Portugal

O primeiro troféu europeu

Ficou sacramentado, no último sábado (5 de abril), aquilo que todos já esperavam: o Porto sagrou-se tricampeão português (o 23º título de sua história) ao superar o Estrela Amadora em casa por categóricos 6 a 0 – a maior goleada do campeonato até agora. Se não bastasse a chuva de gols no Estádio do Dragão, o triunfo portista serviu ainda para referendar duas marcas interessantes: o Porto é o primeiro clube europeu a conquistar um campeonato nacional nesta temporada; e, ao mesmo tempo, nunca a equipe havia sido campeã com tanta antecedência (cinco rodadas antes do fim do certame).

A supremacia do clube das Antas é de tal ordem que até a ameaça de o título ainda não estar confirmado soa como uma excrescência da justiça desportiva em Portugal. Para quem não sabe, a Comissão Disciplinar da Liga estuda uma punição ao Porto na seqüência das investigações do caso “Apito Dourado”. Cogitou-se que o agora novo campeão português fosse punido com a perda de seis pontos neste campeonato – algo que até agrada o próprio Porto, pois não alteraria nada. Se a punição vier e for implantada na próxima temporada, aí as coisas poderiam ficar mais complicadas, pois o time começaria com seis pontos negativos.

De todo modo, a conquista do Porto é incontestável: o time tem o melhor ataque (49 gols), a melhor defesa (apenas 9 gols sofridos) e o maior artilheiro do campeonato (Lisandro López, com 21 gols, 10 gols à frente do segundo colocado, o benfiquista Cardozo). Em casa, a campanha tem sido irretocável: em treze jogos, apenas um empate e 12 vitórias. Fora de casa, o retrospecto é igualmente positivo: em 12 partidas, oito vitórias, dois empates e duas derrotas. Com 63 pontos, a diferença para o vice-colocado é hoje de 18 pontos. Ao todo, um aproveitamento de 84% – algo semelhante ao conquistado por José Mourinho no campeonato de 2003.

Pinto da Costa já pensa no tetra

Duas capas de domingo dos principais jornais esportivos portugueses não iam muito além do factual para retratar a conquista dos Dragões. A Bola estampava “Festa de golos”, enquanto o Record trazia “Porto 23 – Dragões carimbam o tri com a maior goleada da Liga”. O jornal O Jogo, por sua vez, procurou valorizar a controversa figura do presidente do clube, ao apresentar “23º título dos Dragões – 16º Título de Pinto da Costa”. Talvez seja uma lembrança justa, para além das acusações que têm apontado o cartola como um dos aliciadores do já referido caso “Apito Dourado”.

Cabe referir que o Porto chegou hoje aonde está exatamente por força da mão-de-ferro de Pinto da Costa, que já dirige o clube desde 1982. Assim que terminou o jogo dom o Estrela Amadora, o presidente portista veio a público dizer que já começava a planejar a conquista do tetra. Pois é justamente esse espírito vencedor (e por vezes totalitário) que faz a diferença entre os grandes em Portugal. Para já, o atual técnico Jesualdo Ferreira está confirmadíssimo para a próxima temporada, depois da renovação de contrato. Jesualdo, aliás, terá a oportunidade de ser o primeiro técnico português a conquistar três campeonatos consecutivos (ele só chegou ao Porto em agosto de 2006).

A luta do Porto, agora, é superar a marca de conquistas domésticas do Benfica – algo que parecia inalcançável há cerca de 10 anos. A diferença entre os arqui-rivais, agora, é de oito títulos (o Benfica ainda permanece soberano com 31 campeonatos nacionais). De todo modo, os Dragões começam a desvencilhar-se folgadamente do Sporting, que estancou nos 18 títulos. Algo muito diferente do que se viu até a metade da década de 1970, quando o Benfica ostentava 23 títulos, o Sporting 14 e o Porto apenas cinco.

Entretanto, o campeonato ainda não acabou

O título do Porto (mesmo que a justiça lhe tire seis pontos, algo que não modificará o resultado final), porém, não acaba com o interesse do campeonato. A briga pelo vice-campeonato e a conseqüente vaga direta na próxima Liga dos Campeões promete ficar acesa durante as próximas cinco rodadas. Benfica e Vitória de Guimarães, ambos com 45 pontos, são os mais diretos concorrentes, mas o Sporting ameaça voltar à luta, agora que chegou aos 43 pontos.

Por falar no Sporting: a disputa de três competições simultâneas é o que pode fazer com que o clube não tenha fôlego necessário para cumprir seus objetivos em todas elas. No campeonato, só resta tentar o segundo lugar ou o terceiro – que ainda lhe daria o direito de disputar a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Na Taça de Portugal, por outro lado, os Leões têm o Benfica numa semifinal a ser disputada em casa. Se não bastasse tudo isso, ainda é preciso preocupar-se em vencer o Rangers em casa na próxima quinta-feira (10 de abril), no jogo de volta das quartas-de-final da Taça Uefa. O empate sem gols no jogo de ida foi razoável, pois obriga o Sporting a não levar gols em Alvalade, sob pena de poder comprometer sua classificação.

Golo de Letra

Tudo o que faço ou não faço
Outros fizeram assim
Daí este meu cansaço
De sentir que quanto faço
Não é feito só por mim.

(Trecho da canção “Cansaço”, interpretada por Amália Rodrigues)
 

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Equipe Trivela

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