Portugal

Mês frenético

Os primeiros dias de fevereiro serão, certamente, um marco na turbulenta temporada do Sporting. Em cerca de 15 dias, o time decidirá seu futuro nas três competições em que ainda, pode-se dizer, está em “pé de igualdade” com os rivais na briga pelo título, sendo que, em duas delas, irá se deparar com seus dois principais rivais: Porto e Benfica.

Mais do que uma eventual classificação ou eliminação, o resultado que for obtido contra portistas ou encarnados dificilmente não se relacionará com o desempenho do time no complemento da Liga Sagres e mesmo na formação de elenco e comissão técnica para 2010/11, até em virtude do cenário que será presenciado com a conclusão dessas eliminatórias.

O primeiro dos jogos será contra o Porto, dia 2, no Dragão, pela Taça de Portugal. Confronto que, vista a dificuldade do clube das Antas em deslanchar na temporada, deverá presenciar um fato pouco comum na competição: os grandes atuando com praticamente tudo que possuem de melhor. Afinal, os portistas sabem que, após um tetracampeonato, passar um ano em branco dará início a uma inegável pressão para a próxima época.

O favoritismo dos tetracampeões nacionais se dá não só pela campanha superior na Liga Sagres, mas por sua maior consistência, principalmente defensiva, ainda mais porque o Sporting segue “em desenvolvimento” ofensivo na temporada. De qualquer forma, o próprio fato da Taça não ser “prioridade” no Dragão pode ditar um comportamento mais “contido” por parte do Porto em campo. Ou seja: uma equipe mais precavida do que o usual, que evite lesões desnecessárias.

O cenário para quem avançar se mostrar bastante positivo. O Braga, que aparece como o outro grande candidato ao troféu, deverá se encontrar em um momento em que deverá decidir o que priorizar, e, fatalmente, a Liga Sagres será o alvo escolhido pelos arsenalistas. Paços de Ferreira e Naval, favoritos às vagas nas semifinais, também estarão ocupados na briga para escapar da queda para a Vitalis, e, em condições normais, não devem ser grandes empecilhos.

Uma semana depois, será a vez dos leões decidirem um posto na decisão da Taça da Liga contra os rivalíssimos do Benfica. E aí, encontra-se um exemplo claro de como um jogo pode se tornar mais importante do que o é de fato. É notório que esta competição é “desprezada” pelos grandes, que geralmente a disputam com diversos reservas. Ainda assim, não bastasse ser um clássico, os torcedores do Sporting ainda têm na mente a decisão deste torneio em 2009.

À ocasião, como se sabe, o título, decidido entre os rivais lisboetas, ficou com o Benfica de forma polêmica. E nesta semana, após o sorteio, o representante sportinguista no evento e novo diretor de futebol, Miguel Salema Garção, disparou que “a Taça da Liga já deveria estar no museu” do clube, em alusão ao troféu do ano passado. Mesmo ativos na disputa do título nacional, dificilmente os benfiquistas mandarão um punhado de reservas para encarar um “vingativo” Sporting.

O jogo contra o Benfica, aliás, mesmo sendo em um torneio menos significativo, pode ser crucial para as pretensões do clube na temporada. Não que uma vitória garanta a conquista da Taça da Liga, visto que, do outro lado, estarão ainda Porto e Acadêmica. Ocorre que, mais do que prosseguir na competição, um triunfo sobre os rivais dará uma moral incomensurável para a sequência da Liga Europa (pela qual jogará no dia 16, contra o Everton), e mesmo para a Liga Sagres.

Tudo em virtude dos momentos discrepantes vividos pelos lisboetas, com um Sporting ainda cambaleante e incerto e um Benfica que briga firmemente pelo título, é um dos favoritos ao título da Liga Europa e que se encontra em paz com sua exigente torcida. Como se não bastasse, os alviverdes ainda precisam mostrar que o incidente entre Liedson e Sá Pinto já faz parte do passado, e não afetará os planos do time nesse momento decisivo.

E um possível (e duplo) tropeço, o que pode provocar? Primeiramente, por maior que seja a confiança depositada por José Eduardo Bettancourt em Carlos Carvalhal, o treinador se verá em uma situação delicada, até porque o criticado Paulo Bento, em crises anteriores, levara, ao menos, o Sporting ao vice-campeonato nacional. Além disso, a manutenção de nomes cotados para deixar Alvalade, como Miguel Veloso, Vukcevic e João Moutinho, ficará bastante dificultada. Nunca é pouco lembrar, os Leões possuem a realidade financeira mais fragilizada dos três grandes.

E para complicar, um fracasso geral fará com que, obrigatoriamente, deva-se tirar o pouco dinheiro que há no bolso e mudar o roteiro para a próxima temporada. As idas recentes dos sportinguistas ao mercado não inspiraram confiança nos torcedores, o que impregna de incertezas possíveis novas (e mais desesperadas) investidas para 2010/11. Desespero que pode ser evitado (ou postergado) em caso de sucesso nesse frenético começo de fevereiro.

Clima quente

A primeira pedreira do Sporting já será nesta sexta-feira, quando o clube encara o Braga, fora de casa. A partida, todavia, tem uma importância muito maior para os arsenalistas do que aos leões. Afinal, uma vitória frente a um dos grandes, no atual estado do campeonato, reforçará ainda mais a candidatura bracarense ao título inédito. E se provar, contra os grandes, que o time possui perfil de campeão é necessário, o momento dos atuais líderes do campeonato é esse.

Além disso, a rodada começa também com mais uma confusão de bastidores, esta envolvendo Braga, Benfica e Leixões. O empresário Jorge Teixeira é acusado pelo Ministério Público de ter aliciado três de seus jogadores no time de Matosinhos para que o time arrancasse pontos dos lisboetas, no jogo válido pela sexta rodada da competição, na Luz. O pedido teria como beneficiário o Braga, que desde então disputava a primeira posição contra os encarnados.

Braga e Leixões se manifestaram, através de comunicados, como inocentes no caso. Os bracarenses afirmam inclusive terem registrado, na ocasião, uma queixa-crime contra Teixeira, que teria usado o clube “numa suposta tentativa de aliciamento de jogadores”. O empresário, por sua vez, diz não ter sido ouvido, desconhece nomes ligados ao Braga, e refuta as denúncias. O Benfica, também em comunicado, confirma aguardar a apuração completa do caso. Já segundo o jornal Record, os jogadores haviam assumido, à época, ao treinador do Leixões, José Mota, que receberam os incentivos negados.

Curiosamente, o suposto fato já se deu há mais de três meses, e o jogo, que, teoricamente, deveria ser difícil aos benfiquistas, mostrou-se o total oposto, com vitória do time da Luz por 5 a 0. Evidentemente, é importante que as investigações sejam concluídas. O problema é que esta é mais uma a ser registrada, em pouco tempo, na já difícil realidade do Campeonato Português. Isso porque ainda há túneis, corredores e apitos sob observação, e ainda aguardando uma solução definitiva…

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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