Portugal

O enigma chamado Benfica

Quando a diretoria do Benfica resolveu contratar o técnico espanhol Quique Flores em maio deste ano, o objetivo era muito claro: apagar a temporada anterior desastrosa, quando a equipe ficou em quarto lugar no campeonato nacional (e, conseqüentemente, perdeu a vaga na próxima Liga dos Campeões). Nas competições européias da temporada passada, o fiasco não foi menor: eliminação na fase de grupos da Liga de Campeões e, mais tarde, derrota para o “poderoso” Getafe nas oitavas-de-final da Taça Uefa. Para completar, derrota também para o Sporting na semifinal da Taça de Portugal.

Os resultados ruins têm uma explicação razoável: o Benfica teve três técnicos ao longo da última temporada. Começou com Fernando Santos, que preparou a pré-época, mas que saiu logo no início do campeonato devido ao desgaste trazido do ano anterior; continuou com o espanhol José Antonio Camacho, que trazia em seu histórico o triunfo da Taça de Portugal em 2004, mas que não suportou a pressão por resultados e pediu demissão em março deste ano; e terminou com Chalana, ex-jogador e treinador-adjunto, que apenas cumpriu um mandato-tampão sem grande êxito.

A chegada de Quique Flores não representa apenas uma mudança no cargo de treinador, mas também uma mudança significativa do elenco benfiquista. Até o final do último mês de julho, saíram da Luz 12 jogadores (e o brasileiro Luisão também manifestou o desejo de sair) e chegaram outros 10 (ainda pode chegar Luis Flores, do Espanhol). Isso sem contar com a aposentadoria de Rui Costa, que assumiu a direção de futebol do clube. Com tantas mudanças, o desafio do novo treinador espanhol é conseguir montar um time com padrão de jogo razoável em pouco tempo, além de obter a confiança da imprensa e da torcida.

Para já, Flores e o Benfica são uma incógnita: em quatro partidas realizadas nesta pré-temporada, os Águias ainda não obtiveram nenhuma vitória: foram dois empates (1 a 1 com o Estoril e 2 a 2 com o Paris St. Germain) e duas derrotas (2 a 0 para o Sporting e 3 a 2 para o Blackburn). Tudo bem que vencer na pré-temporada não vale nada, mas as recentes atuações do Benfica demonstram que há muito a ser feito – e o time só vai engrenar daqui a alguns meses. Resta a dúvida se o clube voltará a ser um fiasco ou se poderá fazer frente – ao menos no plano doméstico – aos rivais Porto e Sporting, que, por enquanto, estão alguns passos à frente na corrida pelo título doméstico em Portugal.

O enigma Boavista

Ao contrário do que esta coluna vaticinava na semana passada, o imbróglio jurídico que emperrava o futebol português foi rapidamente resolvido. Na última terça-feira (29 de julho), a Federação Portuguesa de Futebol divulgou nota em que dizia ter apresentado “oposição à providência cautelar do Boavista no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa e declarou o interesse público para obstar aos efeitos suspensivos da mesma providência”. Ao declarar o tal “interesse público”, a entidade, por meios legais da justiça portuguesa, conseguiu cancelar os processos que ameaçavam paralisar o início dos campeonatos da 1ª e 2ª divisões. A decisão mais drástica foi o rebaixamento do Boavista para a Segundona.

Após ter sido campeão nacional da temporada 2000/2001 e semifinalista da Taça Uefa na edição 2002/2003, o Boavista entra assim na fase mais obscura de sua história. Tanto que o clube foi desligado da Taça da Liga – aquela criada no ano passado e que opõe apenas os clubes da 1ª e 2ª divisões. É que, com o rebaixamento, os axadrezados teriam que estrear no último final de semana nesse torneio, quando entraram em campo apenas os times da segundona. Só que não há um número mínimo de jogadores para inscrição junto à Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP).

A situação tende a ficar ainda pior, já que o clube tem salários de jogadores e de comissão técnica em atraso – e ainda deve ao fisco português. Por força disso, ainda não foram reunidas as garantias necessárias para participar da segunda divisão. Com o rebaixamento, ainda, alguns atletas rescindiram contrato mesmo antes do início da temporada, e é provável que o clube chegue esfacelado para disputar o próximo campeonato. Sintomaticamente, o Major Valentim Loureiro, antigo mandatário do clube e principal acusado do processo Apito Dourado, não se tem pronunciado a respeito.
 

Golo de Letra

Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

(Trecho da canção “Problema de Expressão”, do grupo Clã)

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Equipe Trivela

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