Portugal

Tango encarnado

O Benfica conta com cinco argentinos no elenco. Com exceção de Franco Jara, os demais têm sido mais frequentemente utilizados como titulares. E, principalmente nas últimas partidas, todos estes vêm sendo decisivos para a reação daquela que é a equipe de quem mais se esperava no começo da temporada, e que, após o baque da eliminação precoce da Liga dos Campeões, começa a mostrar as garras. A ascensão encarnada na Liga Zon Sagres, portanto, se dá ao ritmo de tango.

O quarteto argentino vinha devendo, em linhas gerais. Principal nome do grupo sul-americano, o meia Pablo Aimar não conseguia manter uma regularidade, mas ainda assim se mantinha como peça fundamental da equipe. Seu problema, além de nem sempre estar 100% fisicamente apto para as partidas, é o fato de “sumir” dos jogos. Algo, aliás, que já era atentado na temporada passada, mas que, muito pelo desempenho global do time, não se mostrava efetivamente um empecilho.

Aimar, se não brilha como nos áureos tempos de River Plate e Valencia, já volta a aparecer com muito mais efetividade com a camisa vermelha nas últimas partidas, principalmente com a Liga dos Campeões findada. Mais participativo em campo, o meia dá tranquilidade para os avanços de Fábio Coentrão – que passa a necessitar exclusivamente de sua velocidade e habilidade, nem tanto da obrigatoriedade de armar -, e o auxílio dos demais armadores à equipe na chegada ao ataque.

Armadores estes, Nicolas Gaitán e, principalmente, Eduardo Sálvio, que só ganharam com a melhora de Aimar. A dupla começa a fazer o que dela se esperava e que tanto fez falta ao longo da Liga dos Campeões e em partidas decisivas do primeiro turno, atuando com velocidade e abusando do já famoso toque de bola argentino. Na goleada ante o Rio Ave por 5 a 2, na última rodada antes do reveillón, o trio mostrou amadurecimento, e teve sua melhor atuação conjunta na temporada.

Sálvio, que cai à direita, tem jogado mais próximo ao ataque que antes, e, portanto, na região onde se destacou na base Albiceleste. Ponto, aí, para Jorge Jesus, que deixou de ver o argentino como um “substituto” de Ramires, que embora fosse um meia com presença ofensiva, não era exatamente um ponta-direita, e mais um meia que também operava, quando necessário, como volante. É a velha história do “adaptar-se ao grupo que tem”. E a evolução de Sálvio tem parte considerável nisso.

Pela esquerda, por sua vez, Gaitán não chegou a mostrar o mesmo ótimo futebol de Sálvio, mas se beneficiou, no melhor dos sentidos, com o ótimo entrosamento dos compatriotas. Tem conseguido atuações mais seguras e, tal qual Aimar, mostra mais presença nas partidas. Do grupo, porém, de quem a torcida ainda espera – e terá o segundo turno para virar esse jogo – mais protagonismo. Muito da pressão, naturalmente, por ter sido trazido como “substituto de Ángel Di Maria”.

Por sua vez, Javier Saviola voltou aos gols, após estes terem sido bem escassos ao longo do segundo semestre de 2010. Vem, jogo a jogo, voltando a se encaixar bem com Aimar e se entrosa cada vez melhor com os armadores, principalmente Sálvio, mas também Gaitán. Ainda não é o Saviola da temporada passada, mas teve atuações bastante semelhantes às regulares que apresentou na campanha do título nacional, e tende a ser o protagonista do ataque, devido à péssima fase de Oscar Cardozo.

Da eliminação da LC (considerando aqui a derrota por 3 a 0 para o Hapoel Tel-Aviv, na penúltima rodada) até a vitória desta semana sobre o Marítimo, pela Taça da Liga, por 2 a 0 (com time misto) foram seis jogos. Nesse meio tempo, apenas uma derrota (1×2, para o Schalke 04, na jornada final da Liga dos Campeões) e cinco vitórias, sendo principalmente as três últimas, incluindo-se aí o 2 a 0 sobre o Braga, logo após o tropeço ante os alemães, consideravelmente convincentes.

O discurso adotado pela coluna, de que é difícil o Porto perder o título da atual temporada, não mudou, nem a avaliação de que, até o momento o Benfica fez menos do que poderia fazer – inclusive com as perdas de Di Maria e Ramires. No entanto, a reação embalada pelo bom momento que vive a trupe argentina, já não passa mais despercebida e dá novo gás ao certame, que, inclusive pelo bom índice de gols marcados, está bem melhor que na última temporada. Sim, temos um campeonato.

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Equipe Trivela

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