Portugal

Quatro possibilidades na Europa

Os clubes portugueses entraram na atual temporada europeia com uma difícil missão: manter a terceira vaga do país à Liga dos Campeões, reconquistada após o excelente desempenho das equipes locais na Liga Europa e colaborada pela ineficiência de russos e ucranianos em manterem-se a frente dos tugas no ranking de ligas da UEFA. Até por isso, as quatro agremiações lusas “sobreviventes” no cenário europeu, das seis que iniciaram 2011/12, não têm muito o que reclamar do sorteio dos grupos das duas competições. Porto, Benfica, Sporting e Braga se encontram em chaves em que são favoritos à classificação, no que proporciona boas possibilidades para se somar pontos em uma época em que será claramente muito difícil repetir o desempenho de 2010/11.

Atuais campeões nacionais e vindos de um vice na Supercopa da Europa – obtido depois de dar trabalho ao poderoso Barcelona – os Dragões, únicos cabeças-de-chave não pertencentes às quatro principais ligas do continente (a saber: Inglaterra, Alemanha, Espanha e Itália), foram listados no grupo de Shakhtar Donetsk, Zenit São Petesburgo e APOEL Nicosia. Não há dúvidas de o clube do norte português é o grande favorito do quarteto que está no grupo G. Em condições normais, encerra a chave na liderança e até mesmo com uma campanha de destaque. Contudo, talvez com exceção ao APOEL – que está longe de ser uma ameaça – Zenit e Shakhtar não podem ser desprezados, especialmente pelo passado recente de ambos e pela dificuldade de se atuar em seus domínios.

O primeiro está na briga pelo título russo (é o vice-líder, cinco pontos atrás do CSKA Moscou), e se está longe de ser o time que, algumas há pouco tempo atrás, chegou a ter Arshavin e Pogrebnyak e venceu a Copa da Uefa (atual Liga Europa), tem a seu favor o entrosamento de um grupo no auge da forma física, visto que o campeonato local já está no segundo turno. Os ucranianos, por sua vez, já contam com uma equipe forte – em tese, surgem como principais candidatos à segunda vaga da chave – e já aprontaram na última temporada, encerrando a fase de grupos a frente do Arsenal (e com direito a terceira melhor campanha geral da etapa de grupos) e chegando às quartas de final da LC, caindo somente para o campeão Barcelona.

Estivesse com o grupo da temporada passada (leia-se comissão técnica e elenco), o colunista não teria dúvidas em cravar o Porto até como parte daquele segundo grupo de candidatos ao título – aquele em que estariam encaixados times como Manchester City ou Bayern Munique. No entanto, a equipe passa por uma fase de mudanças e adaptações. Nem tanto pela troca de técnicos (até porque Vítor Pereira tem mantido o padrão de jogo instituido por André Villas Boas), mas principalmente pelo time ideal ainda estar se reencontrando. O que passa pela necessidade de que Kleber Pinheiro supra a vaga deixada por Falcão (vendido ao Atlético de Madrid), e pelo encaixe de quem será efetivamente o volante da equipe, posição disputada por Souza e Fernando.

O Benfica, por sua vez, ao mesmo tempo em que terá pela frente o poderoso Manchester United, não deverá ter muito trabalho diante de Basel e Otelul Galati e, se tudo correr dentro da naturalidade, os encarnados devem ficar com a segunda vaga da chave B. Brigar pela liderança? Apenas se fizer a lição de casa nos três duelos na Luz (inclusive contra os Red Devils) e for melhor que os ingleses quando atuar longe de casa diante de suíços e romenos. Pesa contra as Águias, contudo, o fato de na última temporada, também em um grupo em que era favorito – encarou um Schalke 04 em crise, um Lyon longe da equipe que já dominara o futebol francês e um Hapoel Tel-Aviv que não metia medo algum – a equipe quase ter ficado fora até da Liga Europa.

Pelo menos a perspectiva do atual Benfica em relação ao do ano passado é melhor – mesmo sem a eficiência e grande regularidade de Fábio Coentrão, vendido ao Real Madrid. O time ainda não empolgou, mas tem se mostrado – na pré-temporada, nas eliminatórias da Liga dos Campeões e no início da própria Liga Portuguesa – mais coeso que outrora. À frente, Nolito encaixou como uma luva. Pelo meio, Pablo Aimar e Nico Gaitán ganharam dois companheiros para o setor que prometem uma boa disputa pela titularidade: Alex Witsel, que foi decisivo contra o Twente, e Bruno Cesar, autor de um golaço contra o Beira-Mar. Jorge Jesus parece caminhando para encontrar o time ideal, antes do que se deu em 2010/11. Parece mais ciente do grupo que tem.

Na Liga Europa, Sporting e Braga também não têm muitas desculpas para não avançarem à fase seguinte, depois de classificações suadas ante Nordsjaelland e Young Boys, respectivamente. Os Leões terão pela frente Lazio, Zurich e Vaslui. São favoritos, ao lado dos italianos. No entanto, o péssimo início de temporada, com dois empates e uma derrota em pleno Alvalade para o Marítimo, de virada, ligaram o sinal de alerta. Os vários reforços ainda estão se encontrando (Elias, por exemplo, acabou de chegar), e Domingos Paciência ainda não acertou a marcação (principalmente nas bolas paradas), atributo tão valorizado do Braga que dirigiu nas últimas duas temporadas. À frente, certamente o time sentirá a saída de Postiga, vendido ao Zaragoza.

No Minho, Leonardo Jardim também busca a formação ideal no Braga, mas vem de resultados melhores que os de Domingos no Sporting. A equipe perdeu Pizzi para o Atlético de Madrid, mas Hélder Barbosa, logo em seu primeiro jogo a titular, garantiu a vitória bracarense em Setúbal e mostrou ter estrela. Na Liga Europa, enfrentará os Club Brugge, Birmingham e Maribor. Em tese, a chave mais “complexa” dos quatro tugas. Ingleses e belgas são complicados, mas longe de ser assustadores. Apesar de terem eliminado o Nacional, os Blues o fizeram com dois gols “achados” e o abatimento completo dos madeirenses – melhores em casa e no começo do jogo na Inglaterra. O Brugge, por sua vez, é tradicional e já decidiu competições europeias, mas hoje só a quinta força de um país que ainda busca voltar aos holofotes da bola.

O desempenho da temporada passada, em que Portugal foi o país mais bem colocado do ranking da Uefa e viu três de suas equipes chegarem às semifinais da Liga Europa, será muito difícil de ser repetido. Primeiro porque Sporting e Braga não parecem ter força para brigarem pelo caneco da LE, e segundo pelo fato de Porto e Benfica dificilmente terem condições de bater a força de Barcelona, Real Madrid e companhia na LC. No entanto, cumprida a expectativa de que o quarteto se classifique a fase seguinte dos torneios que disputam, este já será um passo importante para superar russos e ucranianos e, com alguma sorte, a pressionar os franceses, atualmente em 5º no ranking dos coeficientes da Uefa.

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Equipe Trivela

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