Portugal

Porto enfraquecido?

Classificado para as oitavas-de-final da Liga dos Campeões com duas rodadas de antecedência e terceiro colocado do campeonato nacional. À primeira vista, tudo parece apontar para uma nova temporada de sucesso do FC Porto. No entanto, a impressão que se tem com as partidas recentes dos Dragões é que o clube das Antas deverá ter dificuldades para manter a sanha vencedora exibida nas últimas temporadas. Cabe saber se a torcida portista terá paciência com o técnico Jesualdo Ferreira, que deixou Helton de fora da partida com o Chelsea desta quarta-feira (15 de novembro).  

O motivo para essa possível instabilidada é simples: não é sempre que a renovação forçada do elenco – algo que o Porto tem feito com maestria nas últimas décadas – consegue dar certo. Quando surpreendeu a Europa com o título da LC em 2004 na Era Mourinho, o time desfez-se quase que por completo nas temporadas seguintes (saíram Deco, Carlos Alberto, Maniche, Costinha, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira e Derlei – entre outros). Conseqüência: o Benfica venceu o título nacional em 2005 e fez uma bela campanha na LC em 2006 – anos em que o Porto naufragou na competição continental.

Na temporada passada, os Dragões quase conseguiram eliminar o Manchester United nas quartas-de-final da LC. E, nos últimos quatro anos, retomaram a supremacia nacional com o tetracampeonato – temporadas nas quais o time foi continuamente remodelado. Entretanto, o golpe foi bem assimilado nesses anos todos. No último verão europeu, contudo, o Porto não conseguiu segurar a alma mater da equipe: os argentinos Lucho González (hoje no Olympique de Marseille) e Lisandro López (hoje no Lyon). O resultado foi um desfacelamento do time, que vem tentando superar-se com a chegada do surpreendente Falcão.

Mesmo com os bons resultados a equipe até aqui (considerando que os cinco pontos de distância para os líderes Braga e Benfica no Campeonato Português não são nenhuma tragédia), o Porto parece dar sinais de que está difícil manter o brilho dos últimos tempos. Às vezes, as mudanças de elenco e de padrão de jogo não conseguem vingar de forma tão imediata. É preciso um tempo maior para a maturação das coisas. A janela de inverno a ser aberta agora em janeiro e a retomada das competições após as festas de fim-de-ano é que poderão dar conta do poderio do melhor clube português dos últimos anos.

Benfica fortalecido?
 

A anima portista desta temporada contrasta um pouco com a anima do Benfica, clube que parece ter-se inflamado depois da chegada do técnico Jorge Jesus. Além de dividir a liderança do campeonato nacional com o Braga (ambos têm 25 pontos), o clube da Luz já anotou 31 gols no certame, simplesmente mais do que o dobro dos bracarenses (que anotaram 15 vezes). Parte desse entusiasmo todo caiu por terra no último domingo (22 de novembro), quando os encarnados foram eliminados em casa pelo Vitória de Guimarães na Taça de Portugal.

Mas talvez tenha sido melhor assim: o clube poderá dedicar-se integralmente ao campeonato nacional e à Liga Europa daqui pra frente – algo que aumenta ainda mais a responsabilidade do clube na temporada. Clube que, para já, poderá lucrar bastante a partir de julho de 2010, logo após o Mundial da África do Sul. Tudo porque, como apontou o jornalista António Barroso do diário Record há cerca de dois meses, o Benfica terá simplesmente quase todo o time titular disputando a próxima Copa do Mundo.

Pela seleção brasileira, estarão na Copa o meia Ramires e o zagueiro Luisão. Cardozo representará o Paraguai, e Javi Garcia é opção para o selecionado espanhol. A Argentina deverá levar Di María, Aimar e Saviola. O Uruguai não deverá prescindir de Maxi Pereira. E Carlos Queiroz, provavelmente, repetirá algumas convocações recentes e chamar Nuno Gomes e Fábio Coentrão – e ainda o goleiro Quim. Como se vê, o Benfica pode montar um onze apenas com jogadores que estarão na próxima Copa. O Sporting não tem essa possibilidade, algo também muito remoto para o Porto. Resta saber o quanto os encarnados poderão capitalizar com essa onda positiva que há muito não se via pelos lados da Luz.

Golo de Letra
 

Foi na cidade do Porto
(se a nomeio é que me importo
com a palavra dos lugares)
que te amarei, rio abaixo
Rio Douro, o que é que eu acho?
Fazes bem em desaguares

(Mísia, “A palavra dos lugares”, CD Paixões Diagonais, Warner)

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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