Portugal

Tabu intacto

As equipes portuguesas, vez ou outra, deparam-se com alguns tabus que parecem eternos. Um deles é a incapacidade de o Sporting avançar para a fase final da Liga dos Campeões (ao contrário dos rivais Benfica e Porto, bicampeões do torneio, os Leões nunca chegaram perto de uma decisão). O outro tabu é a ausência de vitórias do Porto quando enfrenta um time inglês nas Terras da Rainha. Embora encarne a imagem de equipe vencedora em Portugal, os Dragões seguem sem vencer na Inglaterra, após 14 confrontos em sua história.

O último desses encontros, como o leitor há de saber, foi contra o Chelsea, em Londres, na última terça-feira (15 de setembro). Era a primeira rodada do Grupo D da Liga dos Campeões (LC). Os donos da casa venceram por 1 a 0 – e a equipe portista não ameaçou o placar em praticamente nenhum momento da partida. De todo modo, o resultado é normalíssimo e, até certo tempo, bastante aceitável para o Porto. Ainda mais que, na outra partida do Grupo D, o Atlético de Madrid empatou sem gols, em casa, com o Apoel. Os colchoneros e os Dragões devem brigar pela segunda vaga, já que uma delas não deverá escapar do Chelsea.

O Porto, diante da instabilidade do Atlético de Madrid, tem tudo para passar adiante na LC ao lado do Chelsea. Poderá cimentar esse percurso já no dia 30 de setembro, quando recebe a equipe espanhola no Estádio do Dragão. Uma vitória atira o Atlético para o desespero – Atlético que parece mais fraco do que na temporada anterior, quando, por sinal, perdeu a vaga na LC ao empatar duas vezes com o próprio Porto nas oitavas-de-final do torneio (2 a 2 em Madri e 0 a 0 no Porto). O que o Porto não pode esquecer é que ficou sem o mesmo poder de fogo com as saídas dos argentinos Lisandro López (para o Lyon) e Lucho González (Marselha).

Apesar de nunca ter vencido um time inglês na Inglaterra, não podemos esquecer que pelo menos um empate dos portistas teve sabor de vitória: trata-se do 1 a 1 com o Manchester, pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões da temporada 2003/2004. Como havia vencido o jogo de ida por 2 a 1, no Porto, a equipe então treinada por José Mourinho obteve uma heróica igualdade em Manchester, perto do final do jogo. O resultado esteve na base da campanha vencedora dos Dragões naquele torneio, no qual se sagraram campeões batendo o Deportivo La Coruña na semifinal e o Monaco na finalíssima.

Liga doméstica promete maior equilíbrio nesta temporada

Nos últimos anos, disputar o campeonato português tem sido para o Porto um passeio dominical pela zona da ribeira (área central e emblemática da cidade, ao pé do Rio Douro e das adegas que engarrafam o célebre vinho do Porto). Pois nesta temporada parece que as coisas terão outro rumo. As ausências dos argentinos Lisandro e Lucho far-se-ão sentir com menos intensidade na liga doméstica, já que o colombiano Falcão (recém-contratado ao River Plate, da Argentina) parece bastante adaptado ao clube (já marcou quatro gols na Liga, em quatro rodadas). A questão é o perigo que sopra do sul – mais precisamente do Benfica.

O clube encarnado parece bastante disposto a dar fim à hegemonia portista. Já contava com um elenco respeitável na temporada passada (foi a equipe que mais gastou em reforços) e, desta vez, parece ter acertado em cheio nas contratações. Além de trazer a estrela Saviola do Real Madrid, fez escolhas cirúrgicas ao contratar Ramires (do Cruzeiro) e ao acertar o empréstimo do ex-palmeirense Keirisson junto ao Barcelona. Para completar, trouxe o treinador Jorge Jesus, que na temporada passada fez um belo trabalho à frente do Braga.

Conclusão: a equipe da Luz começou de forma arrasadora o Campeonato Português, anotando 14 gols em quatro rodadas (doze deles nos últimos dois jogos). A volúpia com que o time se lançou ao ataque nas vitórias por 8 a 1 sobre o Vitória de Setúbal e 4 a 0 sobre o Belenenses parecem dar conta, até agora, de que o Benfica está procurando resgatar a mentalidade vencedora das décadas de 1960 e 1970. A conseqüência disso é que a equipe tem, na média, o melhor ataque das ligas nacionais européias (alguns torneios já tiveram mais do que quatro rodadas, outros menos). Por enquanto, nem mesmo os benfiquistas entendem o que se passa pelos lados da Luz.

Golo de Letra

“- Estava a pensar que há viagens sem regresso. E que nunca mais vou voltar desta viagem. Nunca mais vou regressar do deserto.”

(Trecho do romance No teu deserto de Miguel Sousa Tavares)

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo