Portugal

No conjunto da obra, um bom início luso

Dois jogos em casa, com uma vitória e um empate. No saldo, o futebol português não empolgou, mas deixa a primeira rodada da Liga dos Campeões com a sensação de um bom começo. O Porto não teve uma atuação que recordasse a temporada passada, mas dominou todo o confronto contra o Shakhtar Donetsk e não fosse a falha bizonha de Helton no lance do gol dos ucranianos – e talvez a penalidade perdida por Hulk, antes do gol de Luiz Adriano -, provavelmente teria deixado o Estádio do Dragão sem ter sido vazado e com os mesmos três pontos que assegurou com a vitória por 2 a 1.

Já o Benfica, que ficou no 1 a 1 com o Manchester United, pode encarar o resultado de duas formas. Por um lado, não perdeu para um dos reais candidatos ao título da LC tendo inclusive vivido momentos muito bons diante dos Red Devils –e vale lembrar, é só a segunda vez na história que os Encarnados não perderam para os mancunianos. Por outro, todavia, a equipe perdeu a chance de fazer três pontos em casa (somou só um) contra o mais forte concorrente de seu grupo, e sabe que poderia sim ter ido melhor, tendo em vista que o United poupou jogadores para o embate do final de semana na Premier League.

Comecemos com o Porto. O técnico Vítor Pereira parece ter encontrado de vez seu time-base. Um 4-3-3 com Fernando recuperando seu espaço na volância e João Moutinho tendo a companhia de Steven Defour no meio. Na zaga, Nicolas Otamendi e Maicon atuaram juntos, mas um deve dar vaga ao titular Rolando, que estava suspenso. À frente, o trio latino Hulk, James Rodriguez e Kleber. Hulk e James, aliás, mostraram que têm tudo para ser ainda mais protagonistas, e no momento que Kleber amadurecer mais como substituto de Radamel Falcão Garcia – algo que nem ele esperava virar tão rápido – os Dragões certamente terão uma das melhores linhas de frente da Europa.

Atualmente, a equipe ainda está se encontrando, com Pereira buscando dar ao time. À frente, faltou mais pontaria e Kleber aparecer melhor no ataque. Marcou o seu, é verdade, mas esteve relativamente sumido. Hulk fez bom jogo, criou, apareceu, mas em que pese ter feito o seu (um golaço, diga-se de passagem). Pelo meio, Defour trabalhou bem a bola e parece cada vez mais se entender com Moutinho – aliás, o português se firma cada vez mais como um meia de fácil entrosamento para quem atua a seu lado, a julgar pelo bom futebol apresentado ao lado tanto de Belluschi como de Freddy Guarin.

Mas o grande nome do jogo diante dos ucranianos foi mesmo James Rodriguez. O jovem colombiano, que já havia sido um dos destaques da temporada passada em Portugal mesmo sem ser titular, fez de tudo contra o Shakhtar: correu, driblou, armou, sofreu o pênalti perdido por Hulk, mandou bola na trave e entregou um gol nos pés de Kleber. Não fez o seu por ironia do destino, mas não só evidenciou o porquê de ter deslocado o bom Silvestre Varela para o banco como mostrou que é o candidato a ser nesta temporada o que foi Hulk na época anterior: o “cara” e a referência de um Porto cada vez mais amadurecido.

O Benfica, por sua vez, era esperado com uma característica mais ofensiva do que a que levou à Luz para enfrentar o Manchester United, especialmente porque (enfim!) Jorge Jesus vinha mostrando ter encontrado sua equipe mais ou menos ideal. Ante os Red Devils, Jesus lançou um Benfica com dois volantes (Rúben Amorim e Javi Garcia), com Pablo Aimar, Nicolas Gaitán e Alex Witsel na ligação com um centroavante à frente (Oscar Cardozo). A surpresa aí foi a entrada de Amorim no lugar de Javier Saviola (ou Nolito, embora o argentino tivesse passado a ganhar a posição de titular na liga portuguesa).

Curiosamente, o Benfica mais contido acabou se mostrando uma saída interessante nos primeiros 45 minutos, mesmo com os ingleses deixando Chicharito Hernandez e Nani no banco e estando visivelmente menos encorpados do que se esperava. As Águias fizeram um bom primeiro tempo. Ainda que tivessem começado sob cerco mancuniano, aos poucos os portugueses tomaram para si o domínio do confronto e contaram com um jogo inspirado de Gaitán. O argentino deu velocidade e vazão às jogadas encarnadas. Foi ele o jogador vermelho que mais procurou o jogo, e foi de um belo lançamento do meia que o SLB inaugurou o marcador na Luz.

A contenção benfiquista comportou-se bem – mesmo com o gol sofrido de Ryan Giggs – especialmente a dupla de zaga Ezequiel Garay e Luisão, que anulou Wayne Rooney e forçou Alex Ferguson a levar Chicharito e Nani a campo para tentar mudar o jogo – o que não ocorreu. No meio, por sua vez, a criação não foi além de Gaitán – ainda que Aimar não estivesse no pleno de sua forma física – e a própria disposição das Águias não deu muita vazão a isso. Mesmo a entrada de Nolito, que teve duas boas chances, não mudou a postura mais preocupada que ousada dos lisboetas. Até compreensível, dado o rival, mas que poderia ter se alterado ao longo da partida.

Os placares de Porto e Benfica não mudam as perspectivas iniciais de ambos os times. Tanto Dragões como Águias devem se classificar sem maiores problemas. Os portistas, pode-se dizer, até podem comemorar a derrota do Zenit para o APOEL, o que deve levar os russos a jogarem bem abertos em casa, algo positivo a James e Hulk. Os benfiquistas, por sua vez, terão pela frente o Otelul, que não assustou ao Basel e contra quem o time lisboeta e franco favorito. Em condições normais, os Encarnados devem fazer 7 pontos em casa (considerando vitórias sobre romenos e suíços), daí a importância de assegurar três pontos contra ao menos uma de suas partidas como visitantes.

Triste Boavista

O tradicional Boavista, campeão português em 2000/01, vive a pior fase de sua história e corre sério risco de descer mais uma divisão. O clube, que está na II Divisão – terceiro escalão do país – e que na temporada passada quase retornou à Liga de Honra – possui uma dívida de 2 milhões de euros com 23 jogadores, seis treinadores e um clube não divulgado. A lista de credores poderia estar ainda maior, mas atletas históricos, como Mário Silva (treinador da equipe principal), Martelinho (treinador dos juniores), Fary (jogador do atual elenco), Mário Loja e Vítor Borges acabaram não acionando os axadrezados na Justiça.

Os últimos dias foram de enorme correria no Estádio do Bessa, envolvendo conversas com advogados dos credores. O prazo final para que o Boavista sanasse os problemas era esta quarta-feira, mas o Aliados do Lordelo, adversário de abertura na II Divisão e contra quem os portuenses iriam jogar nesta quinta, aceitaram adiar a partida para o próximo dia 21. O clube terá mais cinco dias para inscrever a equipe na competição sem mais problemas com os cobradores, sob pena de ser rebaixado ao campeonato distrital. Os torcedores axadrezados chegaram até a fazer uma passeata pedindo aos credores que retirem as cobranças para que o Boavista dispute o torneio. Fase muito triste da equipe que há dez anos sagrava-se como a melhor de Portugal.

Na Liga Portuguesa….

Após quatro rodadas, o Porto de Vítor Pereira vai seguindo os passos da equipe de André Villas Boas em 2010/11 e é o único time 100% até o momento. O ataque está em alta: são 12 gols até o momento, média de 4 por jogo. Benfica e Braga dividem a vice-liderança com 10 pontos, estando os Encarnados a frente no número de gols marcados. E aí, Leonardo Jardim tem começado a acertar em pelo menos um dos pontos de sucesso de Domingos Paciência nos minhotos: a defesa. Afinal, o Braga tem, ao lado do Beira-Mar, o sistema defensivo menos vazado até o momento, tendo levado somente um gol em quatro partidas.

O Sporting se reabilitou e conseguiu uma suada vitória fora de casa diante do Paços de Ferreira. Os Leões saíram atrás ainda no primeiro tempo com dois gols de Michel e embora pressionassem, passaram 70 minutos sem realmente assustar os Castores. Nos trinta minutos seguintes, contudo, o Sporting deu alguma esperança aos torcedores e reagiu de forma elogiável – ainda que com o apoio da (justa) expulsão de Nuno Santos. Marat Izmailov retornou bem ao time verde de Lisboa e Elias parece ter encaixado como uma luva no meio campo leonino – ambos marcaram diante do Paços. Van Wolfswinkel, que substituiu um Bojinov que ainda não disse a que veio, garantiu o primeiro triunfo do SCP na Liga.

Olho europeu

Sporting e Braga debutam nesta quinta-feira na Liga Europa. Os Leões, motivados pela vitória contra o Paços de Ferreira, terão pela frente o Zurich, fora de casa. Na lista de convocados para o jogo divulgada pelo técnico Domingos Paciência, destaque à ausência, mais uma vez, do zagueiro Daniel Carriço. Tido como um defensor promissor, Carriço vem de uma temporada 2010/11 decepcionante, justo quando assumiu de vez a titularidade no setor e virou capitão. Já os Arsenalistas visitam o Birmingham, pelo grupo H, tendo como destaque o retorno do atacante Paulo César, que se recuperou de lesão. Embora longe de Portugal, a dupla lusa vai a campo com favoritismo.

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Equipe Trivela

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