Portugal

Resumo da temporada (II)

A coluna continua com a segunda parte do balanço da Liga Sagres 2009/10. Agora é a vez de falar dos rivais da Ilha da Madeira e dos pequenos encardidos Naval, Olhanense e, principalmente, Paços de Ferreira. Na próxima semana, finalizando o especial, estarão os seis times restantes, com destaque a Porto e Sporting.

Marítimo (5º lugar, 41 pontos)
Técnico: Carlos Carvalhal e Mitchell van der Gaag
Competição europeia: não participou
Taça de Portugal: eliminado na terceira fase
Taça da Liga: eliminado na segunda fase de grupos
Destaque: Peçanha (goleiro)
Artilheiro: Kleber (8 gols)
Melhor momento: Marítimo 3 x 2 Sporting (24ª rodada)
Pior momento: Marítimo 0 x 5 Benfica (16ª rodada)
Bônus: classificado para a Liga Europa
Nota da temporada: 7,5

No início da Liga Sagres, esperava-se que o Marítimo fosse terminar o campeonato no meio da tabela, sem maiores pretensões. Apesar do início promissor, com um empate em 1 a 1 com o Benfica na Luz, em que o goleiro Peçanha começaria a mostrar o porquê de ser o grande nome dos madeirenses no torneio, o time, inicialmente comandado por Carlos Carvalhal, era fraco e sem muitas opções. Em setembro, Carvalhal foi demitido e a aposta se deu em Mitchell Van der Gaag, jovem treinador holandês e ex-comandante do Marítimo B. Tranquilo, bem ao estilo “paizão” e ídolo recente da equipe rubro-verde, Van der Gaag deu início a uma bela reação em Funchal.

Sem muito alarde, exceto quando emplacou uma série de quatro derrotas seguidas, até o início do segundo turno, o holandês foi conquistando pontos importantes, aproveitando-se da irregularidade de Vitória de Guimarães e Nacional para se aproximar da zona da Liga Europa, muito além do previamente imaginado pela torcida. O time cresceu, principalmente com os reforços de inverno, com destaque para o atacante Kleber, o zagueiro Rafael Miranda e o meia Diakite. Em alta, frente a um pressionado Guimarães na última rodada, Van der Gaag e seus comandados sacramentaram a brilhante ascensão, e roubaram dos minhotos a vaga europeia. Com muita justiça.

Nacional (7º lugar, 39 pontos)
Técnico: Manuel Machado, José Augusto (interino), Predrag Jokanovic (interino)
Competição europeia: eliminado na fase de grupos da Liga Europa
Taça de Portugal: eliminado nas oitavas de final
Taça da Liga: eliminado na segunda fase de grupos
Destaque: João Aurélio (meio-campista)
Artilheiro: Edgar (12 gols)
Melhor momento: Leixões 2 x 4 Nacional (10ª rodada)
Pior momento: Benfica 6 x 1 Nacional (8ª rodada)
Bônus: nenhum
Nota da temporada: 5,5

No início da temporada, a torcida nacionalista estava esperançosa. Os alvinegros acabavam de surpreender o Zenit, eliminando os russos da Liga Europa e avançando para a fase de grupos. E se não possuíam um grande elenco, contavam com um jogador acima da média nos padrões da liga local, que só não era sondado para a seleção por não jogar em um time grande. Fala-se aqui de Ruben Micael. E o criativo meia, enquanto esteve na Madeira, manteve o clube próximo ao quarto lugar, ocupado praticamente todo o campeonato pelo Sporting. Mas o grande desempenho do jogador não tardou a ser observado, e Micael acabou negociado com o Porto. Uma venda diretamente proporcional à queda do Nacional.

Sem um homem de referência para armar, os madeirenses ainda viram o treinador Manuel Machado sofrer com um grave problema de saúde, a ponto até de entrar em coma induzido. Quando retornou, no fim de janeiro, foi recebido com uma sonora goleada, em casa, para o Porto por 4 a 0, e só conseguiria fazer o time engrenar nos últimos cinco jogos do campeonato. Mas, no fundo, já era tarde. O Nacional, desfigurado desde a saída de Micael e dependente de mais um jovem no meio campo (João Aurélio), estava na parada por vaga na Liga Europa mais pela irregularidade absurda do Guimarães do que efetivamente pelos méritos. Pode-se dizer, o alvinegro foi até longe demais.

Naval (8º lugar, 36 pontos)
Técnico: Ulisses Morais e Augusto Inácio
Competição europeia: não participou
Taça de Portugal: eliminado nas semifinais
Taça da Liga: eliminado na primeira fase de grupos
Destaque: Diego (zagueiro)
Artilheiro: Kerrouche (5 gols)
Melhor momento: Sporting 0 x 1 Naval (29ª rodada)
Pior momento: Naval 0 x 4 Braga (28ª rodada)
Bônus: nenhum
Nota da temporada: 6,5

A equipe de Figueira da Foz entra anualmente brigando contra o rebaixamento, e neste ano, não foi diferente. Limitado pela enorme escassez financeira, que colocou em dúvida a própria manutenção da equipe na primeira divisão, por razões semelhantes às que derrubaram de divisão a Estrela da Amadora, na temporada passada. Mesmo assim, a Naval conseguiu realizar algumas boas exibições, especialmente no período de outubro a março, quando permaneceu viva na parte de cima da tabela. Além disso, paralelamente, os alviverdes iam surpreendendo e, discretamente, avançando na Taça de Portugal, chegando até as semifinais, e aproveitando a empolgação para subir no campeonato.

Basta dizer que no período entre a vitória por 3 a 1 sobre o Pinhalnovense até o primeiro jogo contra o Chaves, foram três vitórias, dois empates e só uma derrota, para o Porto. Nada mal para uma equipe tecnicamente bem limitada. A derrota para os trasmontanos na partida de ida da semifinal fez com que os figueirenses decidissem focar a preparação para o duelo decisivo em casa, abrindo mão de partidas que afastaram a Naval das primeiras posições. Mesmo com a eliminação, o time ainda arrancou bons resultados, como vitórias frente o perigoso Paços de Ferreira e o forte, mas combalido Sporting. Para quem não sabia se iria chegar ao final do torneio, um final de temporada feliz.

Olhanense (14º lugar, 29 pontos)
Técnico: Jorge Costa
Competição europeia: não participou
Taça de Portugal: eliminado na terceira fase
Taça da Liga: eliminado na primeira fase de grupos
Destaque: Ukra (atacante)
Artilheiro: Djalmir (12 gols)
Melhor momento: Rio Ave 1 x 5 Olhanense (24ª rodada)
Pior momento: Marítimo 5 x 2 Olhanense (12ª rodada)
Bônus: nenhum
Nota da temporada: 5

É bem verdade que permanecer na primeira divisão após ter acabado de chegar da segundona é algo a ser comemorado. Mas, especialmente tendo em vista o desempenho do União de Leiria, que também subiu para a Liga Sagres na última temporada, a impressão é de que o Olhanense poderia ter ido mais longe. Manteve a base que garantiu o título da Liga Vitalis, principalmente Castro (meia) e Ukra (atacante), além do experiente matador Djalma. Por sua vez, a equipe não se reforçou adequadamente para disputar um nível acima do que estava acostumado. O esquema de apostar quase que unicamente em jovens promessas, que deu certo na Vitalis, mostrou-se exagerado na Sagres.

Não que os garotos fossem fracos. Pelo contrário. Castro e Ukra se destacaram positivamente, e a partir da próxima temporada jogarão pelo Porto, clube ao qual pertencem. Ocorre que, como bem mostrou o Braga, disputar a primeira divisão requer jogadores com mais cancha e um pouco mais de regularidade. A equipe ficou incríveis 12 jogos sem vencer entre a quarta e a décima sexta rodada, além de empatar metade dos jogos do campeonato. No entanto, foram esses empates que acabaram, aos poucos, salvando o time de um rebaixamento que, de fato, não era merecido pelo empenho do jovem elenco. Mas ficou a impressão que esse grupo, fosse ele um pouco mais calejado, poderia ter ido mais longe.

Paços de Ferreira (10º lugar, 35 pontos)
Técnico: Paulo Sérgio e Ulisses Morais
Competição europeia: eliminado na segunda fase preliminar da Liga Europa
Taça de Portugal: eliminado nas quartas de final
Taça da Liga: eliminado na primeira fase de grupos
Destaque: Maykon (zagueiro)
Artilheiro: Maykon (6 gols)
Melhor momento: Belenenses 0 x 3 Paços de Ferreira (10ª rodada)
Pior momento: Paços de Ferreira 1 x 3 Naval (27ª rodada)
Bônus: nenhum
Nota da temporada: 6,5

Como a Naval, o Paços de Ferreira começou a temporada como um fortíssimo concorrente a vaga na segunda divisão. E tal como os figueirenses, os Castores se mantiveram, em grande parte da competição, na parte de cima da tabela. O início, é verdade, foi turbulento, e a primeira vitória só chegou à sexta rodada. Mas foi com a chegada de Ulisses Morais, em outubro, que a equipe da Mata Real se notabilizou como a pedra no sapato de muita gente. Com um estilo de jogo ofensivo, que surpreendeu e encheu os olhos até mesmo de Jorge Jesus, técnico do Benfica, o Paços viveu, de novembro ao meio de março, seu melhor momento na competição.

Nesse período, foram 14 jogos, com sete vitórias, quatro empates e apenas três derrotas. Se o ataque, mesmo com as boas atuações de Pizzi e José Coelho, não era tão eficiente, o sistema defensivo mostrou-se um importante ponto forte, especialmente com Maykon e Leonel Olímpio. E mesmo as perdas de Ozéia e Cristiano não diminuíram a qualidade da equipe, que, em 2010, só veio a perder pelo campeonato nacional em março, caindo para o Benfica, na Luz, mas não sem dar uma canseira enorme aos futuros campeões. Mas a perda da invencibilidade mexeu mais do que o esperado com o time, que ficou os últimos sete jogos do torneio sem vencer, e desabou na tabela. Uma pena.

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Equipe Trivela

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