Portugal

Solução no Dragão?

A irregularidade do Porto não se limita a uma única posição do campo. Afinal, se a defesa ainda não engrenou como se esperava, o ataque também não repete a ótima temporada anterior – fruto da saída de Radamel Falcão Garcia, que ainda não foi bem suprida e tem sobrecarregado Hulk à frente. Mas é notório que o setor de contenção dos Dragões anda com problemas, em especial o lado direito. Nos seis meses que já se passaram da atual época, três jogadores já disputaram a posição (Jorge Fucile, Cristian Sapunaru e Maicon), sendo que um deles (Maicon) nem lateral era, mas ainda é mesmo não passando certeza de que ali é seu lugar. É nesse cenário que chega Danilo, novo reforço portista.

A contratação do ex-santista não é bombástica, mas tendo em vista as (poucas) movimentações dos principais clubes do país – justificável, tendo em vista a grave crise financeira que assola a Europa – trata-se do melhor nome a desembarcar em Portugal. E mais do que se firmar na posição, o brasileiro chega para dar um fim a uma certa “maldição” da lateral direita que acomete o Porto desde que Bosingwa deixou o Dragão, em 2007. De lá para cá, nenhum jogador, por assim dizer, firmou-se na lateral – ainda que, admita-se, até a chegada de Álvaro Pereira, a situação do lado esquerdo era mais crítica. Os próprios Fucile e Sapunaru revezaram-se pela direita durante quase três anos, mas nenhum chegou a se sobressair.

As possibilidades para que Danilo “quebre” essa sina recente são boas. Primeiro pela qualidade técnica do jogador, superior a de Fucile, Sapunaru e até mesmo de Bosingwa (embora deva se reconhecer que a fase do lateral no Porto foi excelente). Além disso, o ex-santista tem atributos que se adéquam bem à demanda do futebol europeu: é um lateral veloz, alto, versátil – chegou até a se firmar como volante no Santos, durante a Libertadores, e até a revelar que gostaria de continuar na posição – e pega bem na bola. Sua ida ao Porto tende a trazer mais qualidade no transporte da bola ao meio-campo e desafogar o lado esquerdo do ataque, hoje principal (às vezes, a única) válvula ofensiva portista.

Tudo depende também de como Vitor Pereira pretende usar Danilo em campo. Na estreia do jogador, por exemplo, o treinador dos Dragões o colocou no meio-campo, no lugar de Steven Defour. Como no caso o Porto vencia o Vitória de Guimarães por 2 a 1, mas os vimaranenses estavam em melhor momento, entende-se que a opção foi manter Maicon protegendo a direita e apostar nos contra-ataques que poderiam ser puxados por Danilo pelo meio – em suas devidas proporções, com o papel que tinha Freddy Guarín no time de André Villas Boas. No momento que o brasileiro for lançado no onze inicial, porém, dificilmente não será em sua posição de origem.

O grande pepino que Danilo terá que descascar em Portugal, porém, é conciliar seu estilo apoiador com um perfil mais marcador, essencial para laterais que almejam fazer sucesso no Velho Continente. O novo reforço portista ainda se afoba na hora de agir como um “defesa direito” e obtém resultados melhores quando sobe menos, como ocorreu durante o tempo em que esteve em campo na final do Mundial de Clubes, quando deu trabalho a Thiago Alcântara. Curiosamente, o “problema” é mesmo que Fucile tinha quando chegou ao Porto em 2007. Hoje, o aprimoramento defensivo do uruguaio é bastante elogiado por quem acompanhou sua trajetória nos Dragões, o que pode ser visto como um bom sinal ao brasileiro.

A estreia de Danilo como titular não deve demorar. Pode (até deve) ocorre já no domingo, contra o Gil Vicente, já que só a vitória interessa aos Dragões – mesmo o jogo sendo fora de casa. Outro impulso a isso é a proximidade dos jogos decisivos contra o Manchester City, para os quais já seria necessário que o brasileiro tivesse algum entrosamento com os demais companheiros atuando naquele setor – embora possa-se imaginar que ao menos na partida fora de casa Vítor Pereira deva optar por Maicon na lateral. Para o ex-santista, por sua vez, a afirmação (se vier) será importante para seus próximos passos na seleção, já que ao menos por agora, a reserva de Daniel Alves parece vaga.

Sem salário

Não, o assunto aqui não é o Flamengo, mas o Vitória de Guimarães. A informação foi confirmada pelo meia Nuno Assis à Rádio Fundação. Até aí, nada demais. O curioso é que o jogador não só garantiu que isso não tem afetado o rendimento do time (nos últimos sete jogos do campeonato, foram cinco vitórias) como defendeu o presidente Emílio Macedo. “Claro que não é fácil para o nosso presidente porque a crise (financeira) afeta o país e a Europa e o Vitória não é diferente. Em sete temporadas, tal atraso só aconteceu uma vez, na altura do Pimenta Machado (ex-presidente), mas penso que Emílio Machado está a tratar de resolver isso”, descreveu Nuno Assis. Enquanto isso, no Brasil…

Fique de olho

A excelente campanha do Benfica não passou despercebida pela coluna. A liderança parecia questão de tempo desde a reta final da fase de grupos da Liga dos Campeões, e foi sacramentada – e ao que parece, para não ser largada dão cedo – com “ajuda” do rival Sporting (cuja volta à má fase será abordada em outras colunas). Um resultado justo para um time que após acertar bem em 2009/10, decidiu errar quase tudo que tentou na temporada passada para acertar a mão de vez na atual. Um mix de contratações e variações táticas acertadas, aliado ao bom momento dos principais jogadores do time. Um assunto que essa coluna tratará na próxima semana

Mea Culpa

O colunista pede desculpas pela ausência na última semana, fruto de compromissos pessoais e de saúde.

 

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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