Portugal

Um autêntico presente de grego

Ao final do último amistoso disputado por sua equipe na quarta-feira passada (26 de março), o técnico Luiz Felipe Scolari preferiu relativizar o placar do jogo (Portugal 1 x 2 Grécia, mais uma vez). Segundo o treinador, “Foi um resultado normal”. Para Felipão, apesar de ter perdido a partida, a seleção ganhou mais dois nomes para a Eurocopa -2008 – provavelmente referindo-se às prestações de Carlos Martins e Bruno Ribeiro, que têm sido pouco aproveitados na equipe. Mas a questão de fundo é bem mais complexa: após o Mundial de 2006, o retrospecto dos Tugas é pouco animador.

Se formos levar em conta apenas os confrontos de Portugal com a Grécia na “Era Scolari”, a situação é ainda mais desalentadora. Com Felipão no comando, a seleção lusa atuou quatro vezes contra a equipe helênica e – pasmem – não venceu nenhuma. Foram três derrotas consecutivas (1 a 2 na partida de estréia do Euro-2004; 0 a 1 na finalíssima do torneio; e um novo 1 x 2 no jogo da última semana) e um empate (1 a 1 em amistoso disputado em 2003). As dificuldades que os Tugas têm mostrado contra um adversário sem tradição e cheio de inconstâncias (nem sequer disputou o Mundial de 2006) como a Grécia deveriam ser melhor trabalhadas pelo treinador.

No caso dos amistosos disputados por Portugal após a Copa da Alemanha, o cenário é mais uma vez alarmante: em cinco jogos, três derrotas (além desta última para a Grécia, houve o 2 a 4 para a Dinamarca, em setembro de 2006, e o 1 a 3 para a Itália, em fevereiro deste ano); um empate (1 a 1 com o poderoso Kuwait em junho de 2007) e apenas uma vitória (aqui, contra um adversário de peso: 2 a 1 sobre o Brasil, em fevereiro de 2007). Agora, o treinador dispõe de apenas mais um teste antes da Eurocopa (enfrenta a Geórgia, em amistoso marcado para 31 de maio), a fim de acertar a equipe para o torneio.

Se Portugal tivesse realizado uma ótima campanha nas eliminatórias para a Eurocopa, seria possível maior otimismo por parte da torcida lusa. Mas nem isso pôde ser visto ao longo de 14 jogos, nos quais os Tugas obtiveram sete vitórias, seis empates e uma derrota. O que se destaca, aqui, é que a seleção portuguesa simplesmente não conseguiu vencer nenhum dos principais adversários de sua chave: empatou em casa e também fora com a Sérvia e a Finlândia, que entretanto não obtiveram a classificação; e perdeu fora e empatou em casa com a Polônia – que acabou como líder da chave.

A falta que faz Cristiano Ronaldo e os maus meninos

Scolari até pode alegar que sua seleção atuou contra a Grécia desfalcada de alguns titulares recentes, casos de Bosingwa, Petit, Maniche, Deco e… Cristiano Ronaldo. Assim como ainda não se habituou à ausência de comando em campo após a saída de Luís Figo, Portugal também começa a sofrer de uma indelével dependência de Cristiano Ronaldo. Só para se ter idéia da importância do “Menino Prodígio” para o conjunto da equipe, os Tugas marcaram 24 gols nas últimas eliminatórias da Eurocopa. E Cristiano Ronaldo anotou nada mais nada menos do que 8 gols, ou seja, “apenas” 1/3 de todos os tentos da equipe. Apesar de não ser atacante nato, apontou mais gols do que os três jogadores que aparecem na seqüência (Nuno Gomes e Simão Sabrosa, com três gols, e Hugo Almeida, com dois).

No entanto, há algo que pode tornar-se mais difícil de superar na seleção portuguesa do que as eventuais ausências de Ronaldo: os velhos fantasmas dos conflitos internos e a irreverência “reivindicatória” de alguns atletas. Na concentração da última partida com a Grécia, dois atletas (ainda não identificados pela imprensa lusa) teriam se indignado com o fato de a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ter definido uma diária de 200 euros para o período de realização da Eurocopa. Fica difícil de entender essa insatisfação ao saber-se também que o prêmio pela conquista do torneio será de 300 mil euros para cada atleta – o maior a ser pago pela FPF até hoje.

O mal-estar entre o grupo foi notável, a ponto de Scolari ter sido obrigado a entrar em cena, afirmando que a porta de saída estava aberta para quem se sentisse descontente ao defender a seleção nacional. O problema é que esse comportamento parece atávico no futebol português: na Copa de 1986, depois de vencer a Inglaterra por 1 a 0 na estréia, os jogadores fizeram um motim devido a desacertos com a premiação no Mundial. Resultado: eliminação na primeira fase diante do Marrocos. Na Copa de 2002 e no Euro-2004, a questão do imposto a ser pago pelos atletas voltou a causar desavenças e polêmica.

O que estranha, neste caso, é o fato de que tal discussão tenha sido engendrada antes mesmo de Felipão ter definido os 23 nomes que disputarão a Eurocopa. Numa altura em que os atletas deveriam estar preocupados em garantir seu espaço na seleção, desperdiça-se energia com outras questões. Não é à toa que, em pesquisa feita pelo site Mais Futebol sobre as chances de Portugal no torneio, 35% tenham dito que a equipe de Scolari chegaria à final – contra 30% dos que prevêem que o time não passará nem da primeira fase. Contra adversários do porte de Suíça, Turquia e República Checa, tudo é possível de acontecer com esse grupo, a despeito do gênio de Cristiano Ronaldo.

Golo de Letra

Meu caro ouvinte, venho por este meio comunicar
Que não vale a pena se irritar
A vida é umas férias que a morte nos dá

Hoje tamos aqui, amanhã sabemos lá
Chega de stressar, chega de ouvir o patrão
Vamos é chilar, hoje é noite de verão
Com este calor abrasador ninguém nos pára
Não fiques com essa cara
Aqui agora é tudo bom
Por favor, DJ aumenta mais um pouco esse som

(Trecho da canção “Brilho”, dos Expensive Soul)
 

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Equipe Trivela

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