Portugal

Na trilha certa

Pela primeira vez na história, Portugal chora a eliminação nos pênaltis numa grande competição. Está certo que até a queda diante da Espanha na Eurocopa, a seleção não havia entrado em muitas disputas desse tipo. Mas tinha 100% de aproveitamento, fruto de duas vitórias sobre a Inglaterra, na Euro 2004 e na Copa do Mundo de 2006.

O sentimento refletido pela imprensa portuguesa desde que a bola chutada por Fàbregas acertou a trave e entrou no gol de Rui Patrício é uma mistura de tristeza pela eliminação com orgulho pela inesperada boa campanha, que trouxe esperança de dias melhores.

Mais do que badaladas estrelas como Cristiano Ronaldo e Pepe, o responsável pelo bom momento do time das Quinas atende pelo nome de Paulo Bento. O desacreditado técnico, que assumiu o cargo em setembro de 2010 com a missão de apagar o incêndio que se formava e levar à seleção à Polônia e à Ucrânia, agora é visto como alguém que conseguiu criar uma identidade da equipe e agrada em cheio aos jogadores.

Tivesse Portugal sido eliminado na primeira fase da Eurocopa, nenhuma corneta soaria tão forte – a menos, claro, que isso ocorresse com vexames. Mas, ainda que de maneira sofrida, a equipe passou pelo grupo da morte. Depois, superou a República Tcheca nas quartas de final e esteve a ponto de bater a atual campeã europeia e mundial e chegar à sua segunda final de Euro.

Questões técnicas à parte – há quem discuta a insistência com Hélder Postiga, por exemplo – o mérito de Paulo Bento esteve mesmo em dar uma identidade nacional ao time. “Ele teve a capacidade de unir a própria equipe e sempre apoiar os jogadores. Ele nos deixa tranquilos para fazermos o nosso trabalho”, disse o zagueiro Pepe, após o jogo contra os espanhóis. E ele não foi o único a elogiar o treinador, o que deixa evidente que os jogadores gostam do comandante e o respeitam como líder.

Mas nem só de boa liderança vive Paulo Bento. Outro ponto que merece destaque é o fato de Portugal ter sido superior à Espanha nos 90 minutos. Embora não tenha exigido nenhuma grande defesa de Casillas, ficou claro que os portugueses poderiam ter saído de campo vitoriosos, embora não se possa considerar o empate injusto. Já na prorrogação, a situação foi inversa, com os espanhóis bem mais perto da vitória, o que transformou Rui Patrício num dos protagonistas da partida. A falta de preparo físico dos portugueses no tempo extra, aliás, chamou a atenção, especialmente porque o time teve dois dias a mais de descanso que seu adversário.

Paulo Bento está no caminho correto e, a julgar pelo futebol apresentado na Eurocopa, tem boas chances de classificar Portugal para a Copa do Mundo de 2014. Vale lembrar que a Rússia, principal adversário na briga pela vaga direta, foi um fiasco no Europeu.

A própria Euro certamente um pouco mais de maturidade, algo que ainda carece ao técnico. A maneira como lida com as críticas é um bom exemplo disso. Se souber rebater os opositores mais com resultados em campo e menos com palavras, ele tem tudo para ir longe.

CURTAS

– Jogadores importantes, como Cristiano Ronaldo e Pepe, usaram o velho (e falso) chavão de que “pênalti é loteria” para justificar a eliminação de Portugal na Euro. Portanto, cabe a pergunta: tivesse a seleção saído vitoriosa, eles diriam que o triunfo foi obra da sorte?

– Segundo o jornal espanhol El Mundo Deportivo, o lateral português Fábio Coentrão teria provocado os jogadores do banco de reservas adversário ao fazer um gesto ofensivo, levando a mão à genitália de forma provocativa, durante a partida. O ato irritou os espanhóis.

– Na zona mista, Cristiano Ronaldo foi questionado sobre a expectativa de ganhar a Bola de Ouro da Fifa. “Estou confiante, como nos outros anos. Mas, como vocês sabem, a eleição depende de outras pessoas.”

– Contra a Espanha, o atacante do Real Madrid fez o seu 95º jogo pela seleção, tornando-se o terceiro jogador que mais vezes defendeu o país. Ele ultrapassou Rui Costa e está atrás de Luis Figo (127 jogos) e Fernando Couto (110 jogos).

– O goleiro Paulo Lopes, de 33 anos de idade, está de volta ao Benfica, clube que o revelou e de onde saiu em 2001/2002. Depois de peregrinar por Gil Vicente, Barreirense, Benfica, Salgueiros, Estrela da Amadora, Trofense e Feirense, ele vai encerrar nas Águias.

– Dirigentes do futebol português reúnem-se nesta semana para discutir o alargamento do campeonato nacional. A ideia é que os campeonatos da primeira e da segunda divisões passem a ter mais times a partir de 2013/2014.

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