Portugal

Na parada

Se pudesse ser conferida uma nota de zero a dez à rodada européia portuguesa — que será concluída nesta quinta, com Benfica e Herta Berlim, na Alemanha — esta poderia ser um bom 8. É bem verdade que, até o momento, os tugas contam com uma vitória e uma derrota, e 50% de aproveitamento. Mas as circunstâncias mostraram cenários até positivos, mesmo para quem saiu derrotado da rodada, além de, no confronto envolvendo os encarnados, haver um grande favoritismo da agremiação portuguesa.

Por ordem cronológica, comecemos com o Sporting, que, mesmo superado pelo Everton, tem onde se agarrar para encarar com otimismo o desenrolar da Liga Europa. Contra os ingleses, em Liverpool, a apresentação voltou a ser aquém do que merecem os torcedores leoninos, mas já se mostrou menos frágil do que as que foram vistas nas últimas rodadas da Liga Sagres e nos massacres sofridos para Porto e Benfica. Algo até justificável, afinal, todos em Alvalade sabem que o duelo vale a salvação da temporada.

A defesa, que parecia ser o setor menos deficiente em alguns momentos da temporada, tornou-se um tormento nos últimos jogos. E isso ficou, mais uma vez, evidente, especialmente após o gol de Pienaar — que tramou o lance com Cahill, aproveitando-se de uma zaga totalmente perdida — e os outros tantos avanços dos ingleses, que obrigaram o limitado e irregular Rui Patrício a se contorcer para evitar mais dois ou três tentos azuis.

No entanto, é fato que, com Izmailov, Pedro Mendes, Miguel Veloso e, no segundo tempo, com as entradas de Yannick Djaló e Saleiro, o Sporting apresentou um volume de jogo interessante, ainda que pecasse no passe final e, em muitos outros casos, na conclusão. Liedson esteve apagado, mas acabou mostrando porque, mesmo em má fase, segue titular: aproveitou-se da bobeada da defesa inglesa, invadiu a área e foi derrubado. O gol, na cobrança de Veloso, recolocou os Leões na parada. Afinal, um triunfo simples em Liverpool classifica os portugueses.

Apesar da derrota, jogadores e mesmo a mídia lusa consideraram o placar “positivo”. E de fato o foi, até pelo momento que vive o Sporting. Embora essa seja a quinta derrota nos seis últimos jogos (todos sem vitória), ela se deu com uma apresentação mais aceitável, dentro das limitações da equipe. O tento, aos 42 da segunda etapa, proporciona sentimentos que Alvalade via em falta há tempos: motivação e confiança. O que afeta atletas e, principalmente, a torcida, que se mostra incentivada a acreditar no prosseguimento na Liga Europa.

O Porto, por sua vez, aplicou no Arsenal os mesmos 2 a 1 que o Everton fez no Sporting, também jogando em casa. Em tese, vive uma situação semelhante à dos Toffees, já que uma derrota, como visitante, por 1 a 0, pode significar eliminação. Mas a circunstância é diferente, apesar do desafio portista ser mais perigoso do que o sportinguista. Tudo porque o clube das Antas venceu com uma autoridade bem maior à dos azuis de Liverpool sobre os lisboetas.

Não se diz que o Porto é mais time que o Arsenal, até porque se sabe que, tecnicamente, os Gunners estão tranquilamente à frente. No entanto, os portugueses estiveram quase sempre melhor em campo. Quando saiu o gol de Varela, na falha bisonha de Fabianski, o Porto já possuía um bom domínio, com boas tramas pelas pontas, ainda que Hulk se encontrasse visivelmente fora de ritmo (o jogador está suspenso preventivamente em Portugal) e destoasse do resto da equipe.

Outro ponto que se mostrou favorável aos portistas foi a boa capacidade da equipe em adaptar sua forma de jogar. A equipe atuou taticamente da maneira como começou a temporada, com o retorno de Raul Meireles e a enfim utilização de Ruben Micael no outro vértice do triângulo do meio-campo, em substituição a Belluschi — ainda que, visivelmente, na temporada, o melhor futebol da equipe tenha quando Meireles deu lugar ao argentino, que ao lado de Micael, vive seu melhor momento no Dragão.

Ocorre que o adversário requisitava mais cautela do que os rivais da liga portuguesa. E é verdade que, além de Hulk, Meireles também se mostrou com ritmo deficiente, mas foi mais efetivo que o brasileiro. No entanto, a precaução de Jesualdo Ferreira mostrou-se importante, já que, ciente da velocidade dos jovens ingleses do Arsenal, o treinador optou em não ter apenas Fernando na retaguarda. Meireles ataca, mas sabe voltar para a contenção, como Micael. O que Belluschi mostrou dificuldades ao longo da temporada.

Por falar em Ruben Micael, o meia mostrou o porquê de sua badalação. Desconhecido de muitos brasileiros, já vinha sendo decisivo para o Porto ao longo da época, e o foi novamente. Além de participar das principais jogadas da equipe, mostrou atenção e inteligência, ao agilizar a cobrança do tiro livre indireto, resultante do recuo de bola de Campbell para Fabianski. Sagaz, é um nome que, já há tempos, merece a atenção de Carlos Queirós na seleção. Até mesmo como titular.

É evidente que o 2 a 1 é pouco, o gol de Campbell pode fazer diferença e que um triunfo simples do Arsenal no Emirates leva os Gunners às quartas de final. Especialmente quando se lembra que, na última temporada, o clube londrino goleou os portistas por 4 a 0 em casa, pela fase de grupos da competição. Tudo isso é sabido. Porém, o domínio do Porto no confronto e o próprio fato de ter superado um dos fortes concorrentes ao título da atual Liga dos Campeões, bem como candidato na Premier League, motivam os comandados de Jesualdo para o jogo de volta.

Outro fator que pode ser positivo aos lusos, se bem observado e trabalhado, é o time ser mais experiente e menos afoito — algo que o jogo de quarta e que Fabregas admitiu, especialmente após o gol de Falcão, resultante da rápida jogada de Ruben Micael. A inexperiência já prejudicou o Arsenal em 2008/09, quando a equipe não viu a bola contra o Manchester United, em casa, perdendo por 3 a 1, bem como em outras decisões, e é apontada como o maior ponto fraco dos Gunners.

Em linhas gerais, é evidente que até poderia ser melhor o desempenho parcial dos portugueses. Ainda assim, se no confronto mais difícil, o Porto leva para a Inglaterra a vantagem do empate, no duelo teoricamente mais acessível, um combalido Sporting ganha uma força extra para surpreender, graças ao salvador tento de Miguel Veloso. Se não foi uma rodada suficientemente boa para dar alívio a Leões e Dragões, ao menos, trouxe esperança de algum sucesso em gramados europeus.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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