Portugal

Tão importante como a Liga dos Campeões

No último sábado (22 de março), Sporting e Vitória de Setúbal disputaram, no Estádio do Algarve, a final da Taça da Liga (também conhecida como “Carlsberg Cup”). Na véspera da finalíssima, que foi cercada por uma grande investida de marketing de seu patrocinador, o técnico sportinguista Paulo Bento destacou-se na coletiva de imprensa ao supervalorizar a relevância da competição: “Para mim, tem a mesma importância da Liga dos Campeões”. Para quem não a conhece direito, a Taça da Liga (já existente em outros países da Europa) foi realizada pela primeira vez em Portugal, reunindo as 16 equipes da Liga (1ª divisão) e as outras 16 da Liga de Honra (2ª divisão).

A afirmação passaria despercebida não fossem alguns pormenores: primeiramente, o Sporting nunca disputou uma final da Liga dos Campeões; em segundo lugar, a Taça da Liga foi depreciada por quase todas as equipes da Primeira Divisão, que entraram sem motivação na disputa; por último, a declaração faria sentido se não disfarçasse a má campanha que os Leões cumprem na atual temporada no Campeonato Português (ocupam apenas a quinta colocação e correm o risco de nem se classificarem para a próxima Liga dos Campeões).

Bem, a decisão da Taça da Liga acabou em 0 a 0, placar econômico que refletiu numericamente o descaso com que a competição foi tratada em Portugal. Na decisão por pênaltis, cinco cobranças foram desperdiçadas. Melhor para o Vitória de Setúbal, que se sagrou campeão por 3 a 2, depois que o goleiro Eduardo defendeu três penais. E aqui, faltou o dedo de Paulo Bento, o mesmo que igualou a Taça da Liga à Liga dos Campeões: o técnico simplesmente indicou, como cobradores de pênaltis, o zagueiro Anderson Polga (em três oportunidades anteriores havia marcado apenas um gol) e o atacante Liedson, que foi afastado do time meses atrás justamente porque havia se recusado a treinar cobranças de pênaltis, alegando não ser a sua especialidade.

De todo modo, mesmo que não consiga alcançar ao menos o terceiro lugar do Campeonato (o que lhe daria uma vaga na Pré-eliminatória da próxima Liga dos Campeões), o Sporting tem ainda duas grandes chances de salvar a temporada: superar o Rangers nas quartas-de-final da Taça Uefa e tentar chegar posteriormente à final do torneio, como em 2005; e, algo talvez mais fácil, passar pelo Benfica na semifinal da Taça de Portugal, para disputar a decisão contra o vencedor de Vitória de Setúbal (mais uma vez) x Porto. Resta perguntar a Paulo Bento, caso ele chegue a mais essa decisão, se a Taça de Portugal é tão importante quanto um Mundial.

Grécia e Eurocopa, os pesadelos de Scolari

Na próxima quarta-feira (26 de março), Portugal volta a enfrentar seu mais odioso carrasco, a Grécia, para quem os Tugas perderam por duas vezes na Eurocopa de 2004 (2 a 1 na estréia e 1 a 0 na finalíssima) e empataram em 1 a 1 em amistoso disputado em 2003. A torcida portuguesa não esconde sua decepção e até hoje crucifica o técnico Luiz Felipe Scolari por perder a última Eurocopa em casa para um adversário sem tradição e que sequer obteve vaga para o Mundial de 2006, na Alemanha.

Desta vez, ao menos, o confronto não será em solo lusitano, mas na cidade alemã de Dusseldorf. Felipão faz suas últimas experiências antes da próxima Eurocopa, e a grande surpresa da convocação do técnico foi a volta de Carlos Martins, atualmente no Recreativo Huelva (o jogador fazia belo trabalho no Sporting, de onde só saiu devido a um desentendimento com o técnico Paulo Bento). Outra surpresa foi a ausência do goleiro Quim (Benfica), que deu lugar ao jovem Rui Patrício (Sporting). O “problemático” Simão Sabrosa, ausente da última partida, também está de retorno à seleção.

Scolari sabe que uma nova derrota dos Tugas – após os 3 a 1 sofridos diante da Itália no último amistoso – poderá afetar os ânimos de seu elenco. O próprio treinador, em entrevista publicada no dia 20 de março no site da Uefa, reconhece que Portugal não é um dos favoritos para conquistar a Eurocopa-2008, ao contrário de Alemanha, Itália e França. E, de forma muito política, elogiou a força dos três adversários da primeira fase: a Suíça, porque joga em casa; a Turquia, porque terá o apoio de milhares de emigrantes; e a República Tcheca, mais experiente e mais bem evoluída fisicamente.

Ao final da entrevista, Felipão manteve em aberto a possibilidade de permanecer à frente dos Tugas: “Tal como aconteceu antes, vamos pensar nesse assunto ao longo da prova”, afirmou. Mais uma vez, a Federação Portuguesa comete um equívoco ao condicionar a permanência do treinador aos resultados que ele obtiver ao longo do torneio. O processo de renovação do elenco que começou a ser engendrado após o Mundial de 2006 merecia ter continuidade. Não é fácil para uma seleção sem grandes tradições como Portugal conseguir dar a volta por cima após a aposentadoria de talentos como Figo e Rui Costa (basta ver os maus resultados dos Tugas após a surpreendente campanha obtida pela geração de Eusébio no Mundial de 1966).

Golo de Letra

É o riso, é a lágrima
A expressão incontrolada
Não podia ser de outra maneira
É a sorte, é a sina
Uma mão cheia de nada
E o mundo à cabeceira

Mas nunca
Me esqueci de ti

(Trecho da canção “Nunca me esqueci de ti”, de Rui Veloso)
 

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Equipe Trivela

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