Seleção portuguesa de imigrantes

Ricardo, Bosingwa, Ricardo Carvalho, Pepe e Paulo Ferreira; Petit, João Moutinho, Deco e Cristiano Ronaldo; Simão e Nuno Gomes. Esse deve ser o onze que o técnico Luiz Felipe Scolari colocará em campo no próximo dia 7 de junho, diante da Turquia, na estréia da Seleção de Portugal na Eurocopa-2008. Desses onze atletas, apenas três ainda atuam no país: os volantes Petit (Benfica) e João Moutinho (Sporting) e o atacante Nuno Gomes (Benfica).
Essa pequena legião estrangeira, entretanto, não está tão dispersa pelo mundo como ocorreu no Mundial da Alemanha em 2006: além da Liga Portuguesa, os titulares de Felipão dividem-se apenas pelas Ligas da Inglaterra (casos de Bosingwa, recém-transferido para o Chelsea, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira e Cristiano Ronaldo) e da Espanha (Ricardo, Pepe, Deco e Simão). De todo modo, seria impossível que não houvesse uma predominância de “estrangeiros” na atual seleção lusa, dada a diáspora dos principais jogadores revelados na “Era Scolari”.
Portugal reatualiza, assim, a vocação de um país que sempre se voltou para o exterior. Não é à toa que, na recepção à delegação lusa em Nêuchatel, na Suíça, cerca de dez mil torcedores estavam à espera do ônibus da seleção à porta do hotel. Antes disso, mil motociclistas e outros milhares de pessoas acompanharam a viagem da seleção do aeroporto de Genebra até Nêuchatel. É com um plantel e uma torcida de imigrantes, portanto, que Scolari tentará pôr fim a uma seqüência de más apresentações ao longo das eliminatórias dessa Eurocopa.
Com apenas duas semanas de trabalho, é natural que o time ainda não esteja afiado. Na verdade, o retrospecto recente da seleção não é muito animador. Mas, à semelhança do que tem ocorrido nas últimas competições, os Tugas apresentam um elenco diferenciado, em que se destaca o virtual melhor jogador do mundo de 2008, Cristiano Ronaldo. Além dele, Felipão certamente contará com os préstimos de Nani e de Ricardo Quaresma para incrementar o poder de ataque da equipe. Resta saber se essa seleção devolverá à altura todo o apoio que tem recebido de milhares de imigrantes espalhados pela Europa.
Crise no Dragão?
O que parecia ser uma simples (e comemorada) punição de seis pontos pode custar muito – mas muito caro – ao Porto. Os Dragões foram penalizados pela Liga de Clubes em função da operação “Apito Final”, que procurou dar seguimento ao processo “Apito Dourado”, que corre na justiça portuguesa e que investiga os escândalos de corrupção esportiva no país. Os seis pontos de punição seriam descontados na próxima temporada, antes do início do Campeonato Português, o que poderia complicar as coisas para o clube. Decidiu-se, então, que os seis pontos seriam descontados no atual campeonato, no qual o Porto tinha 20 pontos de vantagem sobre o vice-colocado.
Satisfeita com a punição, a diretoria portista decidiu não recorrer. Esse foi o erro maior. O fato de resignar-se diante do castigo mostrou que o Porto assumia de fato a tentativa de corrupção esportiva. Logo se cogitou que a Uefa poderia não permitir a presença dos Dragões na próxima Liga dos Campeões (LC) – algo que beneficiaria diretamente o Benfica. Agora, a entidade tomará uma decisão, em 1ª instância, no próximo dia 4 de junho.
A ameaça de sofrer uma punição da Uefa pode acarretar uma crise sem precedentes no ninho do Dragão. Outros indícios dão conta de que as coisas não se avizinham tão tranqüilas para a diretoria do Porto nas próximas semanas: o volante brasileiro Paulo Assunção rescindiu contrato unilateralmente com o clube, e Bosingwa já acertou a transferência para o Chelsea. Mas o pior ainda está por vir: Lucho González – melhor jogador do camnpeonato – não esconde que gostaria de ir para a Espanha, enquanto Ricardo Quaresma assumiu claramente que “está na hora de sair”. O verão anuncia-se escaldante para a maior potência do futebol português da última década.
Golo de Letra
O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.
(Poema “As Amoras”, de Eugénio de Andrade)



