O Atlético de Madrid tem um dos técnicos mais longevos do futebol de alto nível que se tem notícia. Diego Simeone está no cargo desde 2011 e é indiscutível que o clube mudou de patamar nesse período. Foram duas finais de Champions League, um título de La Liga, uma Copa do Rei e duas Liga Europa. Se o futebol é baseado em resultados, o que ele conseguiu pelos Colchoneros é algo considerável. Algo corroborado pela visão de Enrique Cerezo, presidente do Atlético de Madrid.

O estilo de jogo de Simeone, normalmente muito mais defensivo, já gerou muito questionamento, especialmente nos momentos em que o clube é derrotado. Até porque o time mudou de patamar e passou a ter muito mais recursos, mais dinheiro e fazer contratações caras, como foi a de João Félix, de € 120 milhões. Os questionamentos, porém, passam longe de Cerezo. Ao menos, enquanto os resultados aparecem.

“É um magnífico treinador que nos deu triunfos e títulos constantemente. Ele joga como quer e como os resultados são magníficos, não vamos discutir. Na Espanha, o que acontece é que não há costume de ter um treinador oito anos, e ele fica”, disse o presidente.

Quando perguntado, o presidente do Atlético não tem dúvida sobre o grande sonho do clube. “É o grande sonho. Em uma temporada anormal como tem sido esta, seria magnífico acabar La Liga entre os três primeiros e ganhar a Champions”, diz o dirigente.

Como adversário nas quartas de final, o Atlético terá pela frente o RB Leipzig, que eliminou o Tottenham na fase oitavas de final. “Sigo pensando que o Leipzig é uma equipe para se ter em conta, apesar de alguns jornalistas dizerem que é fácil. Não podemos menosprezar o inimigo, a partida da temporada é a seguinte, não é a anterior”, analisou Cerezo.

“Eu pensei que em Milão [final da Champions em 2016], íamos ganhar, mas perdemos nos pênaltis. Em Lisboa [a outra final da Champions, em 2014] aconteceu o que aconteceu nos acréscimos e na primeira final também foi no último minuto… Já passamos tudo que tínhamos que passar”, continuou.

O principal reforço do time para a temporada foi João Félix, contratado por € 120 milhões. “É um grandíssimo jogador com apenas 20 anos. Temos que esperar o desenvolvimento, não é por valer € 120 milhões que isso garante ganhar troféus no dia seguinte”, opinou o dirigente.

Sobre possíveis reforços para a próxima temporada, o presidente deixou em aberto. “Temos um plantel excelente e jovem. No entanto, se o treinador considerar que algo está faltando, tentaremos trazer o que temos ao nosso alcance porque foi uma temporada complicada economicamente. E menos mal que se pode jogar o que restou da liga, se não teria sido uma catástrofe”, revelou.

Perguntado sobre dois nomes especificamente, Cerezo foi bastante firme nas respostas. “Não acredito que James Rodríguez entre nos planos do Atlético de Madrid”, declarou, sobre o colombiano do Real Madrid. “Com Oblak, temos contrato e, apesar do interesse das maiores equipes do mundo, não acreditamos que haja um problema”.

O dirigente se mostrou contrário ao VAR. “Eu sempre disse que eu não gosto porque prejudica a essência do futebol. Além disso, também comete grandes erros e agora temos que nos preocupar, em vez de apenas com o árbitro, também com o VAR que está na tela”, disse o dirigente.

Enrique Cerezo não parece muito diferente dos dirigentes que nos acostumamos a ver no Brasil. Com uma diferença: de fato, ele mantém o técnico muito mais tempo do que o que é esperado na Espanha. Mesmo nos insucessos, que não são poucos, ele parece acreditar muito em Simeone. Mesmo que os questionamentos sobre o seu estilo de jogo seja grande em alguns momentos. De qualquer forma, o saldo sem dúvida é positivo. Resta saber até quando irá durar essa relação entre o clube e o técnico.