Portugal

Perto do adeus

Uma semana após a realização do sorteio das eliminatórias européias para a Copa de 2010, Portugal conheceu seus adversários da fase final da Eurocopa-2008. Se o caminho rumo ao Mundial da África do Sul não é dos mais agradáveis (só para refrescar a memória, os Tugas terão que passar pela Suécia e Dinamarca), o percurso na Eurocopa-2008 é bastante acessível e pouco amedrontador. A seleção do técnico Luiz Felipe Scolari caiu no Grupo A e terá pela frente a Suíça (país-sede do torneio ao lado da Áustria), a República Checa e a Turquia. Nenhuma dessas equipes é francamente superior ao esquadrão português, que ainda teve a sorte de ficar sediado na Suíça, país com 200 mil imigrantes lusos.

Se muitos criticam o ranking de seleções da Fifa, o que dizer do ranqueamento criado pela Uefa para esse sorteio? Apesar de ter ficado em 2º lugar na última Eurocopa e do 4º lugar no Mundial do ano passado, Portugal ficou apenas no Pote 3. Poderia ter ido parar no Grupo C, ao lado de Holanda, Itália e França – e denomina-lo de “Grupo da Morte” seria pouco. A sorte sorriu para os Tugas, que se ficarem em primeiro lugar poderão ter o benefício de permanecer na Suíça e enfrentar o segundo colocado do Grupo B, composto por Áustria, Croácia, Alemanha e Polônia – e, do mesmo modo, nenhuma destas equipes tem potencial nitidamente superior ao da equipe portuguesa.

Pensando ainda nas perspectivas do torneio, se Portugal avançar à semifinal pegará outra equipe do Grupo A, com quem já terá se defrontado antes, ou do Grupo B. Assim, alguns grandes favoritos, como França, Itália e Holanda, só apareceriam na finalíssima. O mesmo vale para a Grécia (entalada desde a última Eurocopa) e para a Espanha (incômodo rival histórico), que estariam frente a frente com os Tugas apenas na decisão. Scolari, portanto, tem condições de fazer nova história à frente da seleção lusa e despedir-se em grande estilo – o técnico declarou na última semana que não irá discutir nova renovação de contrato com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Técnico e cartola evitam otimismo exagerado

Felipão descartou de cara que a Eurocopa será fácil: “estão aqui 16 das melhores equipas da Europa, e se alguém se apresentar como favorito pode cair do cavalo. A República Checa foi 1ª no seu grupo, nós e a Turquia ficamos em 2º e temos ainda a equipa da casa”. O presidente da FPF, Gilberto Madail, também foi mais comedido com este sorteio do que com o das eliminatórias para a Copa de 2010. O cartola recusou igualmente as facilidades e ressaltou o equilíbrio de todos os grupos. Sobre a renovação do contrato de Felipão, Madail desconversou – dando conta, talvez, da impossibilidade de mantê-lo no cargo após a Eurocopa: “Não falo sobre esses assuntos antes de começar a fase final da competição. A seu tempo analisaremos”.

Para já, Scolari poderá trabalhar o favoritismo de Portugal se souber colocar o foco das disputas do grupo sobre o explosivo encontro entre Suíça e Turquia. Nas eliminatórias para o Mundial da Alemanha, essas duas seleções se enfrentaram na repescagem; a Suíça obteve a vaga fora de casa, em encontro que terminou em pancadaria brava. Como o time da casa será apenas o último adversário (a 15 de junho), seria interessante se Portugal já chegasse à ultima rodada classificado, com vitórias sobre Turquia (em 7 de junho) e República Checa (11 de junho). Agora, qual será o empenho de Felipão, sabendo-se que ele deixará o time logo após o fim do torneio?

O técnico brasileiro assumiu o comando dos Tugas no final de 2002 e fez sua estréia contra a Itália em fevereiro de 2003. De lá pra cá, foram 67 partidas – o recorde de um técnico com a seleção nacional –, com 39 vitórias (outro recorde), 18 empates e 10 derrotas. Antes da Eurocopa-2008, terá 23 dias de concentração com o elenco a fim de acertar a parte tática e definir um time-base, algo que deixou a desejar após a Copa de 2006. Scolari teve que renovar o time do Mundial e suprir a ausência do ex-capitão Luís Figo. Sabe agora que, além de ter que acertar a equipe para o torneio continental, estará também dando cara ao grupo que ira disputar as eliminatórias para o Mundial logo na seqüência.

Seleção lusa em alta, clubes em baixa

Se a Seleção Portuguesa chega à próxima Eurocopa com certo favoritismo (nas principais casas de apostas londrinas os Tugas estão entre os três mais cotados), os clubes portugueses não cumprem o mesmo papel na Liga dos Campeões. O Porto, que tinha a vida razoavelmente tranqüila no Grupo A, é o único que se salva. Mesmo assim, pega em casa o imprevisível Besiktas e, se perder, fica fora da competição. É óbvio que os Dragões têm amplo favoritismo, mas a goleada sofrida diante do Liverpool por 4 a 1 não foi bem digerida pelo clube. De todo modo, só uma catástrofe deixa o clube das Antas de fora, já que o Besiktas não ganhou nenhum jogo fora de casa e ainda foi goleado por 8 a 0 em Liverpool.

Sporting e Benfica, mais uma vez, decepcionaram e já estão de fora da próxima fase da Liga dos Campeões. Os Leões pelo menos asseguraram o 3º lugar do Grupo F – e garantiram vaga na Taça Uefa. Já o clube da Luz só tem uma opção para não ser um fiasco completo na temporada: vencer o Shakhtar Donetsk fora de casa, ficar com o 3º lugar do Grupo D e ganhar o consolo de ir à Taça Uefa. Detalhe: no jogo de ida, os encarnados foram derrotados em Lisboa por 1 a 0. Além disso, o Benfica ainda tem que curar as feridas pela derrota em casa por 1 a 0 para o Porto, no último sábado, em clássico que sacramentou a liderança e a supremacia dos Dragões no campeonato português.

Golo de Letra

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim…
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim…

(Trecho do poema “A neve”, de Augusto Gil)

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Equipe Trivela

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