Portugal

Meio caminho andado – II

Dando sequência ao resumo da primeira metade da Liga Zon Sagres, que será concluída na segunda semana de janeiro, a coluna analisa os times situados até o momento entre o 9º e 0 16º lugar. Destaque para a ascensão tardia do Marítimo, a queda de produção de Acadêmica e Olhanense, e o destino quase selado do rebaixamento para os lanternas Portimonense e Naval.

9ª Acadêmica

Expectativa inicial: meio da tabela
Expectativa para segundo turno: meio da tabela
Europa: Não tem
Destaque: Sougou

A Acadêmica começou a temporada de maneira promissora. Logo na estreia, mostrou mais futebol e venceu o campeão Benfica, na Luz. O estilo ofensivo, mas equilibrado no meio com o bom volante Nuno Coelho, estava surpreendendo, e após as primeiras seis rodadas, os Estudantes só não haviam marcado mais gols que o Porto. Daí em diante, porém, a irregularidade tomou conta da equipe, que perdeu a pegada de outrora. Para complicar, após duas goleadas sofridas, o promissor técnico Jorge Costa pediu demissão e encerrou a carreira. Sensação do começo da época, a AAC parece ainda zonza pelos resultados. O time é interessante, mas a distância para rivais diretos, como União de Leiria e Sporting, já deve ter minado o “sonho europeu” do emblema de Coimbra.

10º Marítimo

Expectativa inicial: briga por Liga Europa
Expectativa para segundo turno: meio da tabela
Europa: Eliminado na terceira fase eliminatória da Liga Europa
Destaque: Kleber Pinheiro

O Marítimo apegou-se bastante à Liga Europa, e nela havia aplicado até uma goleada história ante o Bangor City, por 8 a 2. Mas a eliminação para o BATE Borisov – mesmo com os madeirenses jogando melhor – derrubou o grupo. Mitchel Van der Gaag, antes idolatrado, não resistiu e acabou demitido. Além disso, a equipe penou com a ausência do atacante Kleber Pinheiro durante boa parte do começo da temporada, e atuando com um só atacante mais isolado (Baba Diawara), a bola até chegava, mas faltava alguém que a colocasse no gol. A reação iniciada após as primeiras vitórias na liga, já em outubro e com Kleber no grupo, tirou o clube da zona de perigo – de onde uma hora já iria sair -, mas o péssimo começo de campeonato comprometeu qualquer sonho de voltar à Europa.

11º Olhanense

Expectativa inicial: luta contra o rebaixamento
Expectativa para segundo turno: meio da tabela
Europa: Não tem
Destaque: Jardel

Após um bom começo de temporada, quando mostrou força ante adversários mais competitivos, como Vitória de Guimarães e Sporting, e feito partidas interessantes contra Acadêmica e Porto, o Olhanense sentiu a pressão. A equipe até tem um grupo interessante, com destaque principalmente ao zagueiro Jardel, um dos mais regulares do campeonato. Além dele, nomes como Jorge e João Gonçalves também se apresentaram bem. A carência ofensiva, todavia, é explícita. Foram somente 11 gols marcados em 14 jogos, além de uma sequência de sete jogos sem vitórias. Resultados que em nada ajudaram os algárvios na missão inicial de evitar a queda. Não fosse a campanha pífia de Portimonense e Naval, o time de Olhão já estaria novamente ameaçado.

12º Paços de Ferreira

Expectativa inicial: meio da tabela
Expectativa para segundo turno: luta contra o rebaixamento
Europa: Não tem
Destaque: Nelson Oliveira

Vencer não é muito o forte do Paços de Ferreira. Foram somente três triunfos em 14 jogos, dois deles entre a primeira e a sétima rodada, momentos em que a equipe vinha apresentando alguma qualidade. Pode-se dizer, no entanto, que os Castores decepcionam, se comparado à temporada passada. Se em 2009/10 o time mostrou um futebol mais corajoso, a ponto de ter sido um dos mais difíceis rivais do campeão Benfica, na atual época o grupo é insosso, ainda que jogadores como o promissor Nelson Oliveira e o meia Manuel José tenham buscado um diferencial. Quem está de volta para o segundo turno é o zagueiro Ozéia, de boa passagem na Mata Real antes de rumar ao Grêmio. Mas o time precisa mesmo é de um companheiro melhor para Nelson. Afinal, Rondon certamente não é esse nome.

13º Rio Ave

Expectativa inicial: meio da tabela
Expectativa para segundo turno: luta contra o rebaixamento
Europa: Não tem
Destaque: João Tomás

Sabem aquele time que é limitado em sua totalidade, mas acaba tendo um homem-gol que consegue salvar a pátria? Pois é. Não fosse o “eterno” João Tomás, o Rio Ave estaria em situação ainda mais delicada na liga. De seus pés, saíram nove dos 15 gols assinalados pelo clube na competição. O interessante é que, ao se olhar para o elenco, o grupo não é ruim, tendo bons elementos, como o experiente Milhazes ou os ainda jovens Yazalde e Bruno Gama. As vitórias, no entanto, só apareceram a partir da nona rodada, e a equipe melhorou. Até sofrer 5 a 2 do Benfica na Luz, na última rodada, os vilacondenses haviam emplacado cinco partidas sem derrota. O resultado freou a reação, mas o time de Carlos Brito parece ter se encontrado. Ainda há tempo de se salvar, mais uma vez.

14º Vitória de Setúbal

Expectativa inicial: luta contra o rebaixamento
Expectativa para segundo turno: luta contra o rebaixamento
Europa: Não tem
Destaque: Diego

Torcedor corintiano, não se aflija pela falta de títulos no centenário. O adepto do Vitória de Setúbal teve menos razões ainda para comemorar. Os sadinos completaram 100 anos em novembro, e ao longo de 2010, passaram longe de brigar por títulos. Pelo contário: lutaram contra o rebaixamento na última temporada e, pelo andar da carruagem, disputarão novamente a fuga da queda. A equipe é limitada, principalmente ofensivamente. Foram somente oito gols feitos até o momento, e nem o ídolo Claudio Pitbull, ou o experiente Hugo Leal – que vive péssima época -, têm conseguido dar conta do recado. O elenco tem sido dependente das atuações do goleiro Diego (ele mesmo, ex-Fluminense), e o clima só não é de depressão porque o time vem jogando bem na Taça de Portugal.

15º Portimonense

Expectativa inicial: luta contra o rebaixamento
Expectativa para segundo turno: luta contra o rebaixamento
Europa: Não tem
Destaque: Jumisse

A campanha do Portimonense segue um roteiro quase que desenhado. Com somente duas vitórias e apenas nove pontos, os algárvios, se não vêm tomando baile dos rivais, pouco oferecem de perigo. O técnico Litos resistiu o quanto pôde, mas o elenco é fraco, tendo como alguns de seus poucos destaques o meia Jumisse, um dos únicos que consegue buscar algo além das limitações da equipe. Candeias, de quem muito se esperava, não é ruim, mas peca pela enorme irregularidade. E Renatinho, aquele que já foi comparado a Robinho, também não emplaca. Carlos Azenha chegou há pouco com a missão de manter os alvinegros na elite. Mas a diferença técnica do grupo até mesmo para rivais diretos, como Rio Ave e Vitória de Setúbal, deve selar de vez o retorno do clube à segunda divisão.

16º Naval

Expectativa inicial: luta contra o rebaixamento
Expectativa para segundo turno: luta contra o rebaixamento
Europa: Não tem
Destaque: Edivaldo

Sejamos honestos. O segundo item da ficha acima só não consta “rebaixado” para que se possa seguir um padrão. Porque é difícil imaginar que a Naval vá se salvar. O time fez apenas cinco pontos até o momento, e só ganhou uma partida – na segunda rodada. Jogadores de quem se esperava ao menos um destaque maior, como Godemeche e Previtali, são enormes decepções, e só confirmam que a legião francesa em que Victor Zvunka, já demitido, depositava grande confiança foi um erro. O time tem o pior ataque (sete gols) e a pior defesa (27 tentos sofridos). Os figueirenses já vão para o terceiro treinador na temporada. O grupo está abatido, “sem alegria”, segundo o zagueiro Orestes. Enfim, o destino já parece traçado, e em menos de 16 jogos deve ser confirmado.

Suspensão à vista?

O Diário de Notícias, tradicional jornal português que completou 146 anos nesta semana, soltou uma verdadeira bomba de fim de ano no futebol tuga, ao noticiar que os clubes do país e as seleções podem ser suspensos de todas as competições internacionais oficiais pela FIFA caso a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) não altere seus estatutos antes das eleições presidenciais, marcadas inicialmente para o próximo dia 5 de fevereiro, mas fora adiadas nesta quarta.

A questão é a seguinte: desde que foi estabelecido em Portugal um novo regime jurídico de federações desportivas, encabeçado pelo governo nacional, pela Secretaria de Estado do Desporto, há dois anos, foi determinada a votação de mudanças no estatuto, que teria como uma das implicações uma perda de força das chamadas associações de futebol (AF) – que, grosso modo, poderiam ser comparada às federações estaduais por aqui – junto à FPF.

Não é preciso dizer que desde então, nada foi votado. Muitas foram as assembléias adiadas para que não se desse a votação, e nesse tempo, o governo tomou atitudes mais drásticas, como a retirada temporária do estatuto da federação como sendo de utilidade pública nacional. A reclamação é de que, além da perda de força, não é correto que o Estado “interfira na política de uma instituição que deveria ser autônoma” – não exatamente com essas palavras, mas com essa idéia.

Segundo levantamento do DN, a aprovação dos estatutos deve ser questão de tempo, caso realmente cheguem à votação. Dos 500 votos possíveis na Assembleia Geral da FPF, são necessários 375 (ou 75%) de sufrágios favoráveis, e cerca de 330 já parecem assegurados. As grandes oposicionistas são as AF do Porto e do Algarve, que totalizam 49 votos. Já as demais AFs e membros da Assembleia votarão a favor do estatuto mais por medo das sanções da FIFA do que por uma concordância.

A idéia é que a Assembleia Geral para votação se dê no final de janeiro, com a confirmação do adiamento da eleição presencial. Conforme o jornal A Bola, há duas semanas, o presidente da Liga de Clubes, Fernando Gomes, chegou a entrar com um pedido para a realização do encontro no próximo dia 22, mas a mesa responsável pela Assembleia acabou recusando. Resultado: entre depoimentos críticos e favoráveis à pressão da FIFA, reina a incógnita em Portugal.

Há pontos a serem observados. Primeiro, o fato de tal ameaça ainda não ter sido “oficializada” em nota ou documento à imprensa e o próprio questionamento: será que a demora na votação de um estatuto é real motivo para se desligar seleção e clubes desta maneira do cenário internacional? Segundo, surpreende (em tese) a ausência de um posicionamento mais enfático do presidente da FPF, Gilberto Madaíl, que embora tenha bom relacionamento com FIFA e UEFA, limitou-se a mostrar preocupação.

E terceiro, não dá para não atentar à pressão do governo – que já havia se manifestado contra Carlos Queiroz, com nova punição ao desacato à equipe antidopagem nacional – e não recordar de casos como o de Camarões, que em 2008 teve seu treinador escolhido pelo Ministério do Esporte local, e não pela federação. Claro que se deve colocar tudo em suas devidas proporções, mas o excesso de “dedo” governamental no esporte não é um bom sinal futuro, haja vista o atual momento dos Leões Indomáveis.

À aguardar os próximos capítulos de mais uma novela que só vem para dar mais dor de cabeça ao futebol português. E justo no final de ano…

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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