Porto detona Sporting e vence duelo entre os últimos campeões portugueses
Mentalmente superior aos Leões, Dragões martelaram vantagem com dois pênaltis no final
O Porto fez uma partida à altura de sua tradição e status como detentor do título português. Dentro de um Estádio do Dragão lotado neste sábado (20), a equipe da casa derrotou o Sporting por 3 a 0, com grande imposição mental.
A primeira etapa foi bastante pegada e com grandes chances dos dois lados. Os goleiros Antonio Adán e Diogo Costa trabalharam demais ao longo da partida. O Porto tentou executar sua proposta ofensiva e procurou espaços na defesa sportinguista, mas falhou demais no último passe. Até o intervalo, o jogo ficou amarrado demais para gerar alguma emoção. O único momento realmente relevante foi o gol de Evanílson, confirmando o bom volume portista. O brasileiro, revelado pelo Fluminense, tirou o zero do placar aos 41 minutos. Quem reclamava de marasmo viu um duelo completamente diferente na segunda metade.
Em todos os lances, o Porto parecia ter absoluto controle sobre as ações do Sporting e isso pesou para que do meio para frente, o time de Sérgio Conceição tivesse enorme tranquilidade para sair jogando de sua área e buscando o ataque. Conforme o tempo passava, as ações se intensificaram. Quando o relógio marcou 70 minutos jogados, algo mudou na cabeça do Sporting, que se descontrolou e começou a cometer erros imperdoáveis. Erros surpreendentes, dentro do que conhecemos do trabalho de Rúben Amorim. O primeiro deles, de cinema. Uma bola que ia na direção do gol foi defendida por Pedro Porro de maneira espetacular. Só havia um problema: Porro não é goleiro. Expulso sem reclamações, Porro viu de fora do campo o pênalti batido por Mateus Uribe.
Daí em diante, o Porto sobrou e explorou o contragolpe para sacramentar sua vantagem. Quando falhou em impedir o ataque do Sporting, viu Diogo Costa brilhar com grandes defesas. Não foram tantas assim para mudar o resultado. O que mudou (e consolidou) de fato o clássico foi a jogada de Pepê para Galeno. A tabelinha brasileira terminou com Galeno disparando para a área e insistindo na jogada até ser derrubado por Adán. Ninguém no Sporting se surpreendeu ou protestou pelo lance. O próprio Galeno bateu e fez.
Ainda houve tempo para que Conceição tirasse Gabriel Verón do banco na vaga de Pepê, que foi o motorzinho do time e fez excelentes ligações para desafogar o meio-campo dos Dragões. O ex-palmeirense entrou bem, participou com intensidade e acabou sendo vítima de um erro de arbitragem. Verón havia feito seu primeiro gol no clube, driblando o goleiro depois de roubar uma bola boba do defensor sportinguista. No entanto, a arbitragem considerou que o atacante cometeu falta no desarme e anulou o lance, frustrando o jovem.
O triunfo portista é a demonstração de que o trabalho de Sérgio Conceição, já de longo prazo, ainda não está nem perto de se esgotar. O time mostrou muita sincronia, vontade e agressividade. Vencer um duelo contra um rival direto pelo título é um depoimento gigantesco de que os Dragões são favoritíssimos a reter o troféu da liga.
Ao Sporting, resta juntar os cacos e refazer a defesa, desfalcada de Pedro Porro para a próxima rodada, diante do Chaves. A derrota não desabona a grande recuperação do clube promovida por Amorim. Energia o Sporting tem de sobra para se remontar e buscar uma campanha tão digna quanto as últimas temporadas mostraram. Enquanto isso, o Porto nada de braçada na liderança, com três vitórias em três partidas e apenas um gol sofrido.



