianluca Gaetano
Quem mais jogou: Lorenzo Insigne e Piotr Zielinski (ambos com 37 jogos)
O sumido: Amin Younes
Melhor contratação: Giovanni Di Lorenzo
Pior contratação: Hirving Lozano

No Napoli de 2019-20, a criatura se saiu melhor do que o criador. A primeira parte da campanha foi marcada por atritos entre o elenco, Ancelotti e a direção – e até mesmo por um motim dos atletas. Além disso, os azzurri jogavam preguiçosamente, tinham dificuldade de concretizar chances de gol e reforços caros, como Manolas e Lozano, não vingaram. Pupilo de Carletto no Milan, Gattuso chegou para consertar a bagunça e construiu um cenário mais positivo.

Embora Rino não tenha conseguido salvar a temporada com a conquista de uma vaga na próxima Champions League, foi capaz de amenizar a situação com o título da Coppa Italia, a classificação para a Liga Europa e o terceiro melhor desempenho do returno do Italiano, com 38 pontos somados. Por isso, mesmo que os partenopei tenham ficado fora do top 6 pela primeira vez desde 2009, o ex-volante rossonero teve seu contrato renovado. Renovação, aliás, é a palavra da vez em Fuorigrotta: pilares do elenco, como Koulibaly, Allan, Callejón e Milik podem dar o adeus nesse verão. O capitão Insigne e o artilheiro Mertens, que em 2019-20 superou Maradona e Hamsík para se tornar o maior goleador do clube, devem comandar o novo momento, ao lado de Ruiz e Zielinski.

Milan

A campanha: 6ª colocação, 66 pontos. 19 vitórias, 9 empates e 10 derrotas. Classificado para a Liga Europa.
No primeiro turno: 10ª posição, 25 pontos.
Ataque e defesa: 63 gols marcados e 46 sofridos
Time-base: Donnarumma; Conti (Calabria), Musacchio (Kjaer), Romagnoli, Hernandez; Kessié, Bennacer; Castillejo (Suso), Çalhanoglu, Rebic (Bonaventura, Lucas Paquetá); Ibrahimovic (Rafael Leão, Piatek).
Artilheiros: Ante Rebic (11 gols), Zlatan Ibrahimovic (10) e Hakan Çalhanoglu (9)
Garçom: Hakan Çalhanoglu (8 assistências)
Técnicos: Marco Giampaolo (até a 7ª rodada) e Stefano Pioli (desde então)
Os destaques: Gianluigi Donnarumma, Hakan Çalhanoglu e Ismaël Bennacer
A decepção: Lucas Paquetá
A revelação: Matteo Gabbia
Quem mais jogou: Gianluigi Donnarumma (36 jogos), Alessio Romagnoli, Franck Kessié e Hakan Çalhanoglu (35)
O sumido: Léo Duarte
Melhor contratação: Ismaël Bennacer
Pior contratação: Rade Krunic

Agora vai? Parece que o Milan finalmente montou uma base competitiva e forte o suficiente para honrar a gloriosa história do clube. Pioli assumiu um elenco montado por outro técnico e demorou um pouco para poder corrigir os erros de Giampaolo e dar sua identidade ao time – tendo, inclusive, a liberdade de fazer alterações no grupo. Dessa forma, os rossoneri tiveram um returno primoroso e tiveram a segunda melhor campanha do período, com 41 pontos somados. Além disso, garantiram vaga na Liga Europa e praticaram o melhor futebol no pós-lockdown, o que impulsionou a diretoria a manter a confiança no trabalho do treinador.

A transformação do Diavolo só foi possível porque Ibrahimovic voltou para Milão e porque Rebic foi adicionado aos mecanismos dos rossoneri, consolidando-se como improvável goleador. Porém, outras peças tiveram um impressionante crescimento em suas performances: Kessié e Bennacer foram dominantes como articuladores recuados da equipe, enquanto Çalhanoglu mostrou seu melhor futebol desde 2014-15, quando ainda defendia o Bayer Leverkusen. Tal incremento contribuiu para que a excelente fase de Hernandez garantisse resultados concretos e para que os contínuos esforços de Romagnoli e Donnarumma, pilares do time, não continuassem sendo em vão. Todos os jogadores citados concluíram a temporada como destaques em suas funções e não há como negar: a chama da esperança por tempos melhores está acesa no lado rubro-negro da capital da Lombardia.

Roma

A campanha: 5ª colocação, 70 pontos. 21 vitórias, 7 empates e 10 derrotas. Classificada para a Liga Europa.
No primeiro turno: 5ª posição, 35 pontos.
Ataque e defesa: 77 gols marcados e 51 sofridos
Time-base: Pau López; Mancini, Smalling, Kolarov; Bruno Peres (Florenzi), Cristante (Diawara), Veretout, Spinazzola (Fazio); Mkhitaryan (Zaniolo), Pellegrini (Kluivert); Dzeko.
Artilheiros: Edin Dzeko (16 gols), Henrikh Mkhitaryan (9) e Aleksandar Kolarov (7)
Garçom: Lorenzo Pellegrini (9 assistências)
Técnico: Paulo Fonseca
Os destaques: Edin Dzeko, Lorenzo Pellegrini e Chris Smalling
A decepção: Javier Pastore
A revelação: Riccardo Calafiori
Quem mais jogou: Edin Dzeko (35 jogos) e Jordan Veretout (33)
O sumido: Juan Jesus
Melhor contratação: Chris Smalling
Pior contratação: Davide Zappacosta

O último ano da administração de Pallotta terminou e os torcedores se veem aliviados. A crise interna que assolou a gestão e uma grande quantidade de lesões no elenco quase anularam o ótimo primeiro turno giallorosso, marcado por triunfos e bom futebol ante Sassuolo, Milan, Napoli e Fiorentina. A partir da chegada de 2020, a Loba entrou em parafuso e não conseguiu mais vencer seus principais concorrentes: dentre os times que se encontravam na parte superior da tabela, só foi capaz de bater Parma e Verona, históricos fregueses, além de uma Juventus repleta de garotos na última rodada.

A resposta de Paulo Fonseca foi à altura da necessidade e incluiu frequentes alterações de esquema e de peças, além da improvisação de jogadores – a exemplo de Cristante e Kolarov como zagueiros – e da recuperação de nomes contestados, como Bruno Peres, Smalling e Mkhitaryan. Se não conseguiu dar fôlego para que a equipe capitolina se mantivesse na luta por Champions League, ao menos o português a conduziu a uma tranquila classificação à Liga Europa. Para isso, contou com ótimas atuações de Zaniolo e de seus três grandes organizadores de jogo: Veretout e Pellegrini, no meio-campo, e um Dzeko cada vez mais confortável no posto de “regista avançado”, no qual cria e conclui com a mesma categoria. A nova Roma dos Friedkin precisará do capitão bósnio como lastro do projeto.

Lazio

A campanha: 4ª colocação, 78 pontos. 24 vitórias, 6 empates e 8 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 3ª posição, 43 pontos.
Ataque e defesa: 79 gols marcados (o terceiro melhor) e 42 sofridos (a terceira melhor)
Time-base: Strakosha; Luiz Felipe (Patric), Acerbi, Radu; Lazzari, Milinkovic-Savic, Lucas Leiva (Parolo), Luis Alberto, Jony (Lulic); Correa (Caicedo), Immobile.
Artilheiros: Ciro Immobile (36 gols), Felipe Caicedo e Joaquín Correa (ambos com 9)
Garçom: Luis Alberto (15 assistências)
Técnico: Simone Inzaghi
Os destaques: Ciro Immobile, Luis Alberto e Sergej Milinkovic-Savic
A decepção: Denis Vavro
A revelação: Bobby Adekanye
Quem mais jogou: Thomas Strakosha (38 jogos), Sergej Milinkovic-Savic e Ciro Immobile (ambos com 37)
O sumido: Denis Vavro
Melhor contratação: Manuel Lazzari
Pior contratação: Denis Vavro

Finalmente, Champions League! A Lazio deixou para trás um 2018-19 em que apresentou sensível queda de rendimento para acionar o turbo, ser uma das grandes equipes italianas nesta temporada e voltar ao principal torneio de clubes do continente após 12 anos de ausência. Durante boa parte de sua campanha, o time da capital chegou a brigar fortemente pelo título e, não fosse a pandemia, poderia ter até se sagrado vitoriosa na luta pelo scudetto. Quando o campeonato parou, os celestes ocupavam a segunda posição, apenas um ponto atrás da Juventus. Só que, na retomada da Serie A, a Lazio não conseguiu manter o nível apresentado entre novembro e março: acabou ficando apenas com o quinto melhor desempenho no returno, ao lado da própria Juve.

O cobertor curto foi preponderante para o destino laziale. Num cenário em que pouco podia rodar o elenco, Inzaghi contou com seus pilares sempre em campo e eles acabaram sendo o diferencial. Após uma campanha em baixa – que parecia prenunciar o fim de ciclo do treinador –, Immobile, Luis Alberto e Milinkovic-Savic recuperaram o futebol de 2017-18 e comandaram os celestes. O espanhol e o italiano, inclusive, atingiram os números mais expressivos de suas carreiras: enquanto o meia foi líder de assistências da Serie A, com 15 passes para gol, o artilheiro igualou o recorde de tentos numa mesma edição do campeonato (pertencente a Higuaín) e foi o Chuteira de Ouro da Europa. Além do trio decisivo, a Lazio continuou com Acerbi e Strakosha em alta e viu um dos reforços ser fundamental: trem de alta velocidade pela ala direita, Lazzari deu mais opções ao ataque por oferecer amplitude, ultrapassagens e jogadas de linha de fundo.

Atalanta

A campanha: 3ª colocação, 79 pontos. 23 vitórias, 9 empates e 6 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 4ª posição, 35 pontos.
Ataque e defesa: 98 gols marcados (o melhor) e 48 sofridos
Time-base: Gollini; Rafael Toloi, Palomino, Djimsiti; Hateboer (Castagne), De Roon, Freuler, Gosens; Pasalic (Ilicic, Malinovskyi); Zapata (Muriel), Gómez.
Artilheiros: Duván Zapata (18 gols), Luis Muriel (18) e Josip Ilicic (15)
Garçom: Alejandro Gómez (14 assistências)
Técnico: Gian Piero Gasperini
Os destaques: Alejandro Gómez, Josip Ilicic e Duván Zapata
A decepção: Guilherme Arana
A revelação: Amad Traorè
Quem mais jogou: Alejandro Gómez (36 jogos), Marten De Roon e Mario Pasalic (ambos com 35)
O sumido: Guilherme Arana
Melhor contratação: Luis Muriel
Pior contratação: Guilherme Arana

A equipe que mais divertiu e impressionou a Itália nesta temporada ficou “apenas” com a terceira colocação. As aspas estão devidamente empregadas porque, para a modesta Atalanta, ter concluído a Serie A na mesma posição de 2018-19 (a melhor da história orobica) e com 10 pontos a mais é um feito e tanto. Ter chegado a sonhar com o scudetto e ficado a minutos das semifinais da Champions League, em sua estreia na competição, também. O mérito é maior porque o time não fugiu de suas características, e empregou intensidade, posse de bola, velocidade muita, amplitude e um enorme repertório ofensivo: com 98 gols marcados, teve o ataque mais prolífico do campeonato em quase 60 anos. Vale lembrar que a agremiação que conseguiu abalar tantos paradigmas tem a oitava menor folha salarial da elite italiana, com gastos de 36 milhões de euros anuais.

O sucesso da Atalanta acontece exatamente num ano muito triste para a província de Bérgamo, uma das mais afetadas pela covid-19 na Itália. A excelente forma dos nerazzurri – que foram “campeões” do returno, com 43 pontos conquistados – atuou como um pequeno alento para os bergamascos: aplacou as dores dos cidadãos, que puderam desfrutar das estratégias ousadas de Gasperini; da genialidade de Gómez e Ilicic; da potência de Hateboer, Gosens e Malinovskyi; da dinâmica de Freuler, De Roon e Pasalic; dos gols de Zapata e Muriel; da liderança de Rafael Toloi. A fórmula vitoriosa da Dea, que lhe proporcionou seis vitórias por quatro ou mais gols de diferença – e placares como 7 a 0, 7 a 1 e 7 a 2 – irá perdurar em 2020-21 e ainda deve ganhar o reforço de ótimos pratas da casa revelados pelo notável setor juvenil nerazzurro.

Inter

A campanha: 2ª colocação, 82 pontos. 24 vitórias, 10 empates e 4 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 2ª posição, 46 pontos.
Ataque e defesa: 81 gols marcados (o segundo melhor) e 36 sofridos (a melhor)
Time-base: Handanovic; Skriniar, De Vrij, Bastoni (Godín, D’Ambrosio); Candreva, Gagliardini (Vecino, Borja Valero), Brozovic, Barella (Eriksen, Sensi), Biraghi (Young); Lukaku, Martínez (Sánchez).
Artilheiros: Romelu Lukaku (23 gols), Lautaro Martínez (14) e Antonio Candreva (5)
Garçom: Alexis Sánchez (8 assistências)
Técnico: Antonio Conte
Os destaques: Romelu Lukaku, Lautaro Martínez e Stefan De Vrij
A decepção: Kwadwo Asamoah
A revelação: Sebastiano Esposito
Quem mais jogou: Romelu Lukaku (36 jogos), Lautaro Martínez e Samir Handanovic (ambos com 35)
O sumido: Valentino Lazaro
Melhor contratação: Romelu Lukaku
Pior contratação: Valentino Lazaro

O futebol pouco convincente da Juventus deixou a impressão de que a Inter poderia ter sido campeã italiana, não fossem tropeços bobos. A equipe de Conte teve o segundo melhor ataque e a melhor defesa, foi a que menos perdeu na Serie A e teve o seu melhor resultado desde 2011, somando tantos pontos quanto na histórica temporada da Tríplice Coroa. Mesmo assim, ficou com o vice – o que enfureceu o comandante, como ficou claro por sua entrevista após a última rodada. Ainda que o sentimento seja de oportunidade perdida, os interistas não devem jogar o bebê fora junto com a água do banho: 2019-20 foi um passo importante para que o clube volte aos seus melhores momentos em solo nacional e continental.

Durante a temporada, a Inter teve algumas constantes: o padrão de jogo definido, a solidez de De Vrij, o poder de organização de Brozovic, o dinamismo de Barella e os gols de Lukaku, coadjuvado por um Lautaro bastante solidário. De resto, Conte precisou lidar com o cobertor curto no meio-campo e no ataque em parte considerável da campanha, por conta de lesões como as de Sensi e Sánchez. O técnico precisou também absorver as críticas pela baixa utilização de Eriksen e encarar que Godín e Skriniar, pouco acostumados a uma linha de três, teriam de se revezar para que, com Bastoni em campo, a defesa funcionasse melhor – ainda que o uruguaio e o eslovaco tenham crescido na reta final. No geral, o apuliano contou com adoção total dos atletas à sua filosofia de jogo e manteve o vestiário sob controle, algo que vinha faltando em seus últimos anos como treinador. Na próxima Serie A, com um elenco reforçado em alguns setores e trabalho mais amadurecido, a tendência é que a Beneamata seja ainda mais competitiva.

Juventus

A campanha: campeã, 83 pontos. 26 vitórias, 5 empates e 7 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 1ª posição, 48 pontos.
Ataque e defesa: 76 gols marcados e 43 sofridos (a terceira melhor)
Time-base: Szczesny; Cuadrado, De Ligt, Bonucci, Alex Sandro; Bentancur, Pjanic, Matuidi (Rabiot); Dybala, Higuaín (Bernardeschi), Ronaldo.
Artilheiros: Cristiano Ronaldo (31 gols), Paulo Dybala (11) e Gonzalo Higuaín (8)
Garçons: Rodrigo Bentancur e Paulo Dybala (7 assistências)
Técnico: Maurizio Sarri
Os destaques: Cristiano Ronaldo, Paulo Dybala e Wojciech Szczesny
A decepção: Alex Sandro
A revelação: Luca Zanimacchia
Quem mais jogou: Leonardo Bonucci e Blaise Matuidi (ambos com 35 jogos)
O sumido: Giorgio Chiellini
Melhor contratação: Merih Demiral
Pior contratação: Danilo

A Juventus de 2019-20 foi eneacampeã italiana e, ao mesmo tempo, teve (de longe) a pior campanha da sequência de títulos. A Velha Senhora teve sua menor pontuação na série e ficou apenas com o quinto melhor ataque da competição e a terceira melhor defesa – que foi a pior dos bianconeri em seus nove anos de glória. Tudo isso sem contar a precoce eliminação nas oitavas de final da Champions League (cujo título era o objetivo principal) e o futebol previsível e moroso, salvo apenas por lapsos de genialidade dos decisivos Dybala e Ronaldo. Não fosse a dupla Dybaldo e as defesas do regular Szczesny, Sarri poderia ter colecionado uma lista de razões ainda mais fortes para sua já consumada demissão.

Após um ano em que poucos foram questionados e no qual o título nacional só serviu de consolo, até mesmo alguns dos destaques do time não contam com a permanência assegurada para 2020-21 – temporada que deve ser marcada por uma reformulação comandada pela batuta do maestro Pirlo. À espera das decisões do novo técnico e da diretoria quanto a veteranos e jogadores mais valorizados, se sabe que a base da Vecchia Signora terá o já citado Szczesny e os zagueiros De Ligt e Demiral, que têm grande margem de crescimento: o holandês errou bastante no início da campanha, mas passou por um percurso evolutivo natural e terminou a campanha em alta; o turco foi fundamental ao elenco até se machucar seriamente. Além dos garotos, Bentancur se mostrou cada vez mais importante para a gigante de Turim e é outro “senador” em formação.