Portugal

Vamos todos juntos?

É claro que não foi feito um “pacto” entre Porto, Benfica, Sporting e Braga, que nesta quinta-feira vão estrear nos 16 avos de final da Liga Europa. Mas é fato que, no fundo, todos estarão torcendo um pouco para que os rivais também avancem na competição. O motivo: a possibilidade de Portugal reaver uma vaga na Liga dos Campeões, a partir dos coeficientes da UEFA. Explica-se: o país ocupa, atualmente o sexto lugar do ranking de ligas europeias, tendo pulado três posições em relação a 2009/10 e ultrapassado os dois principais rivais do momento: Rússia e Ucrânia.

A situação poderia estar mais confortável, caso Benfica e Braga (ou pelo menos um dos dois) tivessem avançado às oitavas de final da Liga dos Campeões. Primeiro, porque a isso renderia cinco pontos “bônus” por clube “sobrevivente” na LC. Segundo, pelo fato de a classificação às quartas render mais um pontinho importante ao coeficiente. E terceiro: dos rivais, a Ucrânia ainda segue com um time na Liga dos Campeões: o Shakthar Donetsk, que venceu a Roma fora de casa e deve obter esse ponto extra aos ucranianos. O que não deixa de ser uma pressão aos portugueses.

Mas nem tudo é pesadelo. Embora o Shakthar possa seguir às quartas da LC, não é uma equipe que deverá brigar pelo título. Por sua vez, Portugal tem dois clubes com reais chances na Liga Europa: Porto e Benfica. Outro ponto: entre Metalist Kharkiv (que enfrenta o Bayer Leverkusen) e Dynamo Kiev (que encara o Besiktas), sobreviventes na Liga Europa, a tendência é que somente um ucraniano avance (o Dynamo Kiev). Já dentre os portugueses, além de Águias e Dragões, o Braga desponta com favoritismo ante o Lech Poznan, enquanto Sporting e Rangers fazem um confronto sem favoritos.

Paralelamente, porém, há o embate com a Rússia, rival mais próxima atualmente de Portugal na briga dos coeficientes. E aí, a disputa fica mais acirrada, já que Zenit, Rubin Kazan e CSKA Moscou encaram adversários acessíveis (Young Boys, Twente e PAOK, respectivamente) e também devem se classificar, acirrando a rivalidade pela sexta posição no ranking da UEFA. Principalmente se CSKA e Porto passarem de fase, visto que, pelo chaveamento da competição, o embate será entre russos e portugueses. Especialmente tendo em vista que os pontos “bônus”, na Liga Europa, só são dados aos classificados às semifinais.

As chances

Recém-eliminados da Liga dos Campeões, Benfica e, curiosamente, Braga, vêm com um favoritismo até bem razoável. Os Encarnados enfrentam o Sttutgart, e apesar da tradição do rival e do fato de o Benfica nunca ter vencido em solo alemão, o favoritismo benfiquista é grande. Na Liga Zon Sagres, o time de Jorge Jesus evoluiu a olhos vistos. O meio-campo argentino, com Aimar e, em especial Salvio e Gaitán — quando se deixou de querer que estes “imitassem” Di Maria e Ramires —, vem sendo importante válvula na reação do Benfica, que já soma 13 vitórias seguidas, desde a derrota para o Schalke 04.

Há de se destacar, ainda, alguns pontos. Na temporada passada, embora a equipe tivesse até mais potencial técnico que na atual, as Águias chegaram às quartas de final. No entanto, tratava-se de um time que não conseguiu manter o foco em duas competições, e acabou priorizando o campeonato nacional. Dessa vez, a tendência é de que, conforme as coisas andarem (leia-se Porto seguir sem perder em Portugal e encaminhar o título que parece encaminhado), Jorge Jesus dirija as atenções de seu time para a própria Liga Europa. Não será de se estranhar o Benfica despontar como favorito ao caneco.

O Braga, por sua vez, é favorito mais pelo que se viu na Liga dos Campeões do que pelo atual momento. Os bracarenses ainda não voltaram bem da LC e somam atuações irregulares em Portugal. O time ainda não assimilou a saída do atacante Matheus, e pena com as constantes lesões de atletas na temporada. Basta dizer que, para encarar o Lech, Vandinho, titular absoluto na volância, e Paulão, que vem substituindo Moisés — também vendido —, estão fora, e Domingos Paciência precisou recrutar temporariamente seis jogadores que estavam cedidos ao Vizela, por mais estranho que pareça.

O problema é que os minhotos não souberam, até agora, assimilar um cenário de maior influência. Em Portugal, com a responsabilidade de serem os atuais vice-campeões, encontram dificuldades nas partidas, estando mais bem marcados e sem elementos individuais para mudar uma partida. Enquanto isso, na LC, a equipe mostrava mais confiança em si, visivelmente empurrada pela lógica do “o que vier é lucro”. Agora, não será mais assim. O Braga é favorito e, no mínimo, espera-se que avance para as oitavas. Qualquer outro resultado dificilmente não causará algum tremor na “lua-de-mel” bracarense.

O Porto também é favorito, mas numa escala menor, visto que pega a equipe tecnicamente mais bem preparada dentre os rivais portugueses, o Sevilla. Apesar disso, a perspectiva portista é melhor. O time faz a melhor campanha nacional dentre os times europeus e tem um dos elencos tecnicamente mais bem avaliados da Liga Europa. Além disso, os Dragões têm um grande trunfo: a volta de Falcão. A ausência do colombiano obrigou André Villas-Boas a mandar Hulk atuar como um “9”. O resultado até não foi ruim, mas visivelmente, sem Hulk pelas pontas, o Porto encontrou mais dificuldades de chegar ao gol.

Se a mística entrar em campo, o Porto também tem bons motivos para confiar. Afinal, em 2003, foi no mesmo Sanchez-Pijuan que o time, então comandado por José Mourinho, conquistou a “antecessora” da Liga Europa, a Copa da UEFA. Mais: na temporada seguinte, foi a vez dos Dragões levantarem a Liga dos Campeões e o Mundial de Clubes, contra o Once Caldas. Villas-Boas, aliás, está bem a par dessas situações, já que fora auxiliar de Mourinho quando este esteve no Porto. A torcida portista é que o filme se repita com Villas-Boas.

E o Sporting? Está aí uma incógnita até maior do que o Braga. Afinal, se os minhotos têm um rival que, em tese, não oferece grandes riscos, de outro, os Leões encaram o sempre complicado Rangers, vivendo um momento de indefinições. Ainda não se sabe quem será o novo presidente do clube, nem qual o destino que terá Paulo Sérgio, irregular técnico da equipe. Para complicar, na última semana, após declarações polêmicas, Costinha deixou a direção de futebol do clube, permanecendo apenas José Couceiro, cuja contratação, há alguns meses, foi recheada de dúvidas e críticas. O cenário não é bom.

Não bastasse, a distância para o Benfica, na Liga, só aumenta, e como na temporada passada, a atual já se resume a Liga Europa e Taça da Liga. Além disso, em campo, a ausência de um lesionado Valdés e as “saudades” de Liedson não devem deixar de pesar. Dos clubes portugueses, é quem vive situação europeia de mais risco. Porém, em momento semelhante, na época anterior, o Sporting esboçou uma reação justamente na Liga Europa, despachando o perigoso Everton em Liverpool. Não reagiu mais porque questões internas frearam o time. É um retrospecto ao qual os Leões se apegam.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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