Portugal

Síndrome de Europa

Síndrome de Europa. Falta de estofo internacional. Tremedeira diante dos colossos europeus. Mais uma vez, o Sporting não foi capaz de rechaçar o estigma de falhar continuamente nas competições continentais. Depois de chegar à fase de oitavas-de-final da Liga dos Campeões pela primeira vez em sua história, o clube de Alvalade começou a despedir-se de forma fulgurante. A derrota por 0 a 5 em casa diante do Bayern de Munique nesta quarta-feira de cinzas fez com que até o mais fanático sportinguista desistisse de sonhar com a classificação para a próxima fase.

Se a supremacia da equipe alemã foi incontestável, um breve exame sobre os gols tomados pelo Sporting mostra-nos detalhes interessantes. O primeiro tento dos bávaros surgiu a partir de um presente dado pelo atacante Derlei perto do intervalo – momento em que os Leões mantinham o jogo equilibrado. No segundo tempo, quando o Sporting ensaiava algum tipo de reação, Klose fez o segundo em impedimento. Depois, Fábio Rochemback fez um pênalti infantil e desnecessário (Anderson Polga já estava na cobertura do lance), dando origem ao terceiro gol. E, para encerrar o desaire leonino, o último gol saiu de uma falha de Pereirinha e do goleiro Tiago.

Assim – ainda que de forma amarga – o Sporting aprendeu a velha lição de que, contra uma equipe tradicionalíssima, erros não costumam ser perdoados. Essa tem sido, aliás, a sina das equipes portuguesas diante das congêneres alemãs, que historicamente destacam-se pela precisão e eficiência: o Bayern disputou até hoje 11 partidas em Portugal e permanece invicto (venceu sete e empatou quatro). O Sporting, por sua vez, disputou sua 15ª partida contra clubes germânicos – e ainda não ganhou uma partida sequer. Se o retrospecto não ajudava, os prognósticos tampouco. E para a própria imprensa esportiva de Portugal a eliminatória já está resolvida.

Sporting ressente-se da falta de opções 

A derrocada sportinguista pôs à mostra a falta de opções do técnico Paulo Bento, ao mesmo tempo em que expôs a própria teimosia do treinador. No último sábado (21 de fevereiro), os Leões desdobraram-se em campo pela Liga Portuguesa e venceram com sobras o Benfica, em casa, “apenas” por 3 a 2. A garra e a força de vontade que o time mostrou não puderam ser retomadas na partida contra o Bayern. Também, pudera: cinco alterações no time titular foram promovidas – e apenas uma forçada, a de Hélder Postiga, que, contundido, deu lugar a Derlei. A defesa toda foi mudada, só permanecendo Anderson Polga, ao lado dos “pesados” Marco Caneira, Tonel e Abel, que tiraram o lugar dos mais leves e novatos Daniel Carriço, Grimi e Pedro Silva.

Além disso, mais uma vez, não se entende o porquê de o treinador leonino ter sacado Vukcevic do time titular. O montenegrino, depois que voltou à equipe após “castigo” forçado de Paulo Bento, tem feito a diferença em inúmeras partidas da temporada. Sua entrega e persistência poderiam ter ajudado o time a não perder o rumo assim que levou o primeiro gol. Vitaminado pelo triunfo no dérbi lisboeta, o Sporting parecia disposto a discutir a eliminatória de igual para igual frente um Bayern que tem colecionado desastres na Liga Alemã em 2009. Mas, se camisa ganha jogo, a derrota dos Leões (a maior em casa numa competição européia) é prova irrefutável desse axioma.

Porto é o outro lado da moeda na LC

Se o Sporting sentiu na pele o Complexo de Vira-latas, o mesmo ocorreu com o Atlético de Madrid, que recebeu o Porto no Estádio Vicente Calderón. O empate em 2 a 2 não elimina a equipe espanhola (como parece ser o destino do clube lisboeta), mas deixa o Porto bem perto da classificação. Os Dragões desperdiçaram algumas chances de vencer a partida em Madri e ainda tiveram que superar uma falha grotesca do goleiro Hélton no segundo gol do Atlético. De todo modo, mais uma vez o time madrileno mostrou toda a sua vulnerabilidade defensiva – algo que, no Campeonato Espanhol, tem sido responsável pelo fato de a equipe estar apenas na 7ª colocação.

No Campeonato Português, o Porto faz quase uma final antecipada no próximo sábado, em casa, diante do Sporting. Com quatro pontos de vantagem sobre o próprio Sporting e sobre o Benfica, os Dragões podem alijar da disputa o clube de Alvalade, que chega desmoralizado depois da goleada sofrida para o Bayern. De fato, uma derrota deixará os Leões fora de combate, já que serão sete pontos de desvantagem para o Porto no último clássico do campeonato. Resta saber do que será capaz o imprevisível Benfica, que recebe em casa o Leixões, quarto colocado que começou com todo o gás, mas que já enfrenta um processo agudo de desaceleração (com oito empates em 19 partidas, é o campeão da igualdade na Liga).

Golo de Letra 

Manhã cinzenta faz-me chorar
A chuva lembra o teu olhar
As folhas mortas caem no chão
A dor aperta o coração

Quanto eu não daria
Para poder voltar atrás
Volta pro meu peito
Daqui não saias mais

Perdi-me amor pra te encontrar
Na solidão do teu olhar
No teu olhar se perde o medo
Também no mar se perde o céu

(Canção “Voltar”, de Rodrigo Leão)

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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