Portugal

Sporting e Porto empatam em jogo maçante e repleto de cartões amarelos

Clássico português não empolgou apesar dos ânimos acirrados e ajudou o líder Benfica a abrir distância

Imagine começar um clássico com três cartões amarelos em quatro minutos. Foi esse o panorama de um tenso, mas pouco emocionante jogo entre Sporting e Porto, no estádio José Alvalade, em Lisboa. O placar de 1 a 1 foi a síntese de dois times que se preocuparam mais com o psicológico do que com a bola rolando.

A arbitragem de Nuno Miguel Serrano Almeida foi responsável por picotar e punir demais os atletas, que apenas em um lance pareciam ter perdido o controle sobre os nervos. Embora o número elevado de cartões (12 amarelos e um vermelho) pareça indicar que foi uma partida violenta, na verdade a explicação está mais no rigor do árbitro do que necessariamente no temperamento dos envolvidos.

Teve gol, é verdade: Nuno Santos abriu o placar para os atuais campeões portugueses, aos 16, e em grande parte do jogo o Sporting pareceu mais perto de ampliar do que necessariamente sofrer o empate do Porto.

E aí cabem poucos lances dignos de registro para explicar o que foi a partida, não só a narrativa dos 90 minutos. Seria omissão da nossa parte não mencionar que houve um princípio de bafafá por conta de uma entrada um tanto temerária de… Pepe. O capitão portista se envolveu em uma discussão que desenrolou para um empurra-empurra aos 43, muita gente apontando dedos, mas cartão mesmo, só para Pepe e Pedro Porro, os mais exaltados.

Para se ter uma ideia de como a propensão aos cartões do árbitro envenenou a partida, basta ver o movimento do técnico Sérgio Conceição no Porto, ainda na primeira etapa: ele sacou os zagueiros Bruno Costa e Iván Marcano, ambos amarelados, aos 39 minutos. Os Leões de Ruben Amorim, que tinham cinco amarelados, mantiveram a formação até a barreira de uma hora de jogo.

Como já deve ter ficado claro, os chutes de ambos os times foram raros: 9 pelo Sporting e 5 do Porto, muito pouco para um clássico desse tamanho envolvendo equipes tão capacitadas. Antonio Adán, arqueiro alviverde, sequer fez defesas em 90 minutos. Já Diogo Costa, foi bem mais importante para os Dragões, efetuando quatro intervenções, uma delas fundamental para evitar que Nuno Santos marcasse o segundo, na etapa inicial. 

Falou em decisão? Falou em Luis Díaz. O colombiano, um dos jogadores mais interessantes do futebol português, salvou o Porto de uma derrota, de maneira quase que egoísta. Ele carregou a bola na diagonal, passando por dois marcadores, e mandou uma bomba no alto da meta de Adán. Um golaço deste jogador que pode até não ser um James Rodríguez ou um Carlos Valderrama, mas tem seu valor como homem de momentos decisivos. Ou como dizem na gíria do basquete, um Clutch.

O mais bizarro é que houve apenas um cartão vermelho na partida, para Toni Martínez, do Porto, e por pura imprudência. Ele levou o amarelo aos 85 e, dois minutos depois, subiu com o pé alto demais numa dividida com Sebastian Coates, acertando o uruguaio no braço. O árbitro não teve dúvidas e mostrou o segundo amarelo ao atacante. 

Quem mais celebrou o empate no clássico foi o Benfica de Jorge Jesus, que mais cedo havia batido o Santa Clara por 5 a 0, fora de casa. Agora os Encarnados lideram com 15 pontos e 100% de aproveitamento, quatro pontos a mais do que Porto e Sporting, logo abaixo. 

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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