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Paulo Bento é uma ótima aposta do Cruzeiro, mas é preciso paciência

Quando o Cruzeiro demitiu Deivid do comando do time, ficou claro que a aposta no novato foi uma falta de opção, não uma escolha consciente. Um problema que o clube pagará a conta, já que o seu novo técnico começa o trabalho já com o Campeonato Brasileiro em andamento. A boa notícia é que a escolha é ótima. Paulo Bento é um treinador que tem um bom histórico e tem no currículo ter dirigido a seleção do seu país, que é algo importante.

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Um dos aspectos mais importantes que o Cruzeiro terá que lidar é a tão falada adaptação. É um dos mais importantes aspectos, porque Paulo Bento tem como histórico apenas o trabalho em Portugal. Primeiro no Sporting, onde fez um bom trabalho e conquistou duas vezes a Copa de Portugal, e na seleção portuguesa, onde conseguiu chegar à Copa do Mundo, contando muito com um time montado ao redor de Cristiano Ronaldo.

O que se viu especialmente na seleção portuguesa não foi um time que brilhava com a bola nos pés. O time tinha marcação muito forte e contra-ataque rápido. O time não gastava muito tempo trocando passes, nem era um time que controlava muito o jogo. Era veloz pelas pontas, com uma marcação forte nos adversários que dificultava para as seleções mais fortes também, como na Eurocopa de 2012. Ali, o time foi eliminado na semifinal diante da Espanha, mesmo tendo jogado até melhor. A derrota veio nos pênaltis.

Na Copa do Mundo, porém, o desempenho já ficou abaixo do esperado. Há justificativa, porém. Cristiano Ronaldo chegou baleado ao Mundial, já vindo de uma temporada bastante desgastante no Real Madrid – no qual jogou a final da Champions League já no sacrifício. O time não conseguiu ir além da primeira fase, mas tinha um grupo complicado com Alemanha, Estados Unidos e Gana.

Ainda assim, o seu trabalho foi bastante contestado após o Mundial. A derrota para o Azerbaijão logo na primeira partida das Eliminatórias para a Eurocopa foi o limite da Federação Portuguesa, que o demitiu. Era setembro de 2014. Desde então, não trabalhou mais.

O seu trabalho na seleção portuguesa, especialmente, é uma referência, mas não é um parecer definitivo. Os bons técnicos conseguem se adaptar aos seus elencos para encontrar as soluções para os problemas que aparecem. Por isso, é bem possível que vejamos o Cruzeiro de Paulo Bento bem diferente da seleção lusa que esteve no Brasil em 2014.

O grande ponto para o Cruzeiro é saber esperar. A contratação até o final de 2017 é um bom sinal de que ele terá tempo para trabalhar, mas ainda é preciso ressaltar que a diretoria precisará ter paciência. O treinador terá que se adaptar a uma realidade muito diferente no Brasil. Diferente até de clubes sul-americanos como um todo, que dirá então do futebol europeu ou de seleções.

Vale lembrar também que Portugal é uma grande escola de treinadores. Não por acaso nomes de técnicos portugueses pintam pelo mundo. entrevistamos Sérvio Vieira, que treinava a Ferroviária, um dos times que mostrava ótimo futebol no Campeonato Paulista. Os portugueses produzem muito mais técnicos do que proporcionalmente tem de tamanho. Considerando que o Brasil é um país com condições de pagar um bom salário e com uma cultura que é mais fácil para um português se adaptar do que, por exemplo, o Leste Europeu, apostar em um técnico português é algo que faz sentido.

Quando pedimos soluções criativas para os clubes, em parte é disso que falamos. Trazer também treinadores com ideias novas, sejam eles nacionais, como Milton Mendes, técnico do Santa Cruz e que mostrou bons conceitos, seja treinadores estrangeiros, como Diego Aguirre e Patón Bauza, técnicos do Atlético Mineiro e São Paulo, respectivamente. Paulo Bento é uma aposta inesperada e interessante. Que o Cruzeiro tenha paciência com o técnico português, especialmente nos primeiros meses, quando as dificuldades devem ser maiores. Como bem sabemos, os trabalhos com mais tempo costumam render mais.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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