Portugal

Procura-se um líder

O atual Campeonato Português vem se caracterizando pela alternância constante de clubes na liderança. Após a fulgurante aparição do Leixões no comando da tabela no início da temporada, Porto, Benfica e Sporting seguem patinando no âmbito doméstico e não conseguem engatar uma simples sequência vitoriosa. Melhor para o certame, que ganha maior interesse quando a briga pelo título arrasta-se até o final. Pior para os clubes portugueses, que nesta temporada estão longe de mostrar estabilidade em seus elencos.

Até a décima rodada, o surpreendente Leixões ocupava o primeiro lugar da Liga, após um belo retrospecto com os três grandes: havia vencido o Porto e o Sporting fora, e empatado com o Benfica em casa. Quando todos esperavam que o clube de Matozinhos teria a vida facilitada pela frente diante dos clubes pequenos, outra surpresa: a fonte do Leixões secou, e o time não vence já há seis rodadas. Nas seis últimas partidas, marcou apenas três gols, perdeu um jogo e empatou cinco (os três últimos por 0 a 0). Hoje, é apenas o quarto colocado, apesar de estar a quatro pontos do líder Porto.

O Sporting não consegue sentir o gostinho de assumir a ponta, mas pelo menos superou o mau começo do campeonato e está apenas um ponto atrás do Porto – ao lado do Benfica, com 30 pontos. Já o Benfica é o maior exemplo da falibilidade no futebol português nesta temporada: já foi eliminado da Taça de Portugal e da Taça Uefa, e não consegue engrenar a máquina no campeonato nacional. Seu técnico, o espanhol Quique Flores, vive cobrando seus jogadores a partir de recadinhos nada simpáticos enviados pela imprensa. Até agora, porém, nem ele, nem seu elenco, ousaram mostrar o poderio dos Águias, clube que mais gastou em reforços no último verão europeu.

Agora, sim: surgiu o campeão de inverno

Resta falar sobre o Porto, que contou com vários tropeços seguidos do Benfica e voltou a assumir a liderança da tabela na 15ª rodada – exatamente na metade do campeonato. Aqui, pode-se dizer que os Dragões são o verdadeiro “campeão de inverno”, já que se encerrou o primeiro turno do campeonato. Em dezembro, como já aludi aqui, o Benfica havia conquistado apenas o título simbólico de “campeão de Boas Festas”, já que estávamos apenas na 12ª rodada antes da parada de final de ano.

A chegada do Porto ao primeiro lugar da Liga representa bem a evolução do elenco mais consistente do campeonato até agora. Prova disso foi a classificação do clube das Antas para as semifinais da Taça de Portugal ao superar o Leixões em casa por 1 a – no último dia 28 de janeiro. Os Dragões anotaram o gol logo aos cinco minutos de jogo e tiveram dificuldades para segurar o resultado, mas foram poucos os momentos em que se viram ameaçados pelo instável Leixões, que segue a sina de não conseguir marcar gols em 2009.

Liedson na seleção dos Tugas?

Imprensa de Portugal e Brasil deram grande atenção na última semana à possibilidade de o atacante Liedson vir a defender a Seleção Portuguesa de futebol. Como todos sabem, o jogador nasceu no Brasil, mas já está há mais de cinco anos em Portugal, defendendo o Sporting. Ele já solicitou a nacionalidade portuguesa e, pelo que tudo indica, estaria disposto a renunciar à Seleção Brasileira para alinhar pelos Tugas. E até o treinador da seleção nacional, Carlos Queiroz, assumiu que não vê problemas em convocar Liedson futuramente. Mas a questão é bastante polêmica e está longe de um consenso em Portugal.

Aqueles que são contrários à ideia reagem com ironia, afirmando que três brasileiros na mesma equipe não fazem um time, mas uma escola de samba (a seleção lusa já conta com Deco e Pepe). Pessoalmente, entendo que um jogador pode naturalizar-se e defender a seleção de seu novo país se tiver fortes laços com sua nova pátria. Caso contrário, soa apenas como um oportunismo para mascarar a falta de oportunidades na seleção do país Natal. No entanto, Deco e Pepe não têm maiores vínculos com Portugal e sua cultura. É provável que nem voltem mais ao país, a não ser para atender as convocatórias oficiais. Nesse caso, Liedson ao menos parece mais afeito ao país que o acolheu e com o qual o atacante parece mostrar maior gratidão.
 

Golo de Letra

Um pouco mais de sol – eu era brasa,
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…

Assombro ou paz? Em vão… Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – ó dor! – quase vivido…

(Trecho do poema “Quase”, de Mário de Sá-Carneiro)

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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